UM ANJO QUE CAIU DO CÉU

A noite era fria e dentro do quarto Aura se preparava para dormir. Ela estava só, pois seus pais estavam numa viagem de trabalho e ela ficara apenas com o cachorro da família, o Coronel. Não sentia medo em estar só, já estava acostumada, isso acontecia frequentemente e ela sempre passava tais noites em sossego, tranquila, pois a presença de Coronel também a confortava.

O cachorro ficou na sala e Aura foi para o quarto. Tirou os sapatos e deitou-se. Enquanto tentava dormir ela ouvia os sons da noite, tudo muito comum, os grilos, latidos, miados de gatos em cima da telha. E num segundo começou a cair uma chuva fraca que soprava um vento gelado entrando pela janela e resfriando o quarto, fazia barulhos nas telhas da casa e nas latas de lixo. Ainda assim Aura conseguiu dormir tranquila.

Passou-se duas horas, por aí! E a chuva já havia sessado, no entanto, ainda fazia muito frio e Aura, mesmo em pleno sono se aconchegava ao cobertor e se encolhia. Mais uma hora se passou e o céu estava mais claro devido ao tempo chuvoso, ele pintava um pouco de rosado e algumas nuvens cinzentas. De repente, um barulho lá fora, como se algo despencasse contra o chão. Depois, o cachorro começou a latir lá da sala e não parava. Perturbada com o barulho, Aura se remexia na cama. Como quem vai se acordando, ela foi abrindo os olhos e viu... parado à sua frente, iluminado quando um relâmpago clareava o quarto, um anjo. Tinha asas esbeltas, mas seu rosto sangrava, seu corpo sangrava. Perplexa, Aura se agarrou à cama e começou a gritar! Já muito assustada com a aparição do anjo, ela puxou o cobertor e se escondeu em baixo, fechou os olhos e esperava acordar daquele pesadelo. Ficou lá, suspirando de medo, e depois de algum tempo, ela devagar foi baixando o cobertor para ver se ele ainda estava ali. Olhando para sua frente ela via apenas a cômoda e sossegou. Mas, sentiu uma respiração funda ao seu lado e ali estava o anjo, sentado na cama e olhava para ela. Aura deu um pulo para fora da cama e novamente gritou! Seus gritos abafavam o quarto e nem mais o cachorro latia!

Ela viu o anjo se levantar da cama e vir para próximo dela e ela gritava mais ainda! Correu de volta para cama e o anjo continuava à sua frente, sangrando, e num tom de voz um pouco rouco e desagregado, ele dizia:

-Me ajuda. Me ajuda.

E Aura tremia e tampava os ouvidos e outra vez ele pediu:

-Me ajuda! Me ajuda!

Ele sangrava tanto que seus cabelos estavam totalmente molhados do sangue que escorria de sua cabeça. E enquanto Aura fazia de tudo para não ouvir e nem ver aquilo, o anjo começou a gritar:

-Me ajude! Me ajude! Me ajude!

E ecos perambulavam pelo quarto, dando voltas e enlouqueciam Aura que novamente foi para baixo do cobertor e orava para aquilo tudo acabar e acordar de vez daquele pesadelo! De repente, tudo se calou. E ela se levantou com tudo da cama assim que abriu os olhos e o brilho do sol que cruzava a janela mostrava que o dia já havia nascido. Ela respirou aliviada, mas, um mal cheiro podia sentir no quarto e vinha dali mesmo. Aura se levantou e foi investigar de onde vinha aquele mal cheiro, quando reparou algo...algo debaixo da cama. Devagar ela foi para perto e com o pé puxou algo lá de baixo... veio então, rolando para os seus pés, o anjo ensanguentado, que estava morto debaixo de sua cama. Ela deu grito e correu para fora do quarto. Lá fora, pelo chão da casa, havia rastros de sangue que levavam até o quarto e Coronel correu para seus braços, muito assustado. Tudo havia acontecido realmente, aquele anjo caiu do céu e ferido veio pedir sua ajuda, mas por ela ter negado socorrê-lo... ele acabou morrendo.

Lyta Santos
Enviado por Lyta Santos em 21/04/2014
Código do texto: T4777669
Classificação de conteúdo: seguro