Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O CASTELO DE ESTÁTUAS - parte 4

          Saindo daquele conpartimento e indo para o próximo foram até a sala SOBERBA, mas não conseguiram ficar por muito tempo ali. As luzes não acenderam e o local estava infestado de pó. Montes de pó por todo o lado. Onde deslizasse os dedos ficava a marca devido o excesso de poeira.

          Ao ligarem a lanterna só encontraram dois objetos; uma escultura de corpo de homem, como um fisiculturista. Entre músculos e curvas, a estátua era imponente, porém sem rosto.

          O outro era o mesmo quadro com a foto que havia nas demais salas.

          Vasculharam cada compartimento. Na sala da GULA, estátuas de homens e mulheres sem boca enfiando pedaços de comida nos olhos até sangrarem, com pedestais sustentando alimentos de barro diversos.
          Na sala AVAREZA o lugar resplandeceu quando a luz acendeu. Todas as obras eram esculpidas em ouro, porém eram traças gigantes que devoravam pessoas enquanto pessoas devoravam umas as outras:

          - Que cara doente. O que passava na cabeça dele pra esculpir isso? Parece um filme de terror de canibal e monstros. - Garcia dizia enquanto se aproximava das obras.

          Ele tentou arrancar uma, mas elas não saíam, pois estavam grudadas ao chão.

          Desistindo de remover uma estátua, ouviu um murmúrio:

          "Hmmmmm!"

          - Que isso? Você ouviu, Dan?

          - Ouvi o que? - Daniel abaixou a câmera.

          - A… a… a estátua. Eu ouvi! Acho que veio de uma delas… uma delas disse "hmmmm".

          - Ha ha ha ha ha. Você ta ficando louco agora, mermão? Eu não ouvi nada e minha audição e bem melhor que a sua. Vamos sair daqui.

          Garcia fechou a porta olhando para aquelas esculturas horríveis falando sozinho de que realmente ouvira um murmúrio vindo das estátuas de ouro.

          Na sala PREGUIÇA as esculturas eram de pessoas com os rostos derretendo, com bolas de ferro atadas aos pulsos e pernas, porém todas sentadas ou deitadas em algum lugar confortável. O realismo das imagens de pedra era surpreendente.

          - Algumas estátuas poderiam ser apresentadas numa exposição que não faria mal nenhum. - disse Daniel.

          - Cara, cada uma é mais louca do que a outra. Tá certo que podem servir de expressão de subjetividade do artista, mas cá pra nós: eu não ficaria nem 2 minutos numa exposição com estátuas que o rosto tá derretendo. Isso é nojento e muito feio. - Garcia comentou.

          Por fim foram até a sala INVEJA. No acender das luzes haviam esculturas de pedra com o rostos de feições tristes. Todas eram muito bem modeladas e esculpidas. Eram imagens de reis e rainhas belamente trajados, mas todas seguravam um espelho em suas mãos que miravam para elas mesmas, todavia os olhos das estátuas olhavam apenas para a estátua da frente e não para o espelho. No chão, uma espécie de carpete velho com diferentes cores de verde abaixo de cada uma.

          - Ok. Pra mim já deu. Até que foi legalzinho ver isso. Agora vamos embora dessas salas e procurar outra coisa pra filmar. Isso aqui vai dar o que falar, fera. - gargalhava Garcia.

          Daniel segurava a câmera e mirou numa estátua. Se assustou sobremaneira quando percebeu que os olhos de uma estavam virados para ele. Abaixou a câmera e a escultura já não mirava mais nele, e sim noutra estátua.

          - Mano, uma estátua olhou pra mim!

          - Tá ficando maluco, é? Como assim ela olhou pra você?

          Daniel levantou a câmera de novo para continuar filmando, após desistir de convencer o amigo do que aconteceu. Porém dessa vez ao mirar numa estátua duas estavam olhando para ele fixamente. Abaixando a câmera, elas paravam de olhar em sua direção:

          - Garcia, agora é sério, parceiro. Dessa vez duas estátuas olharam pra mim.

          - Velho, como assim? Eu to olhando pra tudo e não vejo diferença em nada.

          - Olha… sempre que eu pego a câmera e foco nas esculturas, uma ou duas delas aparecem olhando pra mim.

          - Dá essa câmera aqui, Daniel. Segura a lanterna e o gravador. Vou te mostrar que não tem nada de errado aqui a não ser na sua cabeça confusa.

          Garcia ajeitou a câmera aos olhos, apontou para as estátuas e ficou filmando elas por cerca de 40 segundos. Deu a volta nelas e nada de diferente viu no olhar das estátuas:

          - Viu só? Você cheirou muito pó da sala SOBERBA. Deve ser isso… MINHA NOSSA SENHORA!!!

          O susto repentino de Garcia foi que ao se virar novamente para as estátuas, todas estavam fitando os olhos nos dois. As luzes da sala começaram a piscar.



         Continua…
Leandro Severo II
Enviado por Leandro Severo II em 17/08/2019
Código do texto: T6722337
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Leandro Severo II
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
75 textos (3656 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 15/09/19 23:47)
Leandro Severo II