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A revelação de um segredo

#Marcos Barbosa, frc

~ “Seu” Marcos, eu vou te contar um segredo que aconteceu comigo em Camapuã e nunca contei pra ninguém.
~ Então me conta logo que hoje estou sem inspiração para escrever o conto nosso de cada dia. Eu fiz um compromisso comigo mesmo de todo santo dia escrever uma poesia ou mais,,, e pelo menos um conto. Vai falando que estou ouvindo, aliás, vou escrevendo.
~ Eu namorava uma mulher muito bonita que teve filhas e filhos de vários homens. Não obstante esse fato, ela não era uma mulher promíscua. Respeitava seus homens, dedicava a cada relacionamento uma fidelidade total.
~ Dure o tempo que durar, mas é um de cada vez. Eu não consigo fazer isso que muitas mulheres fazem: traem seus maridos ou namorados na maior pouca vergonha -  dizia ela.
~ Então qual é o segredo que você quer me revelar Naljok?
~ Uma das filhas dela era muito bonita, mais bonita que a mãe e namorava um brutamonte estúpido, que dizia em tom de piada para justificar a sua estupidez e ignorância: “ Não dei pra estudar e nem estudei pra dar”,,, por isso tenho que pegar no pesado pra sustentar meus gastos com minha namorada.
~ Mas onde é que está o segredo aí homem?
~ Calma “Seu escritor” ... Uai!  Você que é o escritor e eu é que tenho que te ensinar a fazer suspense e mistério ao contar um “causo”?
Desta vez Naljok, contador de histórias, surpreendeu-me e eu fiquei sem palavras, só ouvindo:
~ Otília, a moça bonita, a mais bela de toda a redondeza descobriu que o brutamontes era estéril, portanto não podia fazer um filho nela...
~ Que sofrimento... Coitada da moça... Vai ver que também não era bem potente e não satisfazia sexualmente a menina...
~ Acertou, professor, isso mesmo é o que estava acontecendo.
Então, pra encurtar a história, Naljok me contou que o brutamonte era violento, falava com a moça em tom ameaçador, vivia com medo de levar chifre e a moça acostumou-se a viver de fortes emoções,,, quando isto não era alimentado com o terror das ameaças ele a levava para a prática de esportes radicais, o que deixava  confuso o corpo emocional de Otília, sempre fragilizada diante da situação.
~ Como eu ia dizendo – retomou a palavra – o meu namoro com a mãe de Otília acabou. Terminamos pressionados pelas circunstâncias do dia-a-dia. Ela morava na cidade, era costureira e eu era gerente de uma fazenda distante. Só podíamos nos ver nos finais de semana. Dormia na casa de Ekdélia, ajudava nas despesas, mas mesmo assim a família dela me tratava com indiferença. A única que de vez em quando manifestava um pouco de simpatia comigo era a Otília, mas com muito cuidado e sempre na ausência do brutamonte.
~ Estou sentindo um final picante, apimentado, nessa história...
~ Calma aí, professor, tenha a paciência de um escritor de novela... Então... continuando e história, certo dia encontrei na praça a minha ex-namorada que ainda amo muito, até hoje e ,,, conversa vai,,, conversa vem,,, porque continuamos amigos,,, a uma certa altura  perguntei, de sopetão: ~ Como vc reagiria se eu tivesse um caso  com sua filha, agora que estamos terminados. Certamente eu e ela não nos sentiríamos traidores da sua confiança,,, mas,,, e você? Como se sentiria?
~ Sabe de uma coisa, sem hipocrisia, sem falsa moral... É a melhor coisa que poderia acontecer à minha filha. Um homem forte, potente e fértil como você tem capacidade para fazer da minha filha uma mulher feliz. Eu é que não podia mais ter filhos porque já passei da menopausa, senão seria mais um para inteirar os 13 filhos. Criei doze sozinha e com a generosa ajuda da maioria dos pais, por que não criaria mais um seu?
~ Com essa resposta, equivalente a um alvará de licença assinado pela mãe, tomei coragem e fui mais fundo na conversa:
~ O que vc vai fazer hoje?
~ Hoje é domingo, normalmente eu trabalho, como vc  sabe, meu descanso é no sábado, mas eu costurei muito na semana passada e vou passar o dia na minha comadre.
~ E os meninos?
~ Foram todos para uma excursão e o brutamonte viajou com a família dele. A Otília está sozinha em casa. Disse que vai dormir o dia todo, pra tirar o stress.
~ Então eu vou fazer uma visita a ela,,, se eu tiver com sorte hoje, quem vai tirar o stress dela sou eu.
~ Boa sorte!... - E chegando bem perto do ex-namorado disse baixinho:  aproveite bem o dia que eles estão brigados. Ela me disse que vai terminar o namoro com “aquela coisa”.
Nove meses depois nasceu uma linda indiazinha de olhos verdes e a costureira Ekdélia,,, uma feliz vovó coruja e sogra do ex-namorado.

                               
PASSANDO O CHAPÉU

ANTIGAMENTE HAVIA UM MÉTODO SIMPLES DE FINANCIAMENTO POPULAR DA ARTE, PASSANDO O CHAPÉU. ARTISTAS, POETAS E ATÉ ALGUNS ESCRITORES, APÓS SUAS APRESENTAÇÕES PASSAVAM O CHAPÉU EM PRAÇA PÚBLICA E ATÉ EM FESTAS PARTICULARES, PARA  OS OUVINTES CONTRIBUÍREM.
OS TEMPOS MUDARAM E OS COSTUMES SÃO OUTROS... ENTÃO sugiro aos escritores, poetas e artistas em geral,,, QUE ARRECADEM  CONTRIBUIÇÕES DOS SEUS LEITORES  E/OU OUVINTES/ PLATÉIAS  EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PARA POSSIBILITAR A CONTINUAÇÃO DO TRABALHO. SABE-SE QUE LIVRO NÃO DÁ LUCRO PARA ESCRITOR INICIANTE, MAS MESMO ASSIM O NOSSO SONHO CONTINUA.
Marcus Aurelius
Enviado por Marcus Aurelius em 21/11/2013
Reeditado em 08/07/2017
Código do texto: T4581029
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Marcus Aurelius
Águas Lindas de Goiás - Goiás - Brasil, 64 anos
220 textos (48380 leituras)
11 e-livros (734 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/04/21 00:05)
Marcus Aurelius