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Vila do Sossego

A cidade pacata de Vila Sossego quase nunca tinha novidades. As pessoas se atinham ao que fosse dito por algum forasteiro que chegasse a cidade.
Naquele tempo, quando o jornal da capital chegava, a notícia já estava velha.
Grande parte da população vivia na área rural. E a cidade se mantinha com o pequeno comércio.
A venda do seu Alceu, a farmácia de seu Crisóstemo, o bar do seu Genésio, a pensão da dona Nicoleta eram os principais estabelecimentos da cidade.
Muitos sitiantes tinham casas em Vila do Sossego e aos finais de semana a cidade fervilhava de gente.
João Tororó era um desses sitiantes que gostava de passar os finais de semana em Vila do Sossego. Casado com dona Maria Celeste e pai da simpática Maria Flor.
Apesar do isolamento, todo mundo era feliz naquela cidade singela. Como o rádio ainda não havia sido inventado, as rodas de viola e a sanfona eram a alegria da população.
Havia grupos na cidade que se faziam por afinidades. Eram o grupo dos intelectuais, dos boêmios, dos fofoqueiros, dos estudantes, das professoras.
Catarina a neta da dona da pensão era a melhor amiga de Maria Flor, e irmã de Marinalva e Tenório. Dona Nicoleta tinha muito orgulho dos netos.
Houve um dia que todo a cidade se reuniu na praça. Haveria uma surpresa por parte de Chico Zangão.
Dona Nicoleta e os netos estavam a frente da multidão.
Seu João Tororó também levou a família.
Estavam todos esperando pela surpresa que seu Chico Zangão, um visionário, havia prometido a cidade.
Alguns pensaram ser uma pilhéria do Chico.
A banda da cidade se colocou a postos. Na hora certa haveriam de rufar os tambores.
O grupo dos intelectuais apostaram na chegada de maquinário para a implantação do primeiro jornal da cidade.
Os boêmios acreditavam que Chico traria um clube dançante para se divertirem.
Os fofoqueiros imaginavam tantas coisas que discordavam um dos outros.
E os alunos e as professoras uma biblioteca.
Após quase duas horas de espera, Chico Zangão, deu entrada na cidade, anunciado pela banda. Dona Nicoleta sem entender nada colocou a mão na testa tentando enxergar o que vinha vindo na lá na frente. Catarina olhou enviesado sem acreditar no que seus olhos viam. Tenório esticou o pescoço para ter melhor visão. Marinalva começou a sorrir gostando do que via. E cada vez a surpresa ficava maior na estrada, aproximando-se Até que parou defronte a população local. Ninguém sabia dizer o que era aquilo.
Seu João Tororó em toda sua simplicidade olhou, rodeou toda aquela estranha criatura e perguntou.
– Antão seu Chico Zangão, o quê é isso?
– Isso é uma automóvel!
E com os olhos arregalados foi rodeando e observando o estranha surpresa. Foi então que se aproximou e disse com toda sua simplicidade.
– ôoo meu Santo artomóvel !
Kelle Marinho
Enviado por Kelle Marinho em 09/07/2020
Reeditado em 09/07/2020
Código do texto: T7001069
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre a autora
Kelle Marinho
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 48 anos
26 textos (1114 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/08/20 08:56)