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TRECHOS DO DIÁRIO DE UM SENSITIVO

Sou uma pessoa sensitiva. Desta particularidade, até gosto. Acredito que as pessoas do futuro serão assim também. Não sei lidar com estas energias da sensitividade, pois elas deixam sequelas, rastros e tenho medo de tudo o que envolve a espiritualidade.


Conheço pessoas que fundaram igrejas, partidos, com boas intenções, defendendo os fracos, oprimidos, os miseráveis, mas aos poucos, foram se corrompendo, pelo dinheiro, pelo poder, na corrupção, na ostentação, porque não souberam soltar de seus corpos e almas os miasmas, os espectroplasmas daqueles seres a quem ajudaram, geralmente carregados de índole ruim, de sangue "sujo", atávico, hereditário, cargas de sofrimento, más condutas, más sortes. Não que não seja bonito e sublime ajudar, ser altruísta, se compadecer, não é isso.` Alguns desenvolvem uma imunidade, talvez pela fé, pela constituição de seus organismos, têm defesas, mas a maioria não as tem.


Dizem os entendedores, que quando a pessoa está acometida por demanda, os eventos ruins têm calendário a obedecer. Por exemplo, coisas ruins podem acontecer de semana em semana, de mês em mês.

Tenho certeza de que isto está acontecendo com minha vizinha. Ela é jovem, bonita, independente, agradável e tatuada. Não prestei atenção nas formas das tatuagens. Tudo começou há uma semana, quando fui abrir a porta e vi um rapaz tatuado, branco, careca, um metro e oitenta, corpo musculoso, sarado, com uma bermuda cinza transada com correntes, e camiseta de mangas curtas de um amarelo bem clarinho, com estampas pretas quase invisíveis, tênis preto, passar correndo por ela e desaparecer no ar. Já senti um mal-estar. Quis perguntar, com preocupação, se ela conhecia alguém assim, no entanto não o fiz, pensei como uma flecha que estas coisas não se devem ser comentadas com vizinhos.


Conheço a estória de dois idosos, um homem e uma mulher que viviam brigando e eram companheiros de trabalho há mais de cinquenta anos. Foram parar, perto da aposentadoria, no mesmo escritório pequeno, uma franquia de uma multinacional. Numa dessas discussões de feras cheias de ódio, ele a chamou de boca do inferno, relembrando um fato ocorrido na juventude, porque ela deu o recado de uma sensitiva para ele: o irmão dele ia "dar passagem" naquele dia.

Ela deu o recado sem maldade, porque pensou em passagem para se fazer uma viagem (não deixou de ter razão!). E, logo depois o irmão sofreu um acidente e morreu. Este fato os fez virarem inimigos, pois ele a responsabilizou de certa forma pelo desenlace do ente querido. Contudo, um dia, depois de idosos, ela passou muito mal no trabalho e ele a levou ao médico.


Voltando à vizinha, dias depois, ela reclamou que minha cadela pequena havia mordido o cachorrinho dela duas vezes. Muito estranho, porque não vi nada, ela estava na corrente e comigo.

Ontem, o cachorrinho dela, um buldogue francês pretinho, atacou um poodle na portaria do prédio e quase matou o bichinho.

Pouco antes, eu estava pensando em uma cena do filme "O Exorcista", a briga dos cachorros no deserto, após o mal ser liberto e "pegar alguém para cristo".


Enfim, não sei quais atitudes tomar nestes casos, apenas posso rezar e mentalizar coisas boas para ela e para o cachorrinho. Se disser que ela está sendo vítima de demandas é capaz de achar que pratico bruxaria e espalhar a notícia pelas cercanias.


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Muito obrigada pela leitura!
VICTORIAH
Enviado por VICTORIAH em 13/06/2018
Reeditado em 18/06/2018
Código do texto: T6363229
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
VICTORIAH
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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