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O dobrão de prata

No fim da tarde, o carro de praça me deixou em frente ao mercado de antiguidades de Byapal. Ainda havia muitos turistas circulando por ali, em busca de alguma pechincha para decoração ou simplesmente uma lembrança de sua passagem pela região da Yechalia. Enrolei o cachecol de lã em torno do pescoço, pois a temperatura nas montanhas caía rapidamente com a chegada do anoitecer, e comecei a fazer minha pesquisa pelas barraquinhas e mostruários dos vendedores.

- Colares de marfim de Yechalia! - Anunciou um dos comerciantes ao me ver aproximar-se. - Braceletes de cobre da Dinastia Fahnúsia!

Abanei negativamente a cabeça e segui adiante; o que eu queria era bem mais específico. Avistei finalmente um homem alto e magro, vestindo um sobretudo marrom comprido sobre roupas escuras, um chapéu mole de feltro cinza na cabeça; ele estava por trás de uma banquinha sobre a qual eram exibidas várias moedas antigas, inclusive os grandes pesos com furos quadrados de Bliaz Spahl.

- Olá! Você tem moedas do reino da Blaochenia? - Indaguei.

- Estas são difíceis de encontrar por aqui - arguiu ele, calmamente. - A procura é grande, e você não me parece que vá esperar até que eu consiga alguma para você.

- Verdade. Parto de Byapal para Drary Smana pela manhã - repliquei.

- Mas se está em busca de moedas do Período Ajishan, talvez um dobrão de prata lhe interesse.

- Um dobrão de prata? - Questionei, erguendo um sobrolho. - Você não tem moedas da Blaochenia, mas está com um dobrão de prata?

O homem balançou a cabeça, afirmativamente.

- Não o deixo em exposição porque é algo para ser visto por poucos. Você me parece alguém... indicado.

O modo como ele pronunciou "indicado" me deu um arrepio na espinha.

- Deixe-me ver - solicitei.

Ele enfiou a mão num bolso do sobretudo, e dali extraiu uma moeda grande, gasta, que exibiu entre o polegar e o indicador.

- Se está interessado, pode ser sua por 500 quiachas; e de brinde, você ainda leva 50 coralis de bronze.

A moeda parecia autêntica, embora ele não demonstrasse disposição de deixar-me examiná-la mais de perto. Inclinei-me para ver os detalhes: na cara, a águia bicéfala de Koshesh, segurando uma pena e uma espada em suas garras, e na coroa o algarismo "1" rodeado por 12 estrelas de cinco pontas. A peça aparentava uso, como deveria estar após mais de um milênio da sua fabricação. Sendo autêntica, as 500 quiachas eram uma oportunidade única; resolvi arriscar.

- Está bem, quero o dobrão.

Apanhei na carteira um cartão do Banco de Vothusien, e nele escrevi com o indicador a quantia desejada; depois, registrei a transação pressionando meu polegar contra o lado oposto. Entreguei-o ao vendedor.

- Fez uma boa compra - replicou ele, estendendo-me finalmente o dobrão e um saquinho de couro que deveria conter os 50 coralis.

Examinei a moeda; sim, de fato parecia genuína. Coloquei-a no bolso junto com o saquinho, e agradeci ao homem. Em seguida, tomei meu rumo para a parte alta da cidade, onde ficava meu hotel. Um dobrão, do período do Arquimago, pensei; se eu contasse, ninguém iria acreditar.

Ah, mas eu estava com a peça no bolso para mostrar...

- [Continua]

- [06-01-2021]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 06/01/2021
Reeditado em 07/01/2021
Código do texto: T7153693
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 58 anos
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Alex Raymundo