Admirável mundo novo

 

                                     "Chove dentro da alta fantasia"
                                                                              Dante



                 Ele tinha acabado de chegar de um planeta distante da terra.  Talvez, a distância fosse de uns trezentos anos-luz.  E esse planeta, amarelo, ficava bem  no centro de uma linda galáxia, de iluminação feérica. Ao contrário da terra,  de um azul que começava a desbotar, situada humildemente na periferia da via láctea, que parecia estar fugindo, tal a velocidade com que se expandia rumo a um buraco negro.

                          Oxalá, chegue lá... .
                   O homem     aparecia altas horas da noite,  naquelas horas tardias em que rareavam os frequentadores de um bar, próximo a um presídio de segurança máxima, no bairro de Bangu, na cidade do Rio de Janeiro.
                        Chegou a fazer amizade com um tal de Julião, carcereiro antigo do presídio. Naturalmente,  o Julião sondava o estranho e levava a conversa  para a criminalidade da cidade.  Falava dos presidiários, sempre revoltados. E a conversa terminava sempre sobre os julgamentos do Júri.  Era adepto da punição e se dependesse dele todos os bandidos assassinos seriam sumariamente metralhados.   A principal preocupação dos habitantes era aumentar o número de presídios.
                        O homem do planeta amarelo ouvia essas declarações com assombro. Exclamava, ironicamente: - “Belo planeta”.  E dizia para o carcereiro: - “ no país em que moro (disfarçava e inventava um país inexistente)  não existem  códigos penais, muito menos Código de Hamurabi. Naquela terra distante havia apenas um Ministério. E se chamava Ministério para a defesa do Homem e a preocupação máxima do povo era, finalmente,  descobrirem o sentido da vida no universo. Estavam chegando lá... Caso fosse impossível a descoberta do sentido da vida, aquele povo planetário distante sabia que cada um poderia criar um sentido  digno  da vida para si próprio. Eles haviam conquistado um valor  fundamental  para o bem viver:  a honestidade.
       Aquela humanidade tinha conhecimento de homens dignos que viveram na terra. E seguiam com amor o que disse o filósofo Bertrand Russel: - “ A reverência pela personalidade humana é o início da sabedoria em todas as questões sociais, mas principalmente na educação”.  
                        Povo que se dedica à descoberta do sentido da vida tinha que ser mesmo  de outra galáxia. Não havia esporte de competição. Boxe,  corrida de carros, luta-livre, nada disso. Novelas, nem pensar. Mas a liberdade de pensamento era respeitada.
                
                        É verdade que o futebol ainda era jogado, mas apenas para suar a camisa, como exercício.  Estranhamente, só jogavam de camisa amarela.
                        Como também  o universo não é perfeito,  o jogo  adorado pelas pessoas era a peteca na praia.
                        Com os petequeiros separados por uma rede amarela.
 



              Nota:  Um conto para exercitar a fantasia.
 
Gdantas
Enviado por Gdantas em 31/03/2015
Reeditado em 31/03/2015
Código do texto: T5190403
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