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UM TREMENDO SUSTO.

Estava o bom e velho compadre Agripino voltando de uma visita a fazenda Rouxinol pois seu amigo, o coronel Lindomar, estava doente. Uma viagem de dois dias no lombo do cavalo.  O cavaleiro Agripino  estava chegando próximo a um igarapé, quando viu uma bela  moça sobre uma pedra. Estava ela como veio ao mundo, tendo os cabelos negros e  longos. A noite se aproximando.  Ela olhou para  o homem no cavalo e colocou uma flor no cabelo. Um sorriso  lindo nos lábios. Uma piscadela. Ela então entoou seu canto maravilhoso e atraente. -"Eita. É a Iara, a sereia! Vou tapar os ouvidos."  Agripino puxou as rédeas do cavalo. -"Desculpa, moça. A senhorita canta bem e é muito bonita mas tenho que ir." A sereia fez uma cara de decepção e afundou nas águas do rio. Agripino entrou na mata. O cavalo parou  ao ver um menino a sua frente. Agripino acalmou o animal. -"Calma, Corisco. É só um menino." Agripino desmontou. -"Voismecê tá perdido, muleque?" O garoto de cabelo cor de fogo sorriu. -"Sou o curupira, moço!" O homem estranhou os pés do garoto virados para trás. -"Já ouvi falar de você. É um protetor da floresta e dos animais. Olha, estou com pressa. Foi um prazer lhe conhecer." Mais a frente, o estômago dele roncou. Agripino pegou uns galhos secos e acendeu uma fogueira. Preparou a palha e o fumo para um cigarro. Ele recostou numa árvore. -"Vamos descansar, Corisco. Vou comer esse sanduíche que a comadre Zelda fez com tanto carinho pra mim."  Disse ao cavalo. Uma bruxa apareceu, voando numa vassoura. Agripino fez o sinal da cruz. -"Eita que é a Matinta Pereira, a bruxa má." A bruxa parou em frente ao homem e deu um grito. -"Verme. Deixe presentes pra mim, aqui nesse lugar. Buscarei amanhã." Ela se transformou num pássaro e se foi.  -"Dar presentes pra bruxa, uma coisa feia dessas?! Ainda me chamou de verme?? Nem é natal pra dar presente!" O cavalo relinchou. Agripino viu o Saci Pererê tentando amarrar o rabo do animal. -"Cai fora , muleque atentado. Deixa o meu cavalo em paz!" Pouco tempo depois, Agripino viu dois homens se aproximando. Tinham as roupas rasgadas e andavam como robôs. -"São zumbis. Tomara que  não me vejam pois estou sem a espingarda." Por sorte, os zumbis tomaram outra direção. O barulho de passos na mata.  Um rapaz se aproximou. Ele olhava a lua cheia no céu. -"Cuidado, moço. Olha por onde anda." O rapaz  tropeçou numa galho caído. -" A lua. Vou me transformar." O moço virou um grande lobisomem. O cavalo de Agripino fugiu. -"Óia, lobisomem. Voismecê assustou o Corisco. Vou ter que ir atrás dele agora." O lobisomem rosnou. -"Eita bafo de onça, quer dizer, de lobo!" Agripino tirou um rosário do bolso. -"Tô protegido. Vade retro, lobisomem." O bicho deu um salto pra trás e fugiu mata adentro. -"É cada uma que acontece. Vou ter que achar o Corisco. Agripino andou pela mata. Uma mão branca pousou no ombro dele. Agripino se virou. Uma moça,  branca como cera de vela, o encarava. Tinha os cabelos arrepiados, a boca sangrando e os olhos revirados. Agripino tocou o ombro da moça.