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UMA HISTÓRIA QUE NUNCA DEVERIA SER CONTADA







I – REGOZIJO DA MORTE

Era a missa de sétimo dia da pior inimiga dela, e como ótima pior inimiga que era, foi até a igreja, para que enquanto os demais choravam pela perda trágica da adolescente em um acidente de automóvel, ele rir sem vergonha na cara. Realizou esta vontade que parava por ali de tanta insanidade, já era loucura rir daquele pobre diabo que morrera a odiando, ela ainda estava viva, e podia odiá-la, praguejar para que o inferno fosse um bom lar. Depois da missa, foi para a casa e estava sozinha, seus pais estavam viajando há duas semanas, e chegariam apenas dali a quatro dias. A pé caminhou pela cidade, e em casa preparou o jantar, a porção única para ela mesma.

II – A TOTAL FELICIDADE NÃO REINA

Ligou a TV, e esta por diversas vezes seguidas desligou sem nenhum toque dela, ou de qualquer outro que ali estivesse, também pudera, estava sozinha. Deixou a TV que aumentava de volume, e trocava de canal quando bem entendia, percebia tudo isso enquanto estava cozinhando. A chama do fogão de súbito, tornou-se uma fogueira, colocando fogo em parte da cozinha, lhe queimando a face, sentia arder, colocou o rosto embaixo do fluxo da torneira abafando os gritos de dor, com baldes de água e uma coberta fez morrer o fogo. Viu seu reflexo, ficara deformada, precisava de tratamento médico. Passando pela TV, ela explodiu e cacos do vidro, lhe atingiram o corpo de leve, cortes. Foi tomar um banho. Assustada, muitas coisas estranhas estavam acontecendo, queria sair dali, foi tomar um banho, um bom banho talvez resolvesse.

III – A SOLIDÃO É BREVE

Ligou uma música alta no cd player, a música retorceu o som depois que estava sob o jato da ducha quente, o som ficou estranho, uma voz um pouco incompreensível parecia dizer seu nome, a chamava alto com o som da música original de fundo, temia no chuveiro sem nada ver além das paredes branca de azulejo, a voz ficava incompreensível a um qualquer, chorou, sem saber o que fazer, a música parou. Tomou um mínimo de coragem e saiu do banho, no espelho embaçado encontrou uma mensagem escrita no vapor: “Não sinta felicidade pelas pessoas mortas, onde estou, ainda te odeio, e estou bem perto de você”. Gritou e passou a mão no espelho, não era sua imagem, mas da amiga morta, repleta de ferimentos do acidente. Pasmou, a luz falhou e apagou em todo lar, em todo arredor da residência. Ouviu passos, muitos passos de pessoas correndo, vozes cochichando, mas estava escuro, via nada, alguma coisa puxou-lhe pelos cabelos e a arrastou até nem sabe ela onde, com força, com brutalidade, ela gritava mas não tentava resistir.

IV -  O  CASO NÃO É MAIS DE UM SÓ

Os vizinhos ouviram seus gritos, viam luzes piscar na casa, as janelas e portas baterem, quebrar os vidros. Nos lampejos de luz (que ela não via) viam as ditas pessoas caminhando, ou na janela, as impedindo de ajudá-la. Era feias, horríveis, de olhos negros, e úmidas. Muitos voltaram ao seu lar rezando. Um terremoto atingiu o lugar, durante quase um minuto, destruindo boa parte do bairro, a imprensa já estava a caminho, um padre já estava a caminho, este nada fez também por medo. A luz na casa voltou, e em sua visão não haviam criaturas, estava na cozinha, tudo continuava como quando como estava a cozer, aflita, dolorida, haviam somente restos do que fora sua casa, quase que em ruínas, mas ainda de pé. Uma mulher de joelhos e cabeça abaixada ao lado da geladeira, os vizinhos e próximos gritavam por ela, ela nada dizia, a imprensa registrava tudo, o padre jogava água benta que se transformava numa fumaça negra ao encostar numa barreira de energia maligna que agora protegia a casa. Se afastou da mulher, e ela se levantou a tendo em mira, andando torto, ela correu, e os de fora a conseguiram ver na janela, a mulher veio por trás e a puxou pelos cabelos levando de vota a cozinha, mas todo mundo viu e temeu.

V – NINGUÉM OUSA REPETIR O CAUSO, OU SE APROXIMAR DO LOCAL.

 A Mulher lhe arrancou dedo por dedo das mãos, com a mão. Ela falou em meio ao sangue alheio: “Eu sou sua inimiga, nosso ódio uma pela outra me transformou nisso” Ela viu o inferno numa ilusão aberta ao meio da cozinha. “Você irá para lá comigo, sofrer comigo maldita!” Ela desapareceu numa gargalhada sinistra. Podia ser tudo mentira e ela acordar, a casa para quem a via de fora e não podia fazer nada começou a queimar lentamente. As gavetas de talheres abriram e tudo voou nela sentiu cada garfo e faca enterrando em sua carne, mas não morreu, apenas sofreu. Foi explicitamente perceptível um demônio descendo do céu, horrendo de asas abertas e entrando na casa, mais filmagens, mais fotografias. O demônio a levou consigo. O fogo parou, tudo se acalmou. É impossível destruí-la, muitos já tentaram, mas algo terrível sempre acontece. Quem tenta entrar vê a moça gritando por socorro e o demônio a prendendo, mas sentem tanta dor, que mais de um segundo é impossível, estes são os relatos. Ninguém se aproxima. Uma foto mal feita, borrada foi encontrada a milhares pelas redondezas, que parece ser o demônio prendendo a garota, foram todas destruídas, ninguém fala nisso, quem viu ainda é perturbado pelo fato, fato real de uma coisa que parece apenas ficção. Relatos de uma terrível história que nunca deveria ser contada, que nunca deveria ter acontecido.
Douglas Tedesco
Enviado por Douglas Tedesco em 20/09/2007
Código do texto: T661221
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Sobre o autor
Douglas Tedesco
Tijucas - Santa Catarina - Brasil
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Douglas Tedesco