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Meu Amigo "Pássaro"

Anoitecia, e já estava se tornando uma rotina, o fato de eu deixar a leitura diária do jornal, e ir para fora, prestar atenção no roçar de asas que toda tarde se fazia  lá  no quintal. Da minha sacada com os olhinhos inquietos e um trejeito irrequieto, num ciscar de um lado para o outro,eu avistava  um pequeno pássaro que ficava a me observar, como que tivesse sofrido um torcicolo.Nas tardes em que se sucediam, eu recebia a visita daquele pequenino ser, e o agradava com grãos de arroz  cozido ou farelo de pão.E assim ele foi se achegando e se acostumando com minha presença, e aquele nosso encontro de final de tarde. Não falei e não fiz nada que pudesse assustar aquele meu pequeno amigo. O silêncio ficou assim como um pacto do nosso encontro no final de tarde,somente ele  é  que  ensaiava algum canto as vezes e nossa amizade, se renovava dia a dia, como sou admirador da natureza foi difícil para mim não ir brincar com ele também, pois talvez ele pudesse não me entender e iria embora assustado. Foi bom para nós dois aquele encontro nos finais de tarde.Pois acredito que preenchemos  um pouco do vazio deixado pela solidão em nossas almas.Hoje lembro com saudade do meu pequenino amigo que assim como apareceu de repente também foi embora, deixando em mim, uma mensagem de coragem,uma lição de que não devemos pedir para alguém voltar e sim, trata-lo bem quando estiver por perto, pois precisamos de muita coragem para subir ou voar até a sacada de um amigo, mas precisamos muito mais coragem para deixar de freqüentar sua morada. Enfim este amigo me deixou, mas também me ensinou, que a vida é um eterno mutante num  vai e vem sem parar, o tempo passa e aprendemos com a natureza que tudo muda.O homem quando nasce é suave e flexível,na sua morte é duro e rígido, plantas verdes são ternas e úmidas,na sua morte são murchas e secas, um arco rígido,não vence o combate, uma árvore que não se curva com o peso da neve se quebra, O duro e o rígido tombarão, o suave e o flexível sobreviverão. Este amigo me deixou diferente, desde o dia em que me visitou pela primeira vez, foi embora mas está presente no meu pensamento todos os dias.Principalmente ao entardecer, quando vou à sacada e tento compreender.... porque?
Josepe
Enviado por Josepe em 22/11/2007
Código do texto: T748132

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Sobre o autor
Josepe
São Paulo - São Paulo - Brasil, 70 anos
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Josepe