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O CASTELO DE ESTÁTUAS - parte 3

O lugar era iluminado por tochas penduradas na parede e as chamas dançavam fracas naquele ambiente. Desceram 30 longos degraus até chegarem num outro espaço, uma espécie de galeria subterrânea também iluminada por tochas incandescentes por todos os lados, mas ao invés de estátuas, haviam salas fechadas, cada uma com uma inscrição. Daniel pegou a câmera e começou a filmar tudo o que via.

Garcia ligou o gravador e deixou ligado em sua mão para registrar qualquer som ou informação importante para a matéria.

- Mano, olha só esse lugar. Que bagulho sinistro. – dizia Garcia.

- Mas e aí? Tem coragem de entrar nessas portas? Não tem nada aqui.

- Cara, a gente tá do lado de dentro de um castelo mal assombrado. Tá na chuva é pra se molhar. É o que diz a música, não?

- Que Música?

- Ah! Cala a boca e vem. Traz a câmera.

Garcia e Daniel perceberam que cada porta tinha o nome de um dos sete pecados capitais. IRA, INVEJA, AVAREZA, LUXÚRIA, GULA , PREGUIÇA e SOBERBA.

- Que desgrama é essa? – falou Daniel impressionado enquanto filmava.

- Cara, eu só suspeitava da sala secreta, mas não dessas salas. Aqui não tem estátua. Vai ver tem algum monstro ou sala de tortura.

- Não viaja, meu. Primeiro a gente sabe que não tem ninguém aqui. Segundo, eu preciso da matéria. Terceiro, se alguém se aproximar...

Daniel tirou do bolso da sua jaqueta uma arma pequena.

- Tá maluco, irmão? Aponta essa merda pra lá. – Garcia retrucava.

- Relaxa, parceiro. É só precaução mesmo. E então? Vai escolher qual porta?

- Qual pecado você mais comete? Luxúria não é porque você com mulher nunca se deu muito bem. Não sei com homens... – Garcia brincava.

- Eu vou escolher a IRA, só porque você tá falando besteira. E se continuar, te dou um soco no meio da cara que você vai ficar no chão. Aí vai ser uma nova estátua, só que caída.

- Calma, esquentado. To brincando.

Eles abriram a porta IRA. A sala que estava escura se acendeu sozinha e o salão principal se apagou.

- Mano, que isso? Apagou geral! – assustou-se Daniel.

- Espera aí. Calma. Dessa vez eu vou ficar na porta segurando ela. Se alguma coisa estranha acontecer eu te aviso e a gente sai dessa sala.

Dentro da sala havia coisas que pareciam estátuas, só que todas cobertas com um pano branco já sujo e gasto pelo tempo. A sala parecia aquecida, pois sentiram um pequeno calor naquele lugar.

Daniel levantou puxou um pano de uma estátua. Deu um passo pra trás com o que viu. Era a estátua de um homem que sangrava pela cabeça e tinha seus olhos arrancados. Estava com a boca aberta e dentes afiados. Uma língua como que de punhal saía pela boca de gesso.
 
- Que é isso? – Daniel filmava atônito.

Decidiu descobrir todas as estátuas. Eram mulheres, homens, crianças, idosos e até animais. Todos com uma expressão de ira e violenta cólera. Todas com as bocas escancaradamente abertas, dentes afiados como bestas, línguas como flechas, olhos arrancados, sangue por toda a cabeça, nariz e orelhas. Algumas continham coisas em suas mãos. Armas, pedras, facas e até papéis. Todas moldadas e com a coloração tão perfeita que parecia uma cena de guerra.

- Cara, sai da porta. Vem ver isso. – Daniel chamou seu amigo.

Garcia foi colocando as mãos na cabeça maravilhado com o realismo estético e diferenciado das esculturas que expressavam ira em cada fragmento de escultura. Ele falava colocando o gravador perto da boca, para que até suas interjeições fossem registradas.

- Olha, Daniel. Naquela parede. – Garcia disse apontando para um quadro que estava pendurado.

Eles se aproximaram do quadro para enxergar o que havia nele. Era uma fotografia de um pedestal com uma escultura que mais parecia um monólito ou pedra de sacrifício erigida. Tinha um formato um tanto oval, sem coloração nenhuma. Parecia ter sido feita de cimento puro e não tinha expressão facial. Apenas uma pedra grande e estranha. Abaixo estava escrito:

“FILHO”


- Velho, que negócio esquisito. – Daniel dizia enquanto abaixou a câmera por alguns instantes.

Saíram daquela sala e a luz do salão subterrâneo principal iluminou outra vez:

- Peraí. Isso tá sinistro.

- Isso é o que me excita. Algo sinistro. – Garcia colocava o gravador mais perto da boca e vibrava a cada sílaba – S-I-N-I-S-T-R-O! Vamos de LUXÚRIA agora.

Foram até a sala LUXÚRIA. Abriram a porta que rangeu e a luz do salão principal se apagou novamente e a sala em que adentraram acendeu suas tochas.

A sala também continha esculturas cobertas por panos, porém de cor escarlate e púrpura. Ao removerem, imagens grotescas de corpos humanos com cabeças de genitálias enormes. No chão foram esculpidas pequenas traças que devoravam notas de dinheiro e moedas. Algumas esculturas representavam todo o tipo de sexualização possível. Homens e mulheres, mulheres com mulheres, homens com homens, crianças, animais e até solitários. Um verdadeiro bacanal esculpido em pedra fulgurava um espetacular horror de culto sexual de estatuas.

Naquela sala, havia um quadro que continha a mesma fotografia, com o mesmo nome:

“FILHO”


- Isso é pavoroso. O que esse casal tinha na cabeça? Se eles fizessem uma exposição disso, com certeza além de receberem uma multa, teriam essas estátuas destruídas e a exposição fechada. – falou Daniel.

- Percebeu que aqui também têm aquela foto?

- Percebi. Só que essas estátuas já estão me dando desconforto.

- Ah mano. Não amarela – Garcia disse a Daniel – são só estátuas. Tá tudo parado.

- Espera. Tem algo esquisito aqui. – Daniel levantava o nariz.

- O que foi? O que foi?

- Garcia. Não tá sentindo esse cheiro? Tá cheirando a motel, cueca e calcinha...

- Meu nariz tá um pouco entupido. Só sinto o cheiro de lugar abandonado. Vamos à próxima!



       Continua...
Leandro Severo II
Enviado por Leandro Severo II em 07/08/2019
Reeditado em 22/08/2019
Código do texto: T6714837
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Leandro Severo II
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
63 textos (2376 leituras)
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Leandro Severo II