Assassino de Interlagos

Interlagos

Um jovem casal se encontrava namorando na beira de um lago, era tarde da noite, quase ninguém passava por ali, o bairro de Interlagos era perigoso, vários assaltos aconteciam naquela região, para aquele casal, isso não importava muito, ambos se amassavam dentro do carro, o clima estava quente, cada beijo elevaria suas emoções, o prazer que sentiam era maior que tudo, aquele Ford Fusion, nunca teve tanta serventia como agora, o ambiente estava calmo, as estrelas iluminavam bem o lugar, ali era tão escuro e distante de tudo, por isso muitos jovens transavam naquele lugar. Uma aventura dessas, nada mais era do que perfeito.

Um barulho de carro se aproximando incomodava o casal, justo na melhor das horas aparecer alguém para interromper, isso alimentava a raiva deles, mas não teve jeito, tiveram que parar o romantismo, o barulho de carro logo quieta e um furgão preto encosta, não estava tão perto do casal, mas dava para vê-los, o furgão tinha encostado do outro lado do lago, os dois ficaram observando atentamente, eles pensaram que o furgão havia parado por ali para fazer o mesmo que eles, afinal ele chegou com as luzes desligadas, eles nunca estiveram tão errados em toda sua vida. Um homem desce de dentro do furgão olhando para todos os lados, ele nota a presença do casal, mas finge que nem viu, já o casal fica atento, querendo ver seu rosto, o homem estava com jaqueta preta e calça jeans escura, seu rosto coberto por uma máscara preta sem expressão, a única coisa que dava para se notar na máscara, era dois símbolos no formato de X no lugar dos olhos, suas mãos completamente encobertas por luvas negras, aquele homem era bastante estranho, suspeito nem se fala. O casal fica escondido dentro do carro, apenas observando cada gesto feito por aquele cara, sem dá muita atenção para as pessoas dentro do carro, o homem caminha até atrás do furgão e abre a porta, nesse momento ele fica fora do campo de visão do casal, logo ele reaparece com uma lona enorme em mãos, parecia estar muito pesado, ele fazia muita força para carregar, era esquisito demais aquilo tudo, a lona parecia estar enrolada em algo, não se sabia o certo, mas aparentava ter um corpo dentro da lona, pelo formato, o esforço que ele fazia para carregá-lo, seu rosto encoberto, a maneira de como chegou, tudo isso levava a crer que realmente haveria um corpo lá dentro, o casal nem tinha percebido pela distância, mas a lona estava amarrada por cordas, isso só elevaria sua suspeita.

Sem ligar muito para quem pudesse ver, o homem arrasta a lona que retirou do furgão até o lago, chegando em seu objetivo, ele joga a lona dentro do lago, depois volta ao furgão, caminhando lentamente e olhando para o carro que estava o casal, ao subir em seu furgão ele dá a partida e contorna o lago, apenas para observar quem estava dentro do carro, lentamente o furgão passa pelo Fusion, a essa altura os dois já estavam tremendo de medo, se foi mesmo um corpo que o homem jogou no lago, nada impedia que eles fossem os próximos, a sorte parecia estar do lado dos dois, o furgão passa por eles e continua reto indo embora do mesmo jeito que chegou, com as luzes apagadas e seguindo o mesmo rumo.

—Acelera e vamos embora – comenta a garota dentro do carro.

—Não, Camila. Temos que ver se tem alguém enrolado naquela coisa – responde o jovem.

—Ficou maluco Renato, e se ele voltar e pegar a gente?

Camila começava a se exaltar, e ela tava certa, é loucura escapar do que poderia ser a morte e depois querer encará-la novamente.

—E se tiver mesmo alguém e ainda estiver vivo? – Renato se silencia e olha nos olhos dela, segundos depois continua a falar. —Não podemos correr o risco de deixar alguém morrer.

—Se tiver alguém lá dentro, já deve está morto há muito tempo, não seja burro.

—Então liga para polícia enquanto eu vou lá verificar.

Renato desce do carro e caminha até o exato local que o homem estava, atento, ele observa dentro do lago para ver o que tinha sido jogado lá, nada é encontrado pelo rapaz, em seguida retorna para o carro e vai embora com sua namorada.

