Enquanto vocês dormiam - CLTS15

Alba estava sendo levada pelos agentes da imigração e ele fez questão de ir para a janela ver a cena. Enquanto acompanhava tudo, ele pensava que isso era tudo culpa dela. Se ela não tivesse se metido onde não era chamada talvez não fosse preciso ter denunciado ela para a imigração.

Ainda pensava nisso quando Lola desceu as escadas. Com toda certeza a menina planejava correr atrás de Alba. Ele segurou a filha dele com firmeza, antes que ela conseguisse chegar até a porta.

-Alba- Lola ainda chamou a antiga babá enquanto a via pela janela, segundos antes de Alba entrar no carro com os agentes.

Enquanto ele olhava para Lola pensava que a culpa era dela também. Fez questão de falar para a filha:

-Minha querida, Lola. É isso que acontece quando as pessoas sabem do nosso segredinho. Por isso é melhor que você não fale para ninguém, a menos que queira que elas sejam levadas embora como a Alba.

Esperava mesmo que a filha não contasse nada. Se ela abrisse a boca ele ficaria em maus lençóis, por isso sempre que podia fazia questão de a assustar.

-Esses homens que levaram ela são controlados por mim. - disse esperando que a filha acreditasse. Ela tinha nove anos, crianças dessa idade ainda acreditam em quase qualquer coisa- Se você contar para alguém, vou mandar eles pegarem essa pessoa.

-Vou contar para o Liam e ele vai trazer a Alba de volta. -falou baixinho Lola.

Liam era o irmão mais velho de Lola. Ele morava em Hollywood e era roteirista. A menção ao rapaz o deixou com irritado, porque na voz da Lola era possível notar que ela realmente achava que Liam poderia ajudar Alba, mas principalmente porque tinha ciúmes de Lola com o irmão.

- Não acho que deva contar para seu irmão. Tenho certeza que você não quer que o Liam vá embora, não é?

Lola lhe olhou assustada e se afastou. Subiu as escadas fazendo barulho a cada degrau que pisava, em uma forma de protesto, que fez ele soltar uma risada.

Ficou olhando a filha subir, sentindo que o desejo por ela apenas aumentava. Lembrou de como desejava Lola muito antes de ir ao quarto dela pela primeira vez. Lembrou que mesmo quando a esposa ainda era viva ele, em alguns momentos, olhou de uma forma diferente para Lola.Culpava mentalmente a falecida esposa, pois achava que se ela tivesse mantido os atrativos da juventude ele não teria que ter olhado para a garota. Culpava também Lola por ser bonita demais para uma criança. Culpando elas não sobrava nenhum espaço para ele se sentir culpado.

O ciúme aumentava junto com o desejo. O sentimento vinha até mesmo quando via a menina brincando com meninos da idade dela. Devido ao ciúme a tirou da escola e passou a educá-la em casa. Ele não conseguia evitar de ver a filha como mulher e não como a criança que era.

Na maioria do tempo, somente olhar para ela já era suficiente. Tinha tocado nela somente duas vezes. Teria tocado nela uma outra vez se Alba não tivesse visto e interrompido. Alba com toda certeza planejava fazer alguma coisa, mas ele foi ainda mais rápido. Sabia que ela era imigrante em processo de legalização, por isso algumas ligações para alguns conhecidos dele foram suficientes para que ela fosse encaminhada para a deportação. Mesmo se ela falasse a palavra dela teria menos credibilidade que a dele. Ele era um juiz aposentado e ela apenas uma imigrante com problemas com a lei. A sensação de controle o fez sorrir.

Foi tirado de seus pensamentos pelo barulho do celular tocando. Olhou para a tela e viu que era Liam. Rejeitou a chamada irritado, mas o rapaz ligou de novo e de novo.

