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Jovens Franksteins

   João olhava para o filho que agonizava no leito do hospital.Havia sofrido um acidente e a esperança já não existia mais.O filho viu a presença do pai e o chamou:
   -Pai,logo estarei partindo para uma viagem sem volta.Sei que sempre fui um rebelde, não tinha a noção do perigo.Agora estou eu aqui,a beira da morte...
   -Não diga isso!Você vai escapar dessa!-falava o pai com bravata,mesmo sabendo que a única certeza era a morte.
   -Não precisa me animar...você sabe que o meu tempo e curto...quero que você realize...o meu ultimo desejo...
   -Eu sei qual e o seu desejo,mas não vou permitir que retalhem o seu corpo como se fosse uma carne de açougue!
   -Pai...eu...lhe...imploro...
   -Piiiiiii...-soava o aparelho,mostrando um traço reto no gráfico.
   Enquanto esperava o corpo do filho ser liberado veio um medico para conversar com João:
   -Sr João,era a vontade do seu filho doar os seus orgaos.Mas como a norma deste hospital exige a autorização do parente próximo ,pedimos a sua colaboração.
   -Vocês parecem um bando de urubu!Torceram para que ele morresse para depenar o seu corpo.Mas vocês não terão nem um fio de cabelo .Não conte comigo para criar o seu Frankenstein.

   Passado alguns anos,após a uma internação de emergência,João ouve os resultados dos exames:
   -Sr João,infelizmente não temos uma boa noticia para você:o seu coração esta muito comprometido.Se não acharmos um doador,o seu tempo de vida e no máximo seis meses.
   -Em quanto tempo vocês conseguiriam um doador?
   Não sei responder com precisão. Alem da compatibilidade, há uma fila de espera.Infelizmente,por falta de doadores,a morte costuma chegar antes.
   Nesse momento João sentiu o mundo cair em sua cabeça.Foi um misto de desespero e remorso.Jamais imaginara que o tal Frankenstein poderia ser ele mesmo.
   Dores no peito,exames, internacoes e remédios viraram rotina em sua vida.Embora recebesse apoio da família e dos amigos,não conseguia forca para lutar.
   Quando a fila andava,para ele era um motivo de tristeza,pois geralmente era mais uma pessoa que não resistiu a espera.Desejava que a sua vez chegasse de outra forma.
   Cansado do sofrimento,João se suicidou num quarto de hotel.Na carta dizia sobre o seu arrependimento por ter sido uma pessoa insensata e que Deus e o seu filho jamais iriam lhe perdoar.Dizia também que não tinha coragem de pedir a solidariedade que ele havia negado a outras pessoas.
julio diogo
Enviado por julio diogo em 14/12/2007
Reeditado em 03/01/2009
Código do texto: T777386
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
julio diogo
Japão, 49 anos
6 textos (397 leituras)
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