No dia seguinte a polícia vasculha o lago inteiro, não seria o primeiro corpo encontrado ali dentro, tempos atrás um homem morreu na virada de ano, tentou atravessar nadando e acabou falecendo, isso fez com que a polícia acreditasse no casal.

A polícia verificou e não parecia haver nada diferente lá dentro, nem mesmo a lona que disseram ter sido jogada foi encontrada, a polícia pensou que tinha sido outro trote que passaram neles, sendo assim encerraram as buscas.

Uma semana depois, um senhor fazia caminhada de manhã ao redor do lago, um odor podre e nauseante contemplava o ar, para aquele senhor um animal tinha morrido por ali, não poderia ser outra coisa, sua surpresa foi grande quando avistou uma lona preta boiando na beira do lago, será que era aquilo que estava fedendo? Mas era grande demais para ser qualquer animal. Assim pensou o senhor de meia idade, sem se importar muito, ele sai caminhando e vai embora. Durante a noite o mesmo senhor assistia ao jornal local, estavam transmitindo uma reportagem interessante, dois corpos tinham sidos encontrados enrolados numa lona dentro do lago do bairro Interlagos, o senhor nem acreditava que era isso que estava transmitindo aquele odor podre, isso o deixa em choque e ao mesmo tempo abismado, os corpos foram identificados sendo eles, uma jovem de 21 anos chamada Camila Alves, um jovem de 22 chamado Renato dos Santos.

O assassino dos jovens não foi encontrado, a polícia fez de tudo para conseguir pegá-lo, mas nem se quer sua identificação foram capaz de saber, patrulhas começaram fazer rondas de hora em hora naquele lugar, coisa que não deu muito certo, em um período de seis meses, mais oito corpos foram encontrados, todos do mesmo jeito, enrolados numa lona preta e amarrados dos pés a cabeça, havia um detalhe interessante em todas as mortes, todos foram mortos a pancadas por algum objeto pontiagudo, outro detalhe era mais importante ainda, todas as vezes foram encontrados dois corpos juntos, sempre eram casais, um homem e uma mulher, nunca encontraram somente um homem, ou somente uma mulher, eram sempre juntos os corpos encontrados.

Rafael Rodrigues, um morador do bairro de Interlagos dizia saber quem era o culpado, tempos atrás ele presenciou algo que poderia ser o início de tudo. Ele nunca tinha relatado nada antes por medo de morrer, mas agora uma das vítimas do assassino misterioso era sua irmã, então finalmente ele resolveu abrir a boca e dizer tudo que sabe.

Anos atrás um jovem casal passeava em volta do lago, prestigiando sua beleza e o clima saboroso que lhes eram presenteados, os dois sorriam de forma esplêndida, a alegria em seus rostos ficava estampada, seus olhos brilhavam como as estrelas iluminando à todos, o jovem se ajoelha diante sua namorada, de primeiro momento ela não entende o porque dele estar de joelhos no chão, mas ao ver seu amado retirando do bolso uma caixinha contendo alianças, seu coração quase pulou para fora de seu peito de tanta alegria, o clima já era perfeito com a paisagem linda que contemplavam, não havia hora melhor para lhe pedir em casamento. Com sorriso extremamente feliz, ele a pede em casamento, em resposta, ela pula em cima do mesmo e lhe distribui vários beijos. Deitados no chão ele coloca a aliança no dedo dela, e ali mesmo eles ficam se beijando. Tudo estava perfeito, mas algo tirou o sorriso de seus rostos, um homem mal intencionado se aproxima dos dois com uma arma em punho, logo ele da voz de assalto para o casal, ao ver a arma apontada na cara de sua namorada, ou melhor, sua futura esposa, o jovem se coloca na frente da arma e diz para o assaltante que pode levar as coisas deles, mas que não era para apontar aquilo de novo para ela, o assaltante toma posse de suas carteiras e a bolsa, mas ele queria mais, e queria algo muito importante para os dois, queria a aliança que ela acabou de ganhar de noivado, isso já não era discutível, e o jovem não deixou ele levar a aliança de modo algum, o assaltante com raiva ameaça matá-los, mesmo assim o jovem em frente o cara com a arma, em um momento de distração do assaltante acaba tentando reagir, os dois se atacam em socos e na adrenalina do combate, tiros são disparados sem direção alguma, porém o que eles não esperavam era que os tiros havia atingido a namorada do jovem, quatro tiros penetrou o pulmão dela, fazendo-a cair agonizando sobre o solo de gramas verdes, seu namorado clama seu nome ao vê-la caída sangrando, o assaltante aproveita o descuido e dispara três tiros, atinge o maxilar e o peito do jovem, o casal fica caído juntos à espera da morte, em instantes atrás estavam prestigiando a melhor fase de suas vidas, agora se encontravam à deriva da morte, vivendo um verdadeiro inferno. Ao ver o que acabara de fazer, o assaltante pega os corpos dos dois e arrasta até a margem do lago, depois joga-os dentro como se nada tivesse acontecido, em seguida ele sai correndo da cena do crime. Anos depois seu corpo é encontrado no mesmo lago onde ele matou o casal, o corpo do jovem nunca foi encontrado, já o corpo da mulher foi achado boiando nas margens do lago, a única coisa que ainda estava em bom estado era sua aliança de noivado.