O ciúme que tinha de Lola fazia com que quisesse o filho longe, mas o rapaz, mesmo com a agenda cheia, sempre insistia em querer passar um tempo com o pai e a irmã. Algumas vezes Liam vencia e ele tinha que ceder e passar um tempo com ele ou pelo menos deixar que ele fosse passear com Lola, mas dessa vez não seria assim. Com esse pensamento em mente desligou o telefone.

Com o silêncio novamente estabelecido ele se ajeitou na poltrona e pensou em dormir. Um barulho na porta logo o despertou. Resolveu ignorar, ainda mais quando a voz de Liam o chamou:

-Pai ? Tem alguém em casa?

Sentindo novamente a sensação de estar no controle decidiu que não iria mais ceder. Liam podia bater o quanto quisesse que ele não iria abrir a porta.

Ele realmente não abriu, mas Lola que devia ter visto o irmão da janela do quarto, desceu correndo as escadas para abrir a porta. A menina abraçou fortemente Liam. O rapaz retribuiu o abraço sorrindo e brevemente carregou a irmã como fazia quando ela era menor. Foi o suficiente para o ciúme que sentia por Lola aumentar. Para completar, Liam não veio sozinho. Ele tinha trazido Libby e Kenny, seus primos que moravam em Hollywood também.

Logo que se mudou para sua casa de Hollywood Liam planejava morar sozinho, mas logo nas primeiras semanas ficou claro que isso não aconteceria. Libby e o seu irmão Kenny bateram na porta e pediram para ficar um tempo. Libby tinha o sonho de tentar a carreira de atriz e lá seria o local ideal para ficar. Kenny tinha vindo junto para acompanhar a irmã e quem sabe conseguir algum trabalho por trás das câmeras. Seria por pouco tempo, eles falaram. Não foi.

Libby, Kenny e Liam estavam na faixa dos vinte anos e formaram uma forte amizade e juntos começaram suas carreiras em Hollywood. Os dias viraram semanas e depois meses.Em algum momento Liam percebeu que não queria que eles fossem embora e começou a vê-los como seus irmãos.

Quando o filho Liam adicionou mais esses dois irmãos na sua vida, ele esperou que o rapaz fosse esquecer de Lola, mas isso não ocorreu. Queria que Liam e os primos vivessem suas vidas em Hollywood, ou de preferência em algum lugar mais distante, e deixasse a sua Lola somente para ele.

-Não era para vocês estarem em Hollywood ou filmando alguma série por aí?- disse ainda sentado na poltrona, sem olhar na direção deles. Esperava que Liam e os primos percebessem que ele não estava muito feliz por vê-los. Pelo bem deles esperava que eles fossem embora, pois não queria machucar Liam. Na verdade ele queria sim, mas sabia que tinha que se controlar.

Na sua mente tinha um relógio invisível fazendo tic-tac em uma contagem regressiva. Contagem essa que acelerava quando Lola demonstrava afeto pelo irmão ou quando Liam falava muito. Esperava que Liam e os primos saíssem antes que a contagem se esgotasse.

*

Libby logo notou que o pai de Liam agia como se quisesse que eles fossem embora. Liam e o pai eram um pouco distantes, mas aquilo era um outro grau de distanciamento. Ela e Kenny ficavam muito incomodados com isso, pois Liam era como um irmão para eles.

Exatamente devido a forte amizade Libby sabia que Liam tinha a necessidade de tentar ter a atenção do pai, por isso que ele insistia em puxar assunto mesmo que toda tentativa de conversa fosse cortada.

- Acho que a gente devia esperar no carro. Talvez ele esteja incomodado com a nossa presença e não com o Liam. Sei lá, estou me sentindo meio desconfortável com essa frieza.- sussurrou Kenny para ela. Nem bem terminou de falar, Kenny se despediu e saiu da casa rapidamente. Libby teria o acompanhado e deixado Liam e o pai conversarem a sós, mas ela notou que Lola estava agindo de modo estranho.

