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Diário de uma Assassina > As nossas Cinzas II...


                                                                 As Nossas Cinzas...
                                                           O Duque de Ibelin, parte II

  - Eu posso saber o que aconteceu ontem a noite?
 Relaxei na cama pegando uma xícara que tinha café e dando um gole longo, tentando organizar os pensamentos sobre aquela situação. Se ele me conhecia por aquele nome, devia saber exatamente quem eu era, o que eu fazia dessa vida. Pelo menos ele não tentaria me matar, felizmente não teria que matar ele.
 - Você bebeu demais e ia cair no meio da rua... - Ele riu da minha expressão, mas uma risada boba, gentil até - Não falava coisa com coisa e me apontava uma espada mesmo deitada no chão. Depois que você colocou toda a bebida pra fora, eu te trouxe para cá mesmo sabendo que podia me matar.
 
 Ele apontou para a espada que estava no canto do quarto, manchada de sangue ainda. Ficou observando ela por algum tempo, como se quisesse descobrir como havia conseguido fazer tantas bobagens numa noite só. Bem que a Nina tinha falado para ir com calma, ela já tinha previsto o que desastre que ia ser a combinação Nénar, vodka e espada. Mas isso ainda não explicava muita coisa, como por exemplo da onde ele em conhecia e por que havia sangue no lençol.

Eu peguei um pedaço de pão com geléia e comi devagar, avaliando a nova situação. Ele me olhava com certo interesse, como se pedisse que eu falasse tudo sobre mim naquele momento, me tornar um livro aberto. Foi uma sensação estranha. Apenas me limitei a comer o pão e dar mais um gole no café antes que ele esfriasse.
 - Como me conhece? Quer dizer, leu muito os jornais essa semana?
 - Não, foi a espada que te denunciou.

 O dragão da espada ele quis dizer. No cabo da minha espada tem um dragão preto desenhado, e com algumas pedrinha vermelhas e várias marcas em quenya que formam a frase: "Rainha dos Condenados", um antigo apelido que ganhei antes mesmo de ser uma assassina em potencial. Eu não andava sem ela, meu talismã da sorte.
 - E eu conheço mais gente do que imagina Nénar, fui alertada que você sempre vai naquele bar. A Mel me contou.

 Estelion!! Eu senti meu sangue pulsar mais raído nas minhas veias depois daquela. Como assim ela tinha contado para alguém sobre mim? Aff, sempre tem alguém que dá nos dentes nessa vida, sempre. Com uma calma forçada eu terminei o café e o pão, medindo quais seriam as minhas próximas palavras já que ele não tinha culpa da Estelion não guardas segredos. Ah, quando pegasse aquela mulher.
 - Certo, Melian..Melian Estelion.Pera um pouquinho! - Dã, eu olhei bem para ele e logo descobri de quem se tratava. Duque de Ibelin - Arafis, não é?
 - Ao seu dispor Senhorita Annarquen.

 Sim, Arafis De Ibelin. Conhecia aquele homem, que idiota eu sou. Ele era grande amigo da minha queridissíma irmã e várias vezes já tinha em ido nas festas que ele dava. Eu sorri sem graça tentando me recuperar dos meus proprios pensamentos contra a Estelion. Ah, que seja...Mas do mesmo jeito ela não tinha o direito de falar de mim com as pessoas, ela mais do que ninguém sabia que isso era problematico demais. E ele não devia me chamar de Annarquen. Problemas e mais problemas começariam a vir...

No fim das contas passei o dia sentada na cama do Duque, apenas conversando sobre o nada, rindo a toa, brincando coma palavras um do outro, falando do acaso. Parecia que o mundo só existia para nós e que tudo era nosso, sem preucupações, sem horários, sem serviços... Por que fiquei? Não sei bem explicar o que me deu naquele momento. Talvez fosse a dor de cabeça que sentia, talvez fosse o medo de encarar o dia lá fora, ou apenas o fato de a compania dele me fazia bem. Como o mundo é... Nunca tinhamos conversado direito e do nada ele aparece me salva e ainda passo o dia na casa dele.

Já era mais de dez horas da noite quando me dei conta que precisava ir, ess noite tinha reunião da Sexy e Deadly. Mas parecia que alguma coisa me prendia ali, me prendia ao quarto dele, algo me mandava ficar mais e aproveitar o momento. Sim, era totalmente insano da minha parte, jamais havia passado mais de duas horas com um homem sem fazer nada que não fosse mata lo ou me aproveitar dele. Talvez ele tenha percebido que eu estava preucupada com alguma coisa, já que não parava de olhar para a espada e para os lençois sujos.
 - Não vai gostar de saber o por que do lençol... mas precisa ir?

Eu sorri me espreguiçando na cama e puxando o lençol para o lado que estava sentada, fazendo cara de preguiçosa. Estava tentando enteder como ainda estava na cama dele e por que não conseguia sair e tudo isso tendo acabado de conhecer o cara. Acabei resolvendo não me fazer perguntas das quais não acharia as respostas e apenas me levantei da cama e senti pisar em algo melado e frio.
 - Mas o que...

Quando abaixou a cabeça viu uma poça grande de sangue no chão que se arrastava até a porta do quarto. Havia marcas no tapete e no chão e uma parte do quarto tinha pedaços de espelho quebrado. Não podia ser... Ao andar mais um pouco para frente, em direção a porta, viu que havia uma enorme janela quebrada, escondida por uma cortina manchada de mais sangue. Parecia que havia tido uma luta ali e quando mais tentava se lembrar do que tinha acontecido, menos lembrava.
 - O que aconteceu aqui?

 Eu andei até a porta e abriu, tentando achar alguma coisa, mas não havia nada. Uma espressão séria tomou conta do meu rosto, como se esperasse pela pior resposta do enigma. Quer dizer, eu não podia ter matado alguém ali, podia? Quando se virou para ele novamente, ele estava segurando a minha espada, com a uma expressão tão séria quanto a minha no momento. Ele andou até mim, com a espada ao lado do corpo, como se quissese acertar a mim, ou algo atrás de mim.
 - Cuidado com os seus brinquedos Nénar, nem todos entedem o que você é.
Nenar
Enviado por Nenar em 16/11/2007
Código do texto: T739114

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Sobre a autora
Nenar
São Paulo - São Paulo - Brasil
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