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Num Sei Meu Bem Querer.

         Este conto é uma adaptação de um conto de Sylvia Orthof, pois sou pesquisadora de suas obras na faculdade, assim, como admiradora.

                Num sei Meu Bem Querer

 Eu colecionei muitos bichos na minha infância, adorava bichos, era cachorrenta, gatenta, coelhenta e etc. Tinha um em especial, um gato de olhos grandes, um de cada cor, sendo o esquerdo preto e o direito azul, gordo, de cara inchada e de pele laranja. O que eu mais gostava era o nome dele e quando alguém perguntava seu nome eu respondia:
          _ Num sei!
          _ O nome dele?
          _ Num Sei!
          _ Num sabe o que? O gato não tem nome?
          _ Num Sei!
          _ Que menina boba, não sabe nem o nome do gato, dá um pra ele!
          O que eles não sabiam, era que eu falava o nome do meu gato o tempo todo. Mais é assim mesmo, adulto num sabe de nada e nem se interessa pra saber. Bobos!
           Num Sei meu bem querer era o nome do meu gato, ele ia sempre comigo a qualquer lugar, e nesse dia fomos para o parque, o parque da Rodoviária, era assim que o parque era chamado e ele nesse tempo ainda era apropriado para brincadeiras, pois naquele tempo, não existia drogas suficiente na minha cidade e qualquer criança o freqüentava. Era muito legal! Todos brincavam e apreciavam o ambiente, o cheiro era de malva, as brincadeiras eram sadias, as crianças usavam roupas de criança, vestidos e calças de homem. Bem diferente de hoje, ele ainda possuía árvores grandes, acho que eram Algaroba, que hoje são pequenas e sem formatos. Com a acumulo do mau cheiro no local, com baforadas exageradas de pessoas, tornou-se hoje um ambiente desproporcional para crianças.
             Num Sei e eu íamos sair pra treinar nossas habilidades artísticas no parque, pois lá tinha gaiola e outros bregueços de brincar. Eu tinha levado bola, corda e quite de primeiros socorros, caso eu caísse, pra não voltar toda quebrada, Num Sei levou seu bucho gordinho e sua alegria, fora seu rabo, suas patas e tudo mais... Aprontamos todas!
            Naquele tempo o local era agradável, divertido, era criança correndo pra todo lado, brincando de queimada e futebol. Começamos a demonstrar nossas habilidades artísticas pra galera.
            Nossa! Num Sei começou a miar e espantar a turma toda, eu falei pra ele se calar se não lascava tudo, ele era meio doidinho, sabe!
            Num Sei era tonto, mais gracioso, por ser bonito enganava qualquer um com seu jeito de ser. Tive muito bicho inteligente, mais Num Sei era meio burrinho, foi uma pancada que ele sofreu quando era recém nascido. Coitado!
            Depois de um tempo tínhamos executado todas as nossas habilidades e a galera delirou com as acrobacias de Num Sei. Eu estava tão orgulhosa que me achava o máximo. Foi brilhante, até gente grande veio ver, eles queriam até compra Num Sei, com diferença e tudo, eu, claro, num disse nada, só dava rabiçaca.
            Lembro-me exatamente a última acrobacia de Num Sei, porque foi inesquecível, eu estava olhando pra ele na hora, dei uma volta pela gaiola e quando de repente...Ave! Que coisa doida, Num sei deu um miado de lascar qualquer ouvido e saiu feito bala perdida num meio do povo. Num sei tinha enrolado o rabo em uma das partes da gaiola e como a gaiola era de ferro, uma casquinha solta arranhou o rabo dele, deixando o sangue espirrar. Sai correndo atrás dele que saiu derrubando crianças, adultos, velhos e até cachorro. Coitado de Num Sei quase morre de dor.
         Perto dali tinha um santuário, que alias ainda tem, e ele acabou entrando na igreja na hora do enterro do velho sabugosa. Ave! Mãe deu um escândalo, pois era ela a padre, ou melhor, encomendava corpos, mandava as almas para o céu, assim ela dizia. O velho se meche no tumulo ate hoje. O que foi de velha me incriminou e me puxou as orelhas. Tinha ódio daquelas velhas com cheiro de mijo.
         Num Sei derrubou o caixão do velho com flor e tudo mais, mais não foi Num Sei, ele não tinha aquela força toda, foi o tumultuo que derrubou o velho, as velhas correram com medo, eu pequei Num Sei e desabei com os berros e  gritos de Mãe que escandalizava o local.
        _ Vá pra casa se não eu acabo de arrancar o rabo desse gato.
        _ Num Sei!
        _ Ave!
        Estava perdida, Num Sei chorava e miava. Levei-o no veterinário e o veterinário me perguntou:
        _ Qual o nome dele e o que ele tem?
        _ Num sei!
        _ Num sabe o que? O nome?
        _ Num sei!
        - Ó menina mal criada qual o nome dele? Fale logo num posso perder tempo, ta me ouvindo?
        _ Eu chorava e dizia: O nom dele é Num sei!
        _ Você é muito engraçadinha, saia que num posso perder tempo.
        _ Sai com Num Sei desesperada, ele miando e eu chorando, até que:
         Num Sei vomitou o consultório todo e o veterinário deu um show de variedades.
        _ Sai daquiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
        E na hora que gritou escorregou no vomito e lascou o pé duvido no chão. Eu achei foi pouco e ainda disse:
        _ Você jurou cuidar de todos os animais e agora você se recusa a cuidar de Num Sei, pois bem feito, cara de meleca!
       _ Eu vou te processar!
       Voltei pra casa com Num Sei e fiquei sem mostrar minhas habilidades, o velho sem enterro e o veterinário sem bumbum.


cléo
Enviado por cléo em 16/11/2007
Código do texto: T739806
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Sobre a autora
cléo
Jardim do Seridó - Rio Grande do Norte - Brasil, 35 anos
143 textos (7952 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 11/12/17 06:24)
cléo