Devido a Liam e Kenny estarem distraídos com as tentativas de conversa, Libby foi a única que percebeu quando Lola começou a agir diferente . Primeiro a menina os abraçou e não queria mais soltar e depois ficou com uma cara de assustada e olhou atrás das cortinas. Após isso, subi as escadas de repente.

Libby resolveu ir atrás de Lola. Subiu as escadas devagar para não assustar a garota. Enquanto subia as escadas notava que Liam ainda estava falando de uma série que iria filmar, em uma tentativa de impressionar o pai.

Uma vez no andar de cima, viu Lola entrando em um quarto que devia ser o dela.

-O que está fazendo, Lola? - perguntou assim que notou que a menina estava olhando embaixo da cama.

-Procurando monstros. Eles devem se esconder em lugares como esses. - respondeu Lola enquanto saia de debaixo da cama e corria para ver dentro do guarda-roupa.

Olhando ao redor do quarto Libby reparou em uns desenhos estranhos que Lola tinha feito. Neles era possível notar várias figuras que poderiam ser chamadas de monstros. A tinta ainda estava fresca e os desenhos estavam pendurados para secar mostrando que tinham sido pintados recentemente.

Lola notou que ela olhava para os desenhos e por um momento parou o que estava fazendo e se aproximou dela, como se esperasse que Libby perguntasse sobre as pinturas.

Libby começou a pensar que talvez a menina apenas precisasse de uma amiga, pois tinha ouvido falar que ela não estava mais indo para a escola. Por isso pediu para que ela explicasse os desenhos.

-Esse é o monstro maior que comanda os monstros menores que levaram a Alba. - disse Lola apontando para o primeiro desenho e depois foi falando dos outros- Aqui são os lugares em que estou procurando agora e onde os monstros devem ficar antes de se disfarçarem de humanos. Aqui são os monstros menores se revoltando e levando o monstro maior. Estava meio chateada quando desenhei esse.

-A Alba, sua babá, foi embora?-perguntou reparando que realmente não a tinha visto. Puxou Lola para um abraço e quando sentiu a menina se acalmar em seu braços continuou as perguntas de forma gentil- Você está triste por causa disso? Sente falta dela, fofinha?

- Ela não foi embora. Os monstros levaram ela.- Lola falou voltando a ficar agitada. A menina lhe empurrou de repente e se escondeu embaixo da cama.

Libby ao ver que aparentemente Lola não queria sair de debaixo da cama se deitou no chão de uma forma que ficava de frente para a menina. Estendeu o braço na direção dela em uma tentativa de a acalmar. Lola segurou sua mão e pediu que ela ficasse um pouco com ela. Disse que ficaria deitada mais alguns minutos, até que Lola se acalmasse para elas voltarem a conversar.

Enquanto estava deitada percebia, pelo som que vinha da sala, que Liam e o pai tinham finalmente começado a conversar. Pela distância não entendia direito o que eles falavam, mas ouvia que a voz do pai de Liam parecia mais presente na conversa.

*

Libby acordou sem lembrar de ter dormido. Ela estava sem acreditar que tinha adormecido no chão mesmo. Lola também estava adormecida e ainda segurava o seu braço. Afastou a mão dela de forma delicada e se levantou com a impressão que tinha alguma coisa muito errada. Tentava se lembrar em que momento tinha pegado no sono, mas toda vez que forçava a memória sentia a cabeça doer um pouco. Os pensamentos pareciam meio embaralhados.

Ao se levantar do chão o seu olhar foi em direção ao lugar onde estavam as pinturas de Lola. Para seu espanto os traços e monstros das pinturas tinham sumido. Era possível ver somente folhas em branco penduradas. Um vento frio entrava pela janela e balançava os papéis, de uma forma que deixou a visão mais assustadora.