Rafael, havia presenciado os últimos instantes de vida daquele casal, ele estava voltando para sua casa quando viu tudo de longe, em vez de ligar para a polícia, ele simplesmente correu para sua casa, depois fingiu não ter visto nada, ele sabia quem era o assaltante e sabia que o cara era muito perigoso, por isso ficou com medo de denunciar e depois morrer, ele tinha família para cuidar e não podia deixá-los sozinhos. Para Rafael, quem estava cometendo os crimes atuais era aquele mesmo jovem de anos atrás, afinal seu corpo nunca foi encontrado, a polícia descartou essa hipótese, mas por medidas de prevenção eles interditaram o lago, ninguém mais poderia passear por aquele lugar. Nem assim as mortes pararam, em dezembro de 2018, mais quatro corpos foram encontrados, e para surpresa de todos, dois dos corpos eram bastante conhecidos, Rafael Rodrigues e sua esposa Thalia Rodrigues. Na hora do acontecimento, sua filha Michele, de apenas 7 anos estava presente, sendo a única sobrevivente após ser vista pelo assassino, a coitada estava traumatizada, ver seus pais morrendo a deixará abalada para sempre.

A polícia conseguiu obter seu depoimento, mesmo triste e em estado de choque, ela conseguiu contar exatamente tudo que aconteceu.

Rafael, Thalia e sua pequena Michele, resolveram sair para caminhar, já tinha tempo que a pequena queria ir ver o lago, seus pais diziam que não podiam, mas ela não dava atenção para isso, eles desistiram de convencê-la e acabaram indo com ela, eram apenas 19h30 da noite e não deveria ter problemas em levá-la, assim pensou Thalia, mas Rafael não queria ir, foi no mesmo local que ele viu duas pessoas sendo mortas anos atrás, não seria bom voltar naquele lugar depois disso, não teve jeito e acabaram indo.

