EDIFÍCIO CALIFORNIA

Duas moças iam de um lado a outro da movimentada avenida do centro da cidade. Os carros passavam a mais de 60 km por hora. Debaixo dos edifícios elas olhavam as pequenas janelas dos escritórios, e os detalhes dos parapeitos. De vez em quando os transeuntes abordavam as duas jovens que pareciam perdidas. A loira falava com mais desenvoltura e chamava a atenção dos homens. Todos curiosos sobre aquelas duas moças. Um deles, já com os seus 65 anos, tentava "arrancar" alguma informação sobre a presença delas naquele vai e vem. Ele contou que fora um almirante respeitado no seu tempo e viajou por vários países, conheceu o mundo. O idoso disse ainda que casou muitas vezes em vários países e que dinheiro, ou a falta dele, não era problema. As moças se olharam entre si e abriram um sorrisinho deboxante. O "almirante" ficou parado e fechou a cara. Então apareceu um vendedor de dvs piratas. Ele, todo paramentado com óculos espelhados e boné virado para trás, jogava charme para as duas garotas. O camelô dizia que era dono do próprio negócio e o sucesso "bateria" em sua porta em poucos dias. A morena e a loira olharam de cima para baixo para o vendedor ambulante e atravessaram a rua. As duas garotas não largavam um pedaço de papel embrulhado em suas delicadas mãos. Na esquina apareceu um homem todo de preto com guarda chuva da mesma cor. Ele abordou as duas e indicou o andar superior do edifício California. Esse prédio era um dos mais antigos da cidade construído na década de 1970. O camelô, e o idoso foram até o homem e seu guarda-chuva com aspecto de mafioso. À primeira vista o consideraram um desses leões de chácara de boates LGBT. Os dois até "encheram" o peito e fizeram cara de mau para o homem de preto. Eles tentaram intimidá-lo. O camelô, inclusive, disse que as garotas lhe "deram" bola, mas ele já tinha coisa melhor. O "almirante" disse que as suecas que conheceu eram bonitas. Diante de tanto falatório dos dois, o homem de preto confessou que era apenas o porteiro do edifício California. Outra descoberta dos dois curiosos foi o teor do papel na mãos das moças. Aquilo era uma intimação destinada ao síndico para a total desocupação do prédio por motivo de desmoronamento. As duas jovens pertenciam a Defesa Civil e mediam de um lugar a outro da rua a distância do impacto da queda dos escombros do prédio. Os dois curiosos sairam cabisbaixos rua afora. Eles perderam a esperança da chegada de novas garotas para a sala X no primeiro andar do edifício California. Essa sala tinha excelentes massagistas para todas as categorias de trabalhadores, inclusive a do aposentado e do "futuro" empresário do ramo de dvs piratas. Ledo engano.

Levi Oliveira
Enviado por Levi Oliveira em 01/01/2018
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