Fechou os olhos e tornou a abri-los. Mas as folhas continuaram do mesmo jeito. Começou a querer sair daquele lugar o mais rápido possível. Estava tão distraída com as folhas que nem notou quando Lola acordou e saiu de debaixo da cama. Somente notou a menina quando esta segurou sua mão.

O silêncio no local era ensurdecedor e ela quase podia ouvir as batidas do coração acelerado .Parecia que o lugar estava completamente vazio a não ser por elas. Aquilo estava muito estranho. Era como se todo o cenário gritasse: "Enquanto vocês dormiam algo ocorreu".

Se perguntou onde estariam Liam e o pai dele? Kenny teria ido para casa sem eles?Pensou em ligar para alguém, mas ao procurar seu celular notou que ele não estava no bolso. Talvez tivesse esquecido no carro.

-Não tem ninguém aqui além da gente. - disse Lola de repente. Talvez percebendo que Libby notava o silêncio e procurava o celular.

-Onde seu pai e o Liam foram?- perguntou achando que talvez eles tivessem avisado Lola.

-Eles não estão aqui. - disse Lola sem responder a pergunta dela. - O Kenny também não.

Ao notar que Lola não lhe daria nenhuma resposta satisfatória, resolveu que o melhor a se fazer seria sair dali logo. Uma vez fora da casa poderia usar o telefone de algum vizinho ou perguntar se ele tinha visto alguém sair da casa.

Enquanto descia notou que a sala estava com as luzes apagadas. Quando faltavam apenas poucos degraus para a escada terminar, um barulho de coisa se quebrando veio do lugar . Lola correu na sua frente, sem que pudesse segura-lá , e ligou as luzes rapidamente. Logo que a luz invadiu o cômodo Libby notou que não tinha nada quebrado.

Pegou Lola delicadamente pelo braço e foram quase correndo em direção à porta. Quando girou a maçaneta notou que ela estava trancada.

Ainda estava focada na maçaneta quando a luz da sala piscou. Durante a piscada o barulho de vidro quebrando foi ouvido rapidamente. Lola puxava a manga da sua blusa como se quisesse chamar sua atenção.

-Vamos ficar tudo bem, fofinha. - disse se virando para a menina, querendo tranquilizar Lola, sendo que a pessoa mais nervosa ali era ela. Acariciou os cabelos da garota e notou algo molhado em sua mão. Olhou para seus dedos e gritou ao notar que eles estavam molhados de sangue.

-Você está sangrando!- exclamou sentindo a preocupação por Lola sufocar todo medo. Procurava por algum ferimento que justificasse aquele sangue.

-Você também. -apontou Lola para sua testa. Libby levou os dedos trêmulos ao local e no começo não sentiu nada, mas à medida que os segundos passavam sua mão ia ficando molhada de sangue.

Ainda estava segurando a testa quando sentiu uma dor aguda na perna, como se tivesse batido forte o local. Teve que se sentar. Não entendia o que estava ocorrendo e se sentia sem forças. Perguntou em um sussurro:

- Lola, o que está ocorrendo? Isso tem relação com seus desenhos?

-Você não lembra de nada?

A pergunta ainda estava no ar quando a luz da sala se apagou e o barulho de vidro quebrando voltou ainda mais alto. Dessa vez se ouvia outros sons que pareciam distantes. A imagem daquelas folhas em branco voltou novamente a sua mente e a fez temer que os monstros do desenho tivessem saído dos papéis e estivessem no cômodo sem iluminação.

Tentou se levantar, mas a sua perna não deixou. Sentia todo o seu corpo mole.

-As folhas estão em branco porque não existem monstros aqui. - Lola finalmente respondeu a pergunta que ela nem lembrava mais de ter feito- Nem os do desenho e nem o meu pai.

-Seu pai? Do que você está falando?

-Você não se lembra de nada mesmo. Ainda bem. Queria não lembrar também.

