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O DIABO E O VIOLEIRO


O Violeiro sentiu o cheiro da terra que inalava. Molhada, grudada no asfalto morno. Ele não pôde ver o caminhão que o atropelou e arremessou seu corpo numa árvore... depois desviou do que sobrara de seu corpo seguindo então, o seu caminho. Era uma árvore enorme, velha, cheias de galhos fortes.

O Violeiro não podia disputar a importância da sua vida com a vida daquela árvore. Ela já tinha vivido por muitas eras e já tinha visto muitas e muitas coisas… Do início até o fim de suas importâncias. Tudo perde a importância… Tudo.

O Violeiro procurou com os olhos a sua viola, mas o que viu do outro lado da pista, foi o seu braço esquerdo ainda dando seus últimos espasmos. E o toco que sobrou, estava perdendo sangue e sendo tomado por insetos e formigas. Foi então, que o Diabo se aproximou, assobiando e muito contente. Como sempre, todo vermelho, com seus chifres de bode e um enorme bigode preto... Já há muito... fora de moda. Fumando uma mistura de tudo que faz mal aos homens.

- “Ou o seu braço ou a sua viola.. Escolha.” – Disse o demônio. E o homem disse:
- A VIOLA! - Pensando bem rapidamente.

O Diabo pegou o toco do braço - que jorrava sangue numa dor excruciante - e já haviam vermes, baratas e até mesmo um gato do mato à espreita. Mas aquela viola... Era daquelas violas que a gente pega amor... e se acostuma... E NUNCA empresta... E que Também não quer tocar com mais nenhuma. Pois não há no mundo… Um som igual ao dela.

“Realmente... É uma boa viola...” - Disse o Diabo, sorrindo... enquanto ia embora. Levando consigo: numa mão, o seu inseparável cachimbo. E na outra o braço do violeiro.

15 de junho de 2017
Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 04/10/2019
Código do texto: T6761373
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Henrique Britto
Salvador - Bahia - Brasil, 35 anos
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3 e-livros (19 leituras)
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Henrique Britto