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Sem sentido

Ninguém pode se salvar neste mundo.
Mais uma decepção. Uma coleção de tristezas. Eu pensei que era agora, tinha tudo planejado. Planejei uma vida.
Não existe lugar nesse mundo para quem não ama. Quem não tem amor não é digno de viver. Para que viver se não há alguém? Para que serve essa carne inútil?
Mundo perverso, destrutivo, maldoso, sem piedade. Condena minha vida e pronto.
Como será daqui para frente? Será que é a outra? É essa? Vou fazer minhas ilusões tudo de novo?
Eu a amei, juro!
Era a pessoa que eu precisava para o resto da minha vida! Eu juro!
Com ela tudo estaria perfeito, mas não, é preciso sofrer na solidão eternamente.
Qual o problema?
Qual? Diga-me!
Minha vontade é pega-la pelos braços e dizer que a amo, que sou louco por ela, que se ela não estiver na minha vida, nada mais tem sentido.
Sem ela sou nada.
Abandonei-me, larguei-me, desisti e pronto.
Pura decepção. Só sofrimento.
Seus traços, sua cor de pele, seu cheiro, olhos, cabelo, roupa. A expressão dela mesma; a nudez pública; o diário de sua vida aberto; tudo a disposição, rastro da vida.
Como odiava ver ela com seus amigos. Dividir ela com outras pessoas me dava raiva. Toda aquela beleza, todo aquele charme, era um desperdício gastar com pessoa tolas, era um desperdício gastar seu tempo com aqueles caras estúpidos e sem sentimentos. Via-me espancando todos eles. Ela era minha e de mais ninguém.
E o sorriso dela. Ah que sorriso! Era um sorriso alegre, seu sorriso brilhava vida, enchia-me de emoções; eu pensava o dia todo em faze-la sorrir, fazer brilhar aquele sorriso era meu objetivo de vida, ver aquilo me dava a sensação de dever cumprido.
Eu entendi. Para além daquele sorriso havia algo mais. Algo que faz doer. Não era um sorriso patético e em vão, era um sorriso que escondia algo sofrível. Um sofrimento que estava estampado em torno de seus olhos: abatidos e tristes.
Eu não reagi. Fiquei desacreditado. Ela me recebendo de braços abertos e eu pensando o porquê. A vida me deixou frio e pessimista, já não vejo esperanças naquilo que me traz esperanças. Acho que ela sabe, mas vê tudo isso como futilidades: ninguém merece o mínimo de entendimento.
Alguns momentos da vida me dão forças, outros decepções, mas o que importa são as decisões. Em um mundo de escolhas, eu só tenho uma por vez.
Agora fico triste. Não é aquela tristeza habitual. Não! É uma tristeza que consome. É olhar para frente e não ver nada; não ter sentido algum para o futuro. Sem ela tudo fica vazio, tudo fica sem graça, sem vida, sem escolha, sem objetivo. Eu respiro ela, só penso nela. Os dias sem ela ficam monótonos.
Eu sei qual será minha escolha. No fundo sempre soube. Eu só penso nisso. A morte já não é algo distante, já não é algo que provoca aversão. A morte se tornou uma perspectiva que me enche de felicidade. Um solução que conforta e anima. Para viver, só assim mesmo.
Nunca exigi muito da vida. Sempre pedi pouco. Nesse mundo não há lugar para mim. Com todas minha neuras, paranóias, medos e decepções; definitivamente, esse mundo não é um bom lugar para se viver.
Eu quero apagar, dormir para sempre, esquecer de tudo, não medir consequências. Quero parar o tempo, deixar tudo em pausa. Quero ser egoísta.
Então me beija, abraça-me, diz que me ama, diz que sem eu não há vida, que sem eu nada tem sentido, que me quer mais que tudo. Diz que só pensa em mim, que eu sou um sonho, sou o amor, sou o único digno, sou tudo para você.
Forte. Abraça-me forte. Beija-me. Faz meu cheiro se emendar com o seu. Coloca a cabeça no meu peito. Abraça-me mais forte. Quero que me abrace como se fosse me ver pela última vez. Diga "Eu te amo" mil vezes. Quero ouvir que eu sou a pessoa certa, a pessoa que sempre esperou.
Minha vida é sua.
Quero que esse momento dure para sempre.
Enquanto o mundo estiver desmoronando, quero ficar ao seu lado e te sorrir.
Eu cansei da vida sem isso.
Cansei de ser um só.
Eu não consigo mais viver sozinho.
Eu não me suporto.
Plínio Platus
Enviado por Plínio Platus em 09/11/2007
Código do texto: T730004
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Sobre o autor
Plínio Platus
São Paulo - São Paulo - Brasil, 102 anos
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Plínio Platus