Alguns dias sem carro. Que bom!

Alguns dias sem carro. Que bom!

Está sendo uma oportunidade de rever velhos costumes que as facilidades dos dias de hoje nos retiraram.

Atividades simples do dia a dia, como sair com a esposa em passeio; visitar minha mãe, minha tia Lucia, passar pelo pastel de Má; outro dia visitando o senhor do espetinho na praça da meteorologia, ou melhor, Praça Geraldo Ramos de Oliveira; no outro, ir ao banco parando no caminho para conversar com amigos, como Geraldo Neves, Kinquinha Neves, encontrar Pedro Fedegoso descendo em sua bicicleta, os Getúlios, pai e filho, sentados na porta da Casa do Fazendeiro. Isto tudo, com uma diferença, seguindo o roteiro a pé.

Dois momentos que destaco como muito ou mais interessantes, foram, primeiro, o encontro com o pai e filho, Getúlio Fiel e seu filho, uma imagem vista em outras vezes de dentro do carro, uma união difícil de ver nos dias de hoje. Os dois ali, sentados, batendo papo me fizeram voltar no tempo, quando eu e meu pai sentávamos aos domingos e feriados na porta de casa ou no passeio da igreja para tomar sol. O meu pai então falava da importância dos raios solares como fixadores de vitaminas no corpo.

Neste encontro com o Getúlio e seu filho, conversamos muito sobre moto, vespas e lambretas.

Disse:

- Getúlio foi o dono da primeira moto daqui.

Ele me corrigiu:

- Moto não Milton, Vespa, que era Italiana.

Disse:

- Isso mesmo. Ela tinha até um pneu de reserva (socorro).

A conversa durou alguns minutos falando sobre as qualidades e riscos das motos como transporte, os equipamentos de segurança que existem hoje e não existiam em outros tempos, etc.

O segundo momento foi o bate papo com Pedro Fedegoso, quando passou por mim em sua bicicleta e o cumprimentei, ele reduziu a velocidade e emparelhou a sua bicicleta e me acompanhou até o cruzamento onde nossos destinos mudavam de direção.

Elogiei o Pedro:

- Pedro Fedegoso, bom de bola; meu centroavante; meu camisa nove.

Ele respondeu:

- Oi Milton, tempo que Espinosa tinha futebol, né!? Tinha seu tio Nei, baixinho bom de bola. Eu Joguei muito com ele. Tempo bom do Nove de Março, Mercúrio

Eu:

- Pois é Pedro. Lembro muito do Tio Nei e de você jogando no antigo "campão". Tio Nei morreu novo, hein!?

Pedro:

- Naquele tempo tinha vôlei também, jogávamos ali na praça da prefeitura, onde havia dois espaços de terra ou onde é a praça da liberdade também.

O Pedro lembrou então de velhos companheiros de futebol da sua época, os irmãos Tolentino José Jota, Raimundinho e outro que não me lembro do nome. Vi os seus olhos brilharem em um misto de saudades e satisfação em falar daquele tempo, da sua história e dos bons momentos do esporte em Espinosa.

Apesar de quase trágica a situação que me deixou sem o carro, esse espaço de tempo que ele descansa em uma oficina está sendo muito útil para perceber o quanto é importante uma caminhada pela cidade e o quanto é agradável as pequenas paradas para um bate-papo com velhos e admirados conhecidos.

São momentos que espero, mesmo depois do retorno do velho calhambeque, repetir mais vezes.