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Morgana




      Era uma vez...
      Sempre sonhamos viver uma história que pudéssemos, no futuro, contá-la, começando assim. Viver uma realidade que pudesse ser contada como fantasia. Ou o contrário. Eu posso! E vou contá-la...

      Era uma vez, um camponês, que alheio á sua condição de plebeu, buscava, mesmo naquela vida dura e tediosa, enxergar o Belo. Olhava sempre para o monte nevado, muito além da densa floresta que envolvia a aldeia. E ansiava alcançá-lo.
      A floresta, de árvores centenárias, era mítica e impenetrável. Uma barreira intransponível que mantinha inatingível a cordilheira e o monte, tão cobiçados.
      Moço de modos educados trazia sob a pele curtida de sol e marcada pelas cicatrizes do trabalho duro, o refinado trato da Corte e um bom gosto peculiar estranho á rudeza de seu meio. Ninguém sabia ao certo, de onde viera, e nenhuma referência havia de seus antepassados, o que não o privava da simpatia e admiração de todos.
      Um dia, quando se aproximou da floresta, no afã de seu trabalho, uma voz chamou sua atenção. Vinha do interior da mata e a música o encantou. Uma voz aveludada e insinuante, com pronúncia cristalina. Abandonou o feixe de lenha e seguiu aquela voz, adentrando mais e mais na floresta. Andou por horas, sem encontrar a cantora. A noite desceu rapidamente e resolveu pernoitar. Protegido por um centenário carvalho adormeceu. Na manhã seguinte, após lavar-se no riacho, comer os frutos de uma figueira, ouviu novamente a música, a voz ainda mais insinuante, e a seguiu. E assim foi por vários dias. Finalmente, quando já estava completamente exausto e desorientado, viu surgir das brumas da imensa queda d’água, um ser etéreo, quase irreal. Uma figura altiva e majestosa. Uma linda moça vestida em finíssima renda bordada com fios dourados, coberta por um manto negro, cujo capuz, retirou com mãos delicadas, revelando o sorriso mais encantador que já vira. Antes que pudesse falar, a misteriosa feiticeira o alcançou e tomando-o pela mão, levou-o através da cachoeira. Deixando-se guiar, depois do frio contato da água e uma breve escuridão, seus olhos se inundaram de luz. Sentiu o calor do sol, o perfume dos campos de lavanda e a brisa refrescante. Mas o que lhe dava uma nova dimensão, era o delicado toque daquela mão e o poder com o qual aquela voz fazia seu coração vibrar.
      Era uma vez um príncipe, que deixara de ser camponês...
 
     

Luiz da Silva Rosa
Enviado por Luiz da Silva Rosa em 30/09/2007
Código do texto: T675042
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Luiz da Silva Rosa
Santa Isabel - São Paulo - Brasil, 61 anos
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Luiz da Silva Rosa