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Medo do nada

Chegando mais um dia do trabalho, a casa toda escura, vizinhos silenciosos, tudo parecia tranquilo. As correntes que trancam meu portão sacudiam nas tentativas de tentar abri-las. Um som metálico rompe o tão mórbido sossego da rua, em duas parcelas, para abrir e para fechar.

Os rangidos da porta destrancada, que dar acesso ao meu deleitoso lar, amplificam-se e ecoavam nos demais cômodos, fazendo nascer um frio na espinha e dúvidas se, naquele escuro e tão calmo lugar, não havia de ter alguém me aguardando, espreitando-me por um momento de pura quietude para me finalizar de forma que preservasse o sossego e não levantassem suspeitas de que mais um deixara de viver ali. E ao tocar o interruptor e clarear todo o primeiro cômodo, minhas dúvidas diminuíam-se, porém, não dissipavam-se por completo.

Percorrendo aquela mesma sala, um tanto iludivelmente comprida por conta de meus passos calmos e curtos, vou observando os demais cômodos atentamente, tentando sessar esse medo, mas a cada janela que visualizava, um outro medo começara a ganhar força e preenche o espaço deixado pelo anterior, tão pouco o fazendo desaparecer, apenas o deixando em segundo plano. Então, dessas mesmas janelas, me surgem dúvidas se não haviam de ter olhos sedentos por violência esperando um vacilo meu.

Tento me recompor, convencer-me de que nada ei-de acontecer, entretanto, existem mais certezas de que há alguém aqui do que a de que estou sozinho. Então, tento romper o silêncio de forma que não vá incomodar aos vizinho, mas, também, vá me dar um pouco de falsa segurança. E noticiários com reais violências são as únicas coisas que estão em transmissão na televisão.

Cansado, calmo, e nitidamente com medo, vou tentar descansar. Jogo meu pequeno kit de trabalho próximo a cabeceira da cama, tiro meus calçados, as roupas e vou tomar um banho. Mais seguro de mim mesmo, transitar pelos cômodos parecia mais fácil, e logo me tranco no banheiro. Do basculante, sensações de que esperam um descuido meu para arrancarem-me a cabeça, tomam meus pensamentos.

Terminado o banho, sem saber distinguir se seria os meus tremores de medo ou de frio, decido dormir. Fome parece não existir com tanta incerteza. Todas as luzes, com as vozes embaçadas vindas da TV, são desligadas, e na cama, embrulhado, me encontro tentando dormir com a sensação de que alguém segurando um facão está nas minhas costas pronto para finalizar mais um dia de assombrações.
wRanniery
Enviado por wRanniery em 13/01/2018
Reeditado em 15/01/2018
Código do texto: T6225362
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
wRanniery
Teresina - Piauí - Brasil, 25 anos
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