O Pesadelo

Miguel Muniz acorda em seu quarto, estava escuro, mas ele conseguia enxergar. Muitas moscas voavam sobre ele e, incomodado, tentava afastá-las, balançando as mãos, ele se descuida e cai da cama, ao cair, parecia que estava caindo de um prédio do último andar. Miguel se vê preso numa teia de aranha gigante...

Dois médicos estavam cuidando de um paciente que estava deitado com os olhos fechados, os médicos conversavam sobre o paciente, enquanto, este, permanecia deitado sobre o leito de uma sala de cirurgia...

- Qual é o nome dele? – Pergunta o médico Guilherme para o médico Lucas.

- Ele se chama Miguel Muniz, e está sobre o efeito de drogas... – Responde o médico Lucas.

- Que tipo de droga?

- Ainda não se sabe, não é uma droga que conhecemos, parece ser uma droga nova.

Guilherme Araújo é um médico de pele clara e olhos azuis, e Lucas Nascimento é um médico de pele escura de olhos castanhos, os dois já eram amigos de longa data, e desde a escola, já gostavam de falar sobre medicina e liam muitas histórias de ficção cientifica, eles escreviam artigos sobre essas histórias, e compartilhavam suas ideias com seus professores da faculdade de medicina.

Miguel olha em volta, ainda estava naquele cômodo da casa, em seu quarto, conseguia ver a janela, estava já ficando escuro, a luz da lua iluminava aquele quarto escuro. Uma aranha gigante aparece e chega até Miguel, fazendo um casulo de teia, cobrindo o corpo de Miguel, deixando apenas a sua cabeça descoberta. Uma mosca aparentemente grande aparece caindo na teia da aranha, esta que vai até a mosca que se debatia contra a teia, quando a aranha chega até a mosca, ela crava suas presas dentro da mosca, sugando suas proteínas. Miguel olhava aterrorizado, já sabendo o que estava por vir, e depois que a aranha termina de se alimentar da mosca, ela vai até Miguel, o garoto já sabia o que o esperava e sofria de horror e medo descomunais, a aranha chegava, mais perto e mais perto, ele suava, sentia calafrios, arrepios, a aranha estava sedenta para cravar as presas na carne da vítima suculenta, a aranha chegou, estava prestes para atacar...

Os médicos deram um choque em Miguel com o desfibrilador, seu coração acelerava, ainda estava vivo, respirando, mas estava suando frio, seus batimentos cardíacos estavam altos.

- Ele é estudante, acabou de concluir a faculdade de jornalismo aos 24 anos. – Disse Lucas.

- O que mais a mãe dele disse? – Pergunta Guilherme.

- Ela disse que seu marido, o pai do garoto, morreu não faz muito tempo, então para curar a dor da perda do pai, o garoto optou pelo mundo das drogas, ele foi procurar alguém que pudesse vender pra ele, e encontrou um cara misterioso que disse ter a droga mais poderosa de todas, uma droga que seria capaz de curar a dor do garoto, que faria o garoto se livrar da dor que a vida o causava, que o faria se livrar da dor da vida, da dor de viver, de viver sem um pai... – Dizia Lucas.

A aranha morreu eletrocutada, Miguel também sentiu o choque, pois um raio saiu de dentro dele atingindo a aranha que morrera pelo choque. Ele olha em volta, havia ovos de aranha, vários ovos, eram os filhotes daquela aranha, e elas saem dos ovos, vivas... Borboletas e abelhas apareciam vindos da janela e caiam na teia de aranha gigante, várias moscas caíram na teia de aranha, estas que já estavam naquele quarto. Os filhotes da aranha foram se alimentar daquelas borboletas, abelhas e moscas. Ao saborear aquele alimento de cada dia, elas crescem, a cada borboleta, abelha e mosca que elas ingerem, vão ficando gigantes igual a aranha mãe. Elas ficam gigantes, mas não estão saciadas, elas vão até o ser humano que estava na teia da aranha...

Os dois médicos estavam aflitos, pois queriam salvar o garoto que estava em coma profundo.

- Eu penso que não há justificativa para entrar no mundo das drogas. – Disse Guilherme.

- Eu concordo... – Dizia Lucas. – E assino em baixo, o fato é que, as pessoas procuram por algo que amenize suas dores, e há pessoas, como este garoto, que optam em entrar no mundo das drogas como fuga, para fugir de sua realidade.

Muitas aranhas cravam suas presas sobre a vítima que sente uma dor infernal, aranhas cravando suas presas em sua carne, sugando seu sangue, sugando suas proteínas, sugando sua vida... As aranhas estão todas amontoadas, e as que não estão se deleitando com a refeição diária, estão tentando entrar com todas as forças para tirar uma casquinha da vítima, da presa. Raios atacam as aranhas, raios que saem de dentro de Miguel, mas em vão, pois enquanto uma aranha cai, outra ocupa o espaço que aquela aranha que caiu deixou, e as aranhas vão sugando, sem dó e nem piedade, seu sangue, sua vida...

Os médicos não conseguiam compreender o que estava acontecendo, eles davam um choque com o desfibrilador e Miguel Muniz não reagia, e Guilherme e Lucas aumentavam o choque, os batimentos cardíacos de Miguel oscilavam, ora o coração batia e ora deixava de bater...

- Não podemos perde-lo, Lucas!

- Eu sei, Guilherme, ele tem que sobreviver, sua mãe ficaria arrasada.

Miguel Muniz grita de dor, terrivelmente, seus olhos sangram, derramando lágrimas de sangue, lágrimas de dor, seu coração queima ardendo dentro do peito, uma aranha crava suas presas em seu coração, sugando todo seu sangue, e enfim ele para de gritar...

Os batimentos de Miguel param de uma vez. Os médicos o perderam, choraram, tentaram, mas fracassaram...

- E agora, Guilherme, o que vamos dizer para a mãe dele?

- Temos que dizer a verdade, que fizemos o possível para salvá-lo, mas agora, ele está em um lugar melhor... – Disse Guilherme. – Com toda certeza, essa droga o matou, e agora, se essa droga for comercializada, sabe o que vai acontecer?

- Sei... – Disse Lucas. – Muitas pessoas irão morrer...

Lucas José
Enviado por Lucas José em 26/11/2019
Código do texto: T6804614
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