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Maldita?

Depois de um parto difícil nasceu, olhei para ela, era linda como a lua cheia, tinha olhos tão negros que eu mal podia crer, era fruto de minha maior dor, mas seria minha maior alegria.
A noite estava escura, a lua minguante era um fio no céu, meu coração estava disparado como se pressentisse que naquela noite a morte me penetraria com violência... Não vi seu rosto, mas senti com a mais profunda dor meu corpo ser invadido por algo duro, com a boca tapada por uma mão bruta e o braço me impedindo os movimentos, eu me sentia ali um lixo, literalmente tive a honra maculada por um desconhecido, a minha virgindade saiu com muito sangue, eu não senti nem raiva, apenas dor...
O tempo passou, a barriga começou a crescer, e odiei aquele monstrinho que ali crescia, demorei notar: era uma vitima como eu, mas quando senti ela se mexer quando tomei o sorvete mais delicioso do mundo com a pessoa que mais amo eu entendi, que nada importava, pois a vida que ali surgia era uma grande benção!
Ele me amava de verdade, como ninguém nunca me amou, ele entendeu e disse que me ajudaria a criar a criança, pois mesmo que não fosse dele era uma benção, pois sempre soube que era incapaz de engravidar uma mulher.
Os olhos negros da pequena me fitavam, ela era linda, linda como eu nunca saberia ser, era branca como papel, com cabelinhos negros começando a surgir, era como uma rosa negra, que veio para mostrar que o mundo tinha formas sombrias, mas que, até nisto havia bondade.
Quando a amamentava sentia sempre muita dor, e meu sangue coloria sempre o branco do leite. Ela parecia me chupar com mais vigor quando isto acontecia, o medico não falou nada a respeito, mas fiquei preocupada. O tempo passou, a pequena cresceu, e eu sempre me assustando, pois da escola sempre reclamações, ela mordia as outras crianças, mas aprendia com uma facilidade incrível, a professora adiantou uma série, logo as outras professoras constatavam que minha pequena só podia ser algum tipo de gênio. Eu me orgulhava mesmo fingindo não ver que ela se tornava cada vez mais anti-social, sendo apenas uma menininha!
Eu me sentia culpada, pois passava pouco tempo com ela, trabalhava ate tarde, só a via pouco antes de dormir, e nos finais de semana tentava manter os olhos abertos quando me contava empolgada sobre as coisas que aprendeu. Meu marido, coitado, tinha menos tempo que eu, mas tinha sorte, pois a pequena Diana o amava quase com adoração, pulando em seu pescoço e sorrindo ela parecia tentar compensar nossa falta em poucos minutos.
Quando fez treze anos.... Ah, tinha um corpo de mulher, se desenvolveu tão rápido! O telefone não parava de tocar, garotos sempre a procurando e ela fugindo, parecia não se interessar, só lia milhares de livros, estranho admito, mas só lia, era estudiosa, era intelectual, ela nunca foi louca!Ah!...
Agora vendo o corpo de meu marido no chão, sem uma gota de sangue, dentro de um circulo macabro eu penso, será mesmo que ela saiu de dentro de mim? Os olhos dela estão fixos em mim, não sinto medo, acho que quero mesmo morrer, como meu amado, pois este monstro que saiu de minhas entranhas me envergonha!
...
Meu coração vai parar, oh! Não posso respirar! Ela ainda me suga, com caninos infernais, ela me ama, mas me odeia, ela nasceu de mim! Ela é filha do demônio! O demônio, ele está ali, do lado dela, oh! Estou delirando! Devo estar delirando! Está tudo ficando escuro....
***
-Ela era linda...A amei quando a vi....
-Papai... Você não vai me abandonar outra vez não, né?
A menina olhava para ele com seus olhos negros, sim, tinha a beleza maligna do pai e a meiguice da mãe, ele sentia orgulho daquela pequena, mais do que sua mãe poderia sentir, era seu sangue que dominava aquelas veias, era seu fogo ardente que queimava dentro daquele coração. Ela matou como se nascida para aquilo, matou e sugou a vida de quem a gerou dentro de si, ela era má, e aquilo gerava um gozo incomparável em sua alma.
-Não minha filha, estarei sempre perto de você...-sorriu- vamos esperar o anoitecer, sua mãe logo se levantará como uma de nós, vou arrancar a cabeça deste imbecil que ousou te chamar de filha.
Levaram o corpo da mãe dali, a noite estava terminando, Diana seguiu seu pai para uma casa nos limites da cidade, desceram até o porão, ele se deitou na cama de casal e apontou a beliche que seria dela, a mãe ficou embaixo e ela em cima. O cheiro de carne morta não a incomodava, logo adormeceu...
Quando o dia clareou se levantou, caminhou pela casa, era linda, decorada em vermelho e branco, nem parecia a casa de um...
A geladeira estava cheia, poderia comer de tudo, ficou ali espalhada no sofá pensando, a casa agora era toda sua, a mãe quando acordasse seria tão noturna quanto o pai, teria muito dinheiro para gastar com o que quisesse, compraria todo o material de tortura que vira em livros, e poderia sorver sadicamente cada gemido de suas vitimas. Ficou ali sorrindo, o relógio dizia ser hora de ir para a aula... Mas agora ela mandava em si.
Seus cabelos começavam a crescer, o pai dissera que os cabelos de uma Dhampyr tem um poder de sedução muito profundo, que vai muito alem do de uma mulher comum. Sentia que seu corpo se desenvolvia com muita rapidez, pois alem de ser adiantada no colegio e ter uma mente superior a das garotas que convivia, tinha nas veias a volupia de sua raça, e sentia o desejo por corpos tão intenso quanto o por sangue. E quando sua mãe se tornasse vampira poderiam seduzir juntas, e trazer para casa vitimas idiotas para que a familia, junta, se deleitasse, era chegara o tempo de consumar a felicidade e sentir aquela nova casa como um lar....
T Sophie
Enviado por T Sophie em 16/09/2007
Reeditado em 23/09/2009
Código do texto: T655083
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
T Sophie
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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T Sophie