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MENSAGEM DO FUTURO

Olá. Sei que poucos acreditarão nas próximas linhas. Mas faço isto por uma dádiva a que me foi feita. E também pela esperança de que os humanos não sejam extintos. Falo dum futuro não muito distante. Duma guerra, talvez a última, pois restam poucos sobreviventes entre nossa espécie. Se no passado nossos cientistas foram céticos ao futuro sombrio que se aproximava, temo que esta mensagem seja ridicularizada, ou desconsiderada pelos homens, mas peço que por mais estranho que sejam os fatos, acreditem, é a cruel realidade. Só com a consciência humana será possível salvar nossa raça, seus filhos, seus netos... Vocês precisam passar adiante esta mensagem, e iniciar a paz real e concreta, a paz com a mãe terra, pois seus outros filhos já cochichavam a rebelião contra seus irmãos mais ferozes: os homens.

Os primeiros sinais vieram no início do século vinte um. A natureza explodia sua fúria em furacões, tempestades, enchentes... Muita gente começou a morrer. Para muitos religiosos era o prenuncio do apocalipse, para cientistas fenômenos climáticos. Ambos não estavam errados. A natureza, duma forma ou outra tem de se manifestar. De início o clima, agindo como anticorpos numa estrutura de vida doente. Os mais radicais nos comparariam ao câncer, e embora relute com tal comparação, não existem muitas diferenças. Mas enchentes e tornados ainda não eram suficientes para dizimar a doença que afligia a mãe terra, e mesmo ceifadas milhares de vida, o planeta continuava doente.

O pior ainda estava por vir. O vento levava o sussurro da conspiração. E aí, nós – humanos – começamos a viver o grande terror, o qual jamais se pensava ser possível. Sei que parece algo sensacionalista, uma mera ficção, mas pensem um pouco na natureza. Equilíbrio é a palavra mais exata quando nos referirmos a ela. Sempre foi assim, quanto maior o equilíbrio, mais puro o ar a invadir nossos pulmões. Reflitam aí no presente – pois estou no futuro – se há equilíbrio no mundo em que vivem. A sua cidade, o seu país, você... O que vocês estão fazendo pelo equilíbrio?  Provavelmente nada. Sei que houveram tentativas, mas esparsas, pois ao contrário não seria necessária, tal mensagem.

Enfim, escrevo quando já sou o ultimo da minha tropa. Mil homens dizimados por macacos amazônicos. Mas poderia ser outro animal. Para que vocês entendam melhor, pensem num formigueiro. Muitas são as ameaças a ele. No entanto há formigas que fazem valer sua força através do tamanho de seu bando, unidas para espantarem qualquer predador. Agora pense seu planeta. Cada raça com sua cadeia alimentar, com um ciclo natural de evolução das espécies. Porém neste planeta, nasceu um predador imbatível, e com tamanha sede de dominação. Sim, os humanos, os maiores predadores da terra, e os responsáveis pela extinção de tantas espécies.

Não sei por qual maneira, mas as espécies um dia se comunicaram entre si. Talvez mais uma artimanha da natureza, acostumada a livrar-se de inquilinos incômodos. E quando os homens menos esperavam, as presas passaram a atacar seu maior inimigo. Nenhum exército foi capaz de vencer as “tropas”, e nem mesmo uma grande aliança entre as nações garantiu a vitória da humanidade. Já era tarde demais. Os animais estavam em cada cidade, em cada aldeia... Talvez tivessem levado anos para confabular tão perfeito ataque. A reação dos homens veio com suas armas e soldados, em número insuficiente para combater tamanho exército que usava suas forças, e suas presas cortantes, matando um a um, sem poupar qualquer vida. A “raiva generalizada” não poupou um continente sequer, e hoje não resta mais nada aos humanos a não ser fugir... E continuar fugindo, pois estamos sendo caçados, aniquilados, exterminados...

Por favor, acreditem. Se vocês não agirem rápido, e mudarem a maneira de verem nosso planeta, seus descendentes serão exterminados. Hoje – no futuro – a terra não é mais dominada por nós, e temo que existam poucos humanos, apenas o suficiente para manter o equilíbrio.
Douglas Eralldo
Enviado por Douglas Eralldo em 12/11/2007
Código do texto: T734260

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Sobre o autor
Douglas Eralldo
Pântano Grande - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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Douglas Eralldo