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O XARÁ = III

O Artista das Rimas sugeriu e aqui está a continuação de O XARA
Espero que vocês gostem.

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Quando Môzar entrou com o carro na garagem, uma cadelinha vadia, aproveitando o portão aberto, entrou também.

O rapaz ia enxotá-la, mas, de repente se compadeceu dela.

Ela o olhava como que pedindo para ser alimentada, pois era evidente que estava com muita fome.

Resolveu dar-lhe alguma coisa para comer, mas como morava só e não comia em casa, só tinha na geladeira cerveja e azeitonas e é claro que mesmo com fome nenhum cachorro comeria isso.

Resolveu sair e comprar um pacote de ração para cães.

Nem ele mesmo sabia por que fazia isso, pois não gostava de cachorros e estava ainda muito irritado com o seu xará-cão.

Mas comprou a comida e ofereceu à cadelinha faminta que devorou com indizível prazer.

Deixou-a comendo e foi tomar seu banho, ler o jornal, ver televisão e só lembrou-se dela horas mais tarde,

Ela devia estar querendo ir embora e ele precisava abrir o portão.

Encontrou-a deitadinha sobre o piso frio da área de serviço e pôs-se a refletir.

Por que será que há tanta diferença de sorte entre os animais assim como acontece com os humanos?

O seu xará era bem alimentado, limpo, alegre, mimado.

A essas horas devia estar dormindo em sua confortável caminha. Talvez até dormisse na cama do casal, lambendo as orelhas da Julieta e roçando o rabo nas pernas do seu marido.

Riu ao imaginar a cena.

Ele fora um menino muito pobre e invejava muito os riquinhos que tinham bicicleta, nadavam na piscina do clube e estudavam em bonitas escolas particulares, enquanto ele estudava numa escolinha mal cuidada no bairro pobre onde morava.

Quando completou a maioridade veio tentar a vida na cidade grande.

Sofreu muito. Passou fome e frio, mas quando o dono de um armazém lhe deu um emprego tudo melhorou. Tinha, então, casa, comida e um pequeno salário.

 Estudou, conseguiu se formar, ter uma boa profissão e agora estava muito bem.

Já tinha casa própria, carro e podia dar-se ao luxo de alguns supérfluos.

- É, Julieta! Vida de pobre não é fácil!

Tinha resolvido ficar com ela e lhe dar o nome de Julieta.

Improvisou-lhe uma caminha com uma toalha de banho e no dia seguinte, logo cedo, levou-a ao Center Dog onde ela foi lavada, tosada e ganhou até um lacinho de fita no alto da cabeça.

O veterinário aplicou-lhe as vacinas, receitou remédios e prescreveu uma dieta especial porque ela estava muito desnutrida.

Comprou tudo que achou que ela ia precisar.  Casinha, almofada para dormir, cobertorzinho, vasilhas para comer e beber, etc.

Comprou até uma roupinha que ela recusou-se a usar.

- Tudo bem, sua desavergonhada! Se prefere andar nua, ande!

Julieta aceitou de bom grado o seu novo (ou primeiro?) dono e Môzar que odiava cachorros estava todo babão com a sua cadelinha mimada.

Todos os domingos, pela manhã, a levava passear num parque onde se reuniam muitas pessoas com seus cães e foi numa dessas vezes que ele encontrou a Julieta (mulher).

Tentou fugir dela, mas ela já o tinha visto e vinha ao seu encontro puxando o Môzar, é claro.

 - Oh Môzar! Que surpresa encontrá-lo aqui! Que cachorrinha linda! Como´é que ela se chama?
  . Julieta!
 - Julieta?! Que coincidência, não?

Maith
Enviado por Maith em 13/09/2007
Código do texto: T651028
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Sobre a autora
Maith
Sorocaba - São Paulo - Brasil
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