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CEMITERIO DOS ESCRAVOS

HISTÓRIAS DE NOSSA LOUVEIRA


Lá pelas bandas da divisa de Louveira com Vinhedo existiam duas fazendas com os nomes de Fazenda Barreiro e Fazenda Moinho.
Entre essas duas propriedades diziam haver um coqueiral, local onde eram enterrados antigos escravos, desde os primórdios da escravidão nessas redondezas.
Na Fazenda Coqueiro existiam bem mais de cem escravos , mas todos eram imensamente infelizes, pois sua dona, dizem alguns que se chamava Emerenciana, era uma senhora muito ruim.
Volta e meia morria um escravo, devido aos maus tratos e judiação que ela cometia contra os pobres negros...
Por maldade mesmo, dona Emerenciana mandava enterrar o coitado no coqueiral ali perto, sem bênção de padre, sem recomendação do corpo, sem cruz, sem nada.
O pobre ser humano era enterrado como se fosse na verdade um bicho do mato.
Todos percebiam que tudo aquilo era mal feito, sem piedade daqueles pobres seres que trabalhavam de sol a sol para alimentar e enriquecer cada vez mais aquela família branca e sem coração.
Mas um dia ela teria o seu castigo.
Deus tarda mas não falta !
Vai um dia, a sinhá Emerenciana morre... A família arrumou o enterro, tudo muito bonito, cheio de pompa, com a vinda de ricos fazendeiros de toda a região.
À tardinha, os familiares e amigos colocaram o caixão num carro de bois (como era costume da época) para que o corpo da sinhá fosse levado ao cemitério da cidade mais próxima.
Lá no cemitério, o Padre deveria benzer o corpo da perversa fazendeira e ela seria enterrada no jazigo da família, como era de rica linhagem.
Saíram.
Mas quando o enorme cortejo estava passando na estrada em frente ao coqueiral onde estavam sepultados os escravos, os bois empacaram.
De nada adiantavam os gritos e varadas: os animais não saiam do lugar. Parecia que o caixão pesava mil arrobas.
O carreiro correu e trouxe mais uma parelha de bois. Mas quem diz de caminharem ? Dalí não arredaram um palmo !
Então, como não havia outro remédio, a família resolveu enterrar a fazendeira naquele cemitério mesmo.
Dizem que eram os espíritos dos escravos que não deixaram que ela fosse enterrada na cidade e, por vingança, a fizeram ficar em companhia deles.
Boa paga para o orgulho e a ruindade da velha, que foi sepultada como os cativos dela, sem bênção de Padre, sem cruz , sem nada.
E dizem que hoje, aquele local, é conhecido como : o cemitério dos escravos, aqui em Louveira, nossa cidade !

Dia 22 de Agosto - Dia do Escritor Louveirense

Ademir Tasso
Enviado por Ademir Tasso em 25/05/2009
Reeditado em 25/05/2009
Código do texto: T1614226

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Sobre o autor
Ademir Tasso
Louveira - São Paulo - Brasil, 71 anos
75 textos (22466 leituras)
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Ademir Tasso