As luzes piscaram e dessa vez toda casa ficou no escuro gerando medo em Libby. No escuro do ambiente escutava os mesmos sons da outra vez e mais o som de passos apressados na escada. Uma confusão de vozes que não conseguia entender direito. Sentia que aqueles sons lhe eram familiar, mas sua cabeça doía ao tentar os entender.

As luzes acenderam de repente e elas estavam novamente no quarto de Lola. Mas era o cenário de mais cedo, antes delas dormirem. Viu a si mesma deitada no chão e Lola debaixo da cama. Ouviam as vozes de Liam e do pai vindas da sala.

-O que está ocorrendo?- perguntou.

-Você está lembrando. - disse Lola cobrindo o rosto com as mãos, como se quisesse fugir do que viria a seguir.

A cena continuou na mesma até que de repente um barulho de vidro quebrando veio da sala. Lola saiu de debaixo da cama e foi em direção às escadas correndo, viu a si mesma se levantando do chão e indo atrás da garota.

Algo lhe dizia que não ia gostar do que ia ver, mas mesmo assim seguiu as duas figuras que desciam as escadas. Logo nos primeiros degraus viu o cenário que a esperava na sala. O pai de Liam tinha quebrado uma garrafa na cabeça dele. Ele ainda segurava a garrafa quebrada enquanto Liam parecia quase desacordado no chão.

Lola correu até o irmão. Isso pareceu irritar ainda mais o pai que a segurou firmemente pelo braço. Ele balançava Lola forte enquanto dizia:

-Porque você está defendendo ele? Você gosta mais dele do que de mim, é isso? Porque você não responde. - o pai de Lola continuava perguntando totalmente desequilibrado. Balançava ela cada vez de forma mais violenta. Libby viu a outra Libby do passado correr e arrancar Lola dos braços dele. Abraçou a garota ao mesmo tempo em que tentava ajudar Liam.

-Na verdade eu gosto mais do Liam. Quero morar com ele. - gritou Lola quando já estava há uma certa distância do pai. Aquilo parecia ser sua forma de protesto contra o que o pai tinha feito com o irmão e por tudo que o pai tinha feito com ela.

-Então você tomou a sua decisão. - respondeu o pai dela se afastando.

Liam estava totalmente desmaiado e Lola tentava ajudar Libby a levar o irmão para fora. Eles estavam perto da porta quando o pai de Lola voltou carregando um taco de baseball. O alvo dele era Lola. Libby tentou proteger Lola e também acabou sendo atingida. Tudo ocorreu muito rápido. Antes que notasse estavam ensaguentadas no chão e Kenny e outros vizinhos que ouviram os gritos arrombavam a porta para as socorrer.

-Onde a gente está agora?- perguntou Libby para Lola que ficou ao seu lado.

-Estamos sonhando. A mamãe dizia que se a gente dormisse bem perto a gente compartilhava sonhos.- disse Lola e apontou para as duas ensanguentadas e bem próximas no chão. A mão de Libby segurou o braço de Lola um pouco antes de desmaiar- Estamos tendo o mesmo sonho.

Ainda falavam quando ouviram um barulho na porta. Libby levou a mão até a maçaneta e a girou, percebendo que a porta estava destrancada.

*

Libby abriu os olhos e viu que estava em uma cama de hospital. Notou que sua perna estava enfaixada assim como sua cabeça. Ao olhar para o lado viu que Lola também tinha acabado de acordar no mesmo momento. A menina sorriu para ela, um sorriso que há muito tempo não sorria.

*

"Eu me lembro bem! Eu me lembro bem!

Tudo que a gente passou, em apenas um piscar

Me peguei a sonhar, sem meus olhos fechar

Pude ver nosso amanhã no horizonte a brilhar!"

Identity- The promised neverland

Temas: Crimes bárbaros e medo do escuro

Ana Carol Machado
Enviado por Ana Carol Machado em 30/05/2021
Reeditado em 31/05/2021
Código do texto: T7267917
Classificação de conteúdo: seguro
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