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PROPHANUS DIABÓLICUS - (ESPECIAL HALLOWEEN 17) - MINICONTO

EDIFÍCIO JOELMA, SÃO PAULO. 1° DE FEVEREIRO DE 1974.

Aquilo não era latim. Era uma coisa que ele sabia. A única coisa que ele não sabia era de onde tinha vindo aquele livro e muito menos o que era aquele livro.
Era uma edição de capa dura. A capa aparentemente era feita de couro, o titulo era Prophanus Diabólicus, e ele sabia que aquilo estava errado. Não era latim, nem aqui e nem no inferno.
O livro estava em uma prateleira no almoxarifado, e ele ficou surpreso ao encontrá-lo. Usava o almoxarifado todos os dias, conhecia tudo o que havia ali e nunca tinha encontrado aquele livro. Mas na manhã do dia primeiro o livro estava ali, e era a coisa mais estranha que ele já tinha visto em toda a sua vida.
Ele o levou para a sua mesa que ficava no corredor e começou a examinar as páginas.
Não havia nada escrito. Eram apenas gravuras. Desenhos estranhos que pareciam retratar tragédias. Ele passou um longo tempo examinando aquelas figuras.
De fato os desenhos retratavam tragédias, as primeiras páginas estavam abarrotadas de desenhos que mostravam destruições dos mais diversos tipos, ele reconheceu algumas daquelas tragédias. Havia uma gravura que mostrava uma guerra, e com toda a certeza se tratava da primeira guerra mundial.
Havia figuras que pareciam descrever desastres naturais, explosões, assassinatos em massa, grandes incêndios, desastres aéreos, naufrágios.
Ele reconheceu uma das gravuras como sendo uma representa do Titanic.
Benedito Ferreira França, faxineiro do edifício Joelma, achava que estava diante da coisa mais bizarra que já tinha visto em toda a sua vida.
Ele olhou o último desenho do livro e arregalou os olhos.
O desenho mostrava um prédio bem grande pegando fogo, e por Deus, ele conhecia aquele prédio! Era o prédio onde ele estava, o Joelma, ele podia jurar que era!
Mas como era possível?!
Benedito estava tremendo ele se afastou daquele livro estranho e bizarro e caminhou até o banheiro que ficava do outro lado do corredor.
Abriu a porta e foi direto para o lavatório, onde lavou o rosto e tomou água.
Não sabia porque, mas estava suando frio e tremendo como cara verde (como diria sua vó).
Olhou-se no espelho e percebeu que sua feição era de total pânico.
" Meu Deus! O que está acontecendo?!"
As lâmpadas começaram a piscar e ele quase gritou. Olhou no espelho e viu uma sombra. Não passava de um vulto. Ele achava que era uma mulher.
Benedito sentiu todos os pelos de seu corpo se arrepiarem. De repente o ambiente ali ficou muito frio, tão frio que ele podia ver sua respiração saindo da boca como fumaça.
"Mate! Mate todos!"
Ele nunca soube se aquilo foi uma voz.
Benedito viu dois olhos vermelhos no espelho, e eles eram vermelhos daquele jeito porque estavam pegando fogo.
Ele soltou um grito e saiu como um maluco correndo corredor afora.
Benedito correu até o elevador e apertou o botão do terraço.
Alguma coisa estava errada. Todo aquele frio que ele havia sentido no banheiro agora era substituído por um calor insuportável.
Ele ouviu o som de uma campainha e as portas do elevador se abriram.
Olhou no painel da coisa e viu o número 12 no mostrador.
- Merda!
Ele apertou o botão do terraço novamente. O elevador não se moveu.
Benedito saiu de elevador e começou a caminhar pelo décimo segundo andar.
Parecia que uma empresa funcionava ali.
Quente. A temperatura estava alta demais.
"Mate todos. Mate! "
Ele caminhou pelo lugar por uns trinta segundos e então olhou para o ar condicionado que estava a uns dois metros e meio do chão.
Benedito arregalou os olhos.
— Meu Deus!
Então ele pegou fogo.
Ele era uma rocha humana que queimava e gritava. Saiu cambaleando e queimando e logo o fogo se alastrou pelas divisórias de madeira do décimo segundo andar.
 Eram 8:45 da manhã quando o fogo começou, e logo ele se alastrou por todos os andares do Joelma.
Enquanto o prédio queimava, algumas pessoas s saltavam para uma morte certa lá embaixo, e no almoxarifado do edifício havia um livro, um livro que ninguém viu, e que depois desapareceu para sempre dessa história.
Quando o fogo acabou, 187 pessoas haviam perdido suas vidas

******

 SANTA MARIA,  RIO GRANDE DO SUL. 27 DE JANEIRO DE 2013.

— Eu vou ao banheiro e já volto! -. Patrícia precisou gritar para ser ouvida.
— Ok. Volte logo!
Ela piscou e saiu desviando das pessoas que abarrotavam a boate Kiss.
Levou três exatos minutos para chegar ao banheiro.
Deu de cara com uma mulher estranha, que pela cara devia estar bêbada.
Ela mesma estava bêbada, tinha que reconhecer. Era a melhor não tomar mais nada, ou iria terminar a noite na sarjeta.
Ela meio que cambaleou até bum dos mictórios, abriu a porta, ergueu a mini saia que estava usando, abaixou a calcinha e começou a urinar.
Ouviu o ruído metálico das dobradiças da porta do banheiro. Alguém havia acabado de entrar.
Ouviu passos, que a julgar pelo som eram de alguém usando salto alto.
A mulher caminhou até a porta do mictório em que ela estava e ficou parada ali.
Patrícia franziu o cenho. Olhou para baixo e viu uma sombra.
— Está ocupado!
A pessoa não se moveu.
De repente ela começou a esmurrar a porta a ponto de fazê-la tremer no batente.
— Mas o que!!!... Ei! Você ficou louca?!
Patrícia vestiu a calcinha e abaixou a saia. A porta parou de tremer.
Ela a abriu de sopetão.
— Mas o que pensa que...
Não havia ninguém. O banheiro estava vazio.
Patrícia ficou sem entender. Seu coração palpitou levemente e um arrepio estranho percorreu todo o seu corpo.
Ela caminhou até o lavatório, abriu a torneira e lavou as mãos. Olhou-se no espelho e viu a porta do mictório balançar. Olhou para lá com o coração quase saindo pela boca.
Ouviu um leve ruído. Sei corpo se arrepiou e ela olhou para a direita.
Havia um livro sobre a pedra de mármore negro do lavatório. Um livro que ela podia jurar que não estava ali antes.
Patrícia franziu o cenho, estendeu a mão e pegou o livro. Parecia antigo, a capa era dura, de couro. Havia um nome nela e Patrícia achou que era o titulo mais estranho que ela já tinha visto na sua vida toda:
PROPHANUS DIABÓLICUS.
O relógio marcava 2:30 da madrugada.

Luis Fernando Alvez
Enviado por Luis Fernando Alvez em 17/10/2020
Código do texto: T7089893
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Sobre o autor
Luis Fernando Alvez
Pindamonhangaba - São Paulo - Brasil, 37 anos
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