Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

A Imperatriz

Quando aquele jovem maltrapilho atravessou os grandes portões de ouro daquele lugar, estava assustado com a visão das enormes esculturas e pilastras de apoio todas também em ouro. Ao fundo havia um trono, porém ele podia ver claramente os detalhes daquela peça. Era largo, alto e de um tom amarelo alaranjado, brilhante como uma jóia. Sentada nele estava aquela figura que transmitia sabedoria em seu olhar. Ele foi se aproximando de forma tímida. Ela deixou o escudo que segurava de lado, e colocou o cetro sobre o colo. Havia um sorriso lento em seus lábios, e ela abriu os braços para o Louco.

Ele se aconchegou em seus seios fartos e ficou ali, quieto, recebendo carinho e palavras de ternura e compreensão d´A Imperatriz. E apesar de muito vaidosa, sempre cuidando de sua aparência, com muita elegância repreendeu o andarilho. Em seu discernimento aconselhou o garoto a procurar por algo que ele ainda não conseguia entender, a rotina da vida. Ela desceu o jovem de seu colo e levantou o cetro. Na ponta do mesmo havia uma lua cheia e duas outras luas, uma de cada lado oposto fazendo um desenho de um arco. Eram as luas, a minguante e a crescente que giravam ao olhar estupefato do Louco.

Vou te mostrar os caminhos, a Imperatriz disse fazendo uma pose bem altiva. Ela então girou o objeto sobre a cabeça do Louco e uma névoa foi tomando conta do ambiente. Ali ele pode ver todos os outros elementos das cartas, viu o futuro, porém também viu parte do passado. Compreendeu seus passos e sentiu suas escolhas. Tudo girava rápido em nuvens como poeira cósmica, em tons azulados e lilás. Ainda atraído ouviu as cantigas da Imperatriz, visualizou possibilidades múltiplas de vida. Que ele poderia ajudar mais os outros, fugir menos das responsabilidades, e depois ser parte de uma contribuição maior, poderia viajar mais, até mesmo usando isso para esse momento de compartilhar e aprender. Ela terminou falando que ele poderia ser o que quisesse, fazer o que quisesse, desde que fosse bom para si e para o todo, sempre assim.

A Imperatriz despediu-se do Louco colocando o escudo de volta no braço. Arrumou a postura alongada mostrando a saliência na barriga, ela esperava o irmão dele, e ele chorou de alegria pela notícia.
Péricles Emr
Enviado por Péricles Emr em 11/01/2018
Reeditado em 11/01/2018
Código do texto: T6223281
Classificação de conteúdo: seguro

Comentários

Sobre o autor
Péricles Emr
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
65 textos (899 leituras)
2 e-livros (20 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/09/20 04:49)
Péricles Emr