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O Objeto

Uma hora .Esse era o tempo de que precisava para arrumar as malas, dar um jeito na casa e sair .

-Droga! Onde estão minhas chaves? - Denize revirou os papéis em cima da mesa, até encontrar um chaveiro lotado com as chaves do carro , do apartamento , da casa , do escritório e mais algumas das quais nem tinha conhecimento- Ele deve estar me esperando !Estou atrasada !

Sentia-se louca por estar  ali, falando sozinha, ansiando pelo incerto. O encontro com Fernando, ela aguardava há meses, mas agora... agora não sabia se o queria tanto assim.

-Já me fez de boba uma vez! Tenho que manter os pés no chão .-Tentou ignorar o objeto que tinha guardado na mala caso Fernando aprontasse novamente; olhou-o por uns instantes, seria preciso usá-lo? Ela teria coragem?

Deu umas goladas de vinho.

-Pra quê vinho ? Posso morrer , porra! Eu não penso mesmo , devo ter nascido sem aquele tal de bom senso.

Pegou a mala , o dinheiro , a bolsa , uma caixinha que estava sobre a mesa e saiu do apartamento apressada.

-Merdaaaa!- socou o botão do elevador; sabe quando você está louco para sair e o elevador decide parar em todos os andares possíveis?Era o que estava acontecendo.Pensava ainda naquele tal objeto que guardara na mala.

Chegou ao andar G2 ,aproveitou para deixar o lixo,entrou no carro e ligou-o depressa.Forçou o pé contra o acelerador e quase quebrou o portão da garagem do prédio!

-Cuidado , madame! - gritou o porteiro

-Não enche, baiano ! - virou a esquina como louca, pegando o atalho mais próximo para o aeroporto de Congonhas.

O trânsito era infernal , Denize não parava de pensar no objeto lá guardado , escondido , pronto para ser usado no menor deslize.

Ao entrar no Aeroporto não encontrou Fernando no lugar marcado.Pensou que ele pudesse ter desistido afinal ela estava meia hora atrasada. Ao olhar para a esquerda, viu uma cena que lhe fez soltar um grito de ódio. Fernando aos beijos  e amassos com a secretária dele , a Lúcia . Aquela que os homens costumam chamar de "muito prestativa" ou "gente fina".

Pensou no objeto.Sacou a arma. Atirou três vezes em Fernando e quatro em Lúcia.

- Finalmente , um objeto que não sou eu mesma ! - soltou uma gargalhada e acordou suando frio . Foi o pior pesadelo de sua vida.


Gabriella Ramos
Enviado por Gabriella Ramos em 10/07/2007
Reeditado em 10/07/2007
Código do texto: T558742

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Sobre a autora
Gabriella Ramos
São Paulo - São Paulo - Brasil, 28 anos
7 textos (345 leituras)
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Gabriella Ramos