De longe eles já avistaram um homem sentado na beira do lago, seus pés afundavam na água enquanto ele olhava vagamente para o centro do lago, sua calça jeans preta se encharcava ao ser adentrada na água, sua blusa de frio totalmente preta lhe causava calor, mesmo assim não retirava em momento algum, seu cabelo curto e escuro se encaixava perfeitamente em seu rosto sério e pensativo. Mesmo ao ver a figura daquele homem, Rafael e sua família continuou caminhando em sua direção, Michele pulava tentando capturar uma borboleta que sobrevoava entre eles, ela sorria alegremente, fazendo seus pais sorrirem juntos, Thalia andava de mãos dadas com seu amor, lembrando quando eles eram mais jovens. Tempos atrás eles estacionaram o carro naquele mesmo lugar e transaram à noite toda, nove meses depois nasceu Michele, uma menina linda e simpática, aquele lugar trazia grandes lembranças para Thalia, para Rafael também, mas algumas lembranças ruins sobrepunha as boas, Thalia ao passar o olhar sobre toda a extensão do lago, percebe um furgão de cor escura encostado do outro lado do mesmo, ela nem da moral para aquilo e continua apreciando o resto do lugar, um som baixo de choro surge mais adiante, Thalia na hora pensa que é Michele, emitindo o som, ao olhar para a menina brincando poucos passos a frente, ela se dá conta de que não é ela, Rafael observa para o lago e vê o homem cabisbaixo com a mão sobre o rosto, o som de choro vinha daquele homem, o coitado devia estar sofrendo, talvez algum familiar tenha morrido, por isso ele estaria naquele lugar se lamentando, com esse pensamento, Rafael caminha até ele, antes de chegar no homem ele já pergunta se está tudo bem, o homem para de derramar lágrimas, mas não responde a pergunta que lhe foi feita, Thalia se aproxima de Rafael, os dois ficam próximos ao homem, em questão de segundo após ele perceber aproximação dos dois, o cara se levanta, em sua mão havia algum objeto que nenhum dos dois conseguiu identificar, o corpo do cara estava tampando, parecendo proposital, Thalia repete a mesma pergunta de antes, ele não responde mais uma vez, mas se vira para eles causando susto imediato, Thalia leva as mãos sobre a boca sentindo náusea ao ver o rosto dele, Rafael fica paralisado lembrando de anos atrás, sua mente viaja até o dia que o casal foi morto por um assaltante, aquilo não poderia ser verdade, pensava Rafael, olhando o rosto deformado do homem, seu maxilar continha uma cicatriz enorme, seu rosto parecia ter sido costurado por um açougueiro, sua boca parecia estar derretida do seu lado esquerdo, ela cicatrizou de modo errado lhe dando um presente direto do inferno, seus olhos escuros eram profundos de uma só tristeza, em sua mão foi revelado qual era o objeto que seus dedos prendiam firmemente, se tratava de uma picareta de tamanho médio, o homem abre um sorriso imenso de orelha a orelha, era sinistro e demoníaco a expressão imposta por ele, o homem coloca sua língua para fora e a passa ao redor de todo seu lábio, pequenas quantidades de sangue derramava do lado que encontra sua cicatriz, aquela cena deixou todos horrorizados. Rafael chama sua filha para irem embora, porém o homem avança em seu rumo e o acerta no pescoço, a picareta penetra inteiramente em seu corpo, seu sangue jorrava pelos lados acertando sua mulher, ao retira a picareta do pescoço dele, mas um golpe é dado em seu peito, na região do coração, Rafael cai no chão se debatendo com as mãos em seu pescoço, tentando fechar seu ferimento, sua mulher grita seu nome, enquanto derrama lágrimas, sua filha vem correndo em sua direção gritando para que não morra, as lágrimas das duas eram muitas perante tudo que estava acontecendo, o homem não se sacia somente em ver Rafael morrendo, sem piedade alguma ele ataca Thalia, a mesma nem consegue se defender, e minutos depois sucumbe a morte ao lado de seu marido, Michele não parava de chorar e gritar os nomes de seus pais que jaziam diante dela, a pequena não sabia o que fazer, desesperada ela parte para cima do homem e fica lhe dando tapas no abdômen, ele só fica a observando sem fazer nada, segundos depois ele começa a olhar para o centro do lago, sem se importar com a garotinha ele pega os corpos dos dois e os jogam dentro do lago, Michele fica gritando para ele parar, mas de nada vale seus apelos, devido à isso, chorando a pequena implora para ele dizer o porque daquilo, o homem já caminhado para seu furgão responde.

—Vai embora contemplar sua vida insignificante e espere a morte vim lhe buscar.

Essas foram as únicas palavras ditas por aquele homem. A menina fica paralisada de joelhos no chão, somente observando para o lago onde seus pais foram jogados após serem mortos, alguns minutos depois ela é encontrada no mesmo estado de antes, policias que faziam ronda por ali, a encontram e a levam para a delegacia.

Até o dia presente o assassino está à solta fazendo suas vítimas, todos os casais que o desafiam passeando pelo lago de Interlagos, sempre acabam enrolados em uma lona preta boiando pelas águas amaldiçoadas do lago.

Leandro Scar
Enviado por Leandro Scar em 07/03/2019
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