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Minha existência

Parecia que o mundo era todo meu, logo me dei conta das cores, do vento, dos animais, das pessoas grandes ao meu redor, das pequenas iguais a mim, um sentimento que eu não sabia distinguir me invadiu; A felicidade, estava VIVA, era dona de um corpo só meu, de uma vida.
 As vezes antes de dormir na minha cama eu ficava tocando meus braços, pernas, o corpo todo, questionando o porque de eu senti-los e não sentir o dos outros. A tal "vida" era uma festa, pessoas sempre me fazendo carinhos, afagos, palavras bonitas, e cada vez mais eu ia conhecendo novos rostos, alguns com vínculos maiores outros não.
 Certo dia por algum motivo banal que não me recordo, tive um sentimento contrário daquele que me invadia, lembro-me eu no colo da minha mãe e ela cantando: " Se essa rua, se está rua fosse minha..." para me consolar de algo que aconteceu.
 Eu amava esses afagos e fazia minhas birras só para me agradarem. Lembro muito dos passeios, eu tinha um chapéu de lã da cor branca que sempre estava com ele, e uma mania estranha de andar segurando como se ele fosse cair.
 Naturalmente pouco a pouco fui compreendendo e confundindo as coisas da tal "vida", eu notava que havia assuntos proibidos, e esses obviamente eram os que mais atiçavam minha inocente curiosidade, um exemplo: "o sexo", ouvia sempre adultos se referindo a isso, e quando eu estava perto ecoavam "xiu" "xiu", e eu com uma curiosidade de gato novo deduzi que seria beijar muito na boca, juntando as coisas como um quebra cabeça fui descobrindo aos poucos essas coisas "proibidas" que de uma forma instintiva me dava uma excitação que nem eu sabia direito do que se tratava, mas parecia algo prazeroso.
 Eu me sentia especial, de fato especial, sempre havia alguém que dizia que eu era uma menininha muito especial, e eu acreditava piamente, hoje sei que toda criança ouve isso.
 Certo dia eu estava na rua com minha família e surgiu um rapaz do nada, abaixou -se e disse: Ei menininha, você é muito especial sabia?
Outro dia meu pai havia se internado e minha mãe foi visita-lo, não deixaram eu entrar devido a pouca idade e fiquei no corredor esperando, uma moça bem alta sentou-se ao meu lado e disse que eu tinha algo especial e que eu deveria escolher um presente que ela me daria. Por conta disso cresci com uma ótima auto-estima, nunca me senti menos que os outros, sempre tive noção de minhas limitações porém nunca me senti frustrada por isso. Devido a uma anemia forte que eu tive na primeira infância, eu passei a tomar biotônico e vitaminas, com 10 anos eu tinha me tornado uma criança gordinha. Na escola passaram a me chamar de " Free Willy", mas não me senti mal, como sempre amei filmes confesso que eu achava até bacana me associar a um personagem, eu já me sentia artista mesmo, amava imitar pessoas, criar histórias, com tudo, desenhos, brinquedos, e até formigas.
 Quando eu cansava de brincar com bonecas e etc, eu deitava na parte do quintal que havia bastante formigas e ficava criando histórias, dava falas a elas de acordo com seus movimentos.
 Como eu já disse que sempre me senti especial, Eu gosto de colocar essas lembranças num papel para quando eu ficar velha ou demente , não perde-las.
Denise Brunato
Enviado por Denise Brunato em 13/06/2018
Reeditado em 13/06/2018
Código do texto: T6363324
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Denise Brunato
Itapetininga - São Paulo - Brasil, 29 anos
27 textos (1583 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/08/18 18:36)
Denise Brunato