-"Uai, moça. Voismecê tá muito gelada. Tá até parecendo morta!" Ele se benzeu. A moça fez menção de morder o pescoço dele. Agripino se esquivou. -"Voismecê num é feia mas acontece que eu sou comprometido. Sou casado com a Gertrudes e temos dois piazinhos, o Lucas e o Bastião. Ei.... estou lhe reconhecendo!" A moça misteriosa desapareceu. -"Aparece, fantasma, alma perdida. Voismecê não é a Toninha, filha do compadre Tinoco? Aquela que desapareceu na enchente e nunca mais acharam o corpo?" A moça reapareceu. -"Sou eu, compadre Agripino. Desculpa por tentar morder seu pescoço."  Disse a assombração. -"Eu inté gostaria de prosear com voismecê mas tenho que achar meu cavalo Corisco. Até outro dia, Toninha!" Agripino andou pela mata. -"Corisco. Corisco, aparece!" Um morcego passou por cima dele. Uma cortina de fumaça. O morcego se transformou num homem de fraque. -"Boa noite. Quero seu sangue!" Ele alisou os cabelos. As presas apareceram. As orelhas pontiagudas. -"Quer meu sangue, vírgula. Tive caxumba e hepatite, quando era criança, por isso não posso doar sangue!" O vampiro deu uma gargalhada. -"O mundo está mudado. Depois de Crepúsculo, ninguém tem medo de vampiro!" O rapaz virou morcego e voou. Agripino chamou seu cavalo. Um relincho perto dali.  -"É o Corisco. Agora é ele." Uma estradinha no meio da mata. Agripino viu seu cavalo e a mula sem cabeça. As labaredas de fogo saiam do pescoço da mula. -"Corisco, não é hora pra namorar. Como você vai beijar a mula se ela não tem cabeça? Preciso chegar logo em casa." Ele tomou as rédeas do cavalo. Acariciou a mula. -"Eu prometo que trago o Corisco pra vocês namorarem. Eu juro." Agripino montou seu cavalo. A mula sem cabeça relinchou e entrou na mata. -"Corisco, vamos chegar atrasados em casa!" Uma luz ao longe. Um objeto no céu. As luzes girando mais perto. -"Tá parecendo disco voador. Não foge dessa vez, Corisco." A nave alienígena pousou a frente deles. Uma portinhola se abriu. Dois homenzinhos verdes saíram da nave. Tinham a cabeça grande e ovalada, os olhos escuros, a boca pequena, braços longos. -"Vamos lhe abduzir. Você vem com a gente, humano." Agripino sorriu. -"Mais é nunca que eu vou com vocês.  Tenho que chegar cedo em  casa ou a Gertrudes fica brava." Os alienígenas avançaram na direção do homem. -"Olha, eu sugiro a vocês que vão pra Brasília. Se  abduzir alguns daqueles políticos de lá, ninguém vai sentir a farta. Tenho que ir." Agripino deu meia volta com o cavalo, saindo em disparada. A nave aliens sumiu no céu. Agripino saiu da mata. A estrada para o vilarejo. O sol nasceu. Agripino viu a torre da igreja matriz do vilarejo. Logo estaria em casa. -"Foi uma longa noite, Corisco. Enfim, chegamos em casa. Já sinto o cheiro de café da minha velha." Ele entrou em casa. A esposa e os filhos vieram ao seu encontro. -"Preciso de um banho." A tardezinha, a visita do carteiro. Os boletos. As contas de água, internet e energia elétrica. Agripino arregalou os olhos. Tossiu. O ar faltou aos pulmões e a sua  vista escureceu. O homem se estabacou  no chão. A esposa veio correndo da cozinha. Colocou um pano com álcool no nariz do esposo. -"Agripino?! Homem de Deus,  o que foi isso?" Ele voltou a si. Tomou um copo de água com açúcar. A conta de luz na mão. -"Viste o alto valor da conta de luz?!? É pra matar qualquer um de susto!" FIM
marcos dias macedo
Enviado por marcos dias macedo em 08/04/2021
Reeditado em 09/04/2021
Código do texto: T7226954
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
marcos dias macedo
Santa Barbara D'Oeste - São Paulo - Brasil, 51 anos
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marcos dias macedo