Infarto do miocárdio

Enfarta o homem casado, geralmente cansado, em seus abatimentos cardíacos. É farta a mesa imposta pela mulher que sempre o aguarda. Ela portando um avental maçônico, sempre ao marido cozinhava. Ele gostava de comer cadáveres quase vivos. O bombeamento rarefazendo-se em sangue ainda quente era um prato cheio a forrar seu existencial vazio.

Pensava em divórcio, em dívida, porém não dizia nada, queria apenas a carne mal passada a não mal passá-lo por tanta fome de vida. Ela o ia consumindo à boca repleta. Esperava dez presuntos, desesperava em pratos limpos. Mais tabuleiros untava em vão e vinho. Circo e pão.

De repente, mão fria e náusea. Quando a sua esposa berra italianamente no fogão até ressoar pelas paredes do vizinho:

- Antes fosse de olho grande, mas morreu de ataque, Dio mio cárdio!

Fora mesmo assassinato a quem a coragem cometera suicídio.

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Paola Fonseca Benevides

Transpoéticas: http://e-chaleira.blogspot.com