CARNE NEGRA (microconto)


Carne negra viva, mente mórbida, teor sórdido com aparência inocente, facilmente à alegria da cidadezinha enredou, maculou antes do tempo florir e ríspidamente seu ventre ceifou. Gargalhou, pouco se importou pelo mal que cometeu, o pai da alegria o confrontou e ele juntou suas tripas às da filha. Fazendo sua negritude correr e se embrenhar pela mata, lançou o facão no primeiro riacho que encontrou. Saindo do matagal, chegou à estrada, pegou uma carona com uma caminhoneira, semanas depois dirigia sozinho o veículo por uma estradinha tosca há muitos quilômetros dos crimes da alegria...lá atrás...uma caminhoneira era encontrada pelos filhos mais velhos, com o ventre sangrado, largada às formigas na beira da estrada, seu ganha pão.
 
Cristina Gaspar
Enviado por Cristina Gaspar em 31/05/2019
Reeditado em 31/05/2019
Código do texto: T6661823
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