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Zona Morta Santo André - Cap. 6 - Ótimo meio de começar a semana...

24/09/07-Segunda Feira
[...]
Mais um dia começa. Acabo de me arrumar pra escola.
Antes de sair, meu pai me fala:
- Do colégio direto pra casa ouviu ?!
Ele tava preocupado. Também, com todas aquelas notícias, quem não estaria ?
Vou caminhando pela rua, até chegar no colégio. Lá, converso com os meus amigos:
Laís: - Minha mãe não queria que eu viesse, mas meu pai praticamente me obrigou, falou que eu tava "usando os fatos como desculpa pra matar aula".
Flávio: - Aff. Pra que faltar ? Só por causa de umas notícias lá do Rio de Janeiro ?
Eu: - Mas agora a epidemia já chegou até Santos, e a situação no Rio tá preta. Eu vi uns vídeos tenebrosos ontem, tive até pesadelo.
Laís:- Pesadelo Lucas ? (risos)
O Homero chega:
- Oi pra todos! A Carol não veio? Bem, isso não importa. Gente, eu não recebi mais notícias no celular, a última foi de que a epidemia tava acabando com Santos, lá pelas dez da noite.
Marcos: - Talvez o sistema tenha caído. E vocês viram que até a Globo tava fora do ar ?! A Globo !

Pééééééééééémmmmmmmmm

O conhecido sinal pra subirmos pras salas, e a primeira aula do dia era Física (Ótimo meio de começar a semana...). O professor começou a dar aula, mas pouca gente estava prestando atenção, até que ele, já meio nervoso por ser ignorado pelos alunos, falou :
- E essa é a matéria da prova de amanhã. É bom prestar atenção agora, se quiserem ir bem.
Toda a sala agora ouvia atentamente a explicação sobre a Refração da Luz. Mas o coitado do professor não conseguiu explicar nem dez minutos, pois ouvimos o barulho de freiada brusca, seguido de batidas e gritos. A sala toda correu na direção da janela pra ver o que acontecera. Na avenida, um engavetamento, cinco carros batidos, um atrás do outro. As pessoas que estavam dentro dos carros saíram pra saber o que aconteceu. O cara que estava no primeiro carro começou a gritar com uma senhora que estava no meio da rua, parecia que ela causou o acidente. Nós ouvimos:
- SUA VELHA VADIA ! NÃO OLHA POR ONDE ANDA NÃO !? OLHA O QUE VOCÊ FEZ ! JÁ DEVIA TÁ NA COVA !
Mas a velha não parecia se importar com a gritaria do cara, e ela estava avançando na direção dele. Mas o cara continuava:
-QUEM VAI PAGAR TODO ESSE PREJUÍZO HEIN ? A SUA APOSENTADORIA SUA VELHA DOS INFERNOS ?...
O cara, vendo que a velha não tava nem aí pros comentários dele, foi até ela e a pegou pelo braço e continuou gritando:
- VOCÊ TÁ ME OUVINDO POR ACASO ?! PÁRA DE SE FAZER DE IGNORANTE...
Nesse momento vimos a velha dar uma mordida certeira no braço do cara, na altura do pulso. Ele caiu no chão de tanta dor, e a velha caiu em cima dele. As outras pessoas que estavam ao redor correram para tirá-la de cima do cara, mas ela estava grudada no braço dele. Até que conseguiram jogá-la longe. Ela ficou caída na guia por uns momentos e um outro cara aproveitou e enrolou um cinto em volta dela, assim ela não iria tentar morder mais ninguém. Depois chegou uma ambulância e um carro da patrulha de trânsito e começaram a resolver tudo. Nisso, nós saímos da janela e  tentamos voltar a ter aula, mas não deu, porque começamos a ouvir mais berros vindos da rua. Aí todo mundo voltou pra janela pra ver, mas dessa vez não era na avenida, talvez fosse em alguma rua do lado. A coordenadora da escola chegou na sala nessa hora e pediu pra saírmos da janela, pois ela tinha um aviso para dar:

Coordenadora: - Imagino que vocês já saibam, mas houve um acidente terrível no Rio de Janeiro. Muitas pessoas morreram devido a uma doença que surgiu com o vazamento de radiação da usina nuclear de Angra, e essa doença se espalhou para Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Por isso, os órgãos públicos deram recomendações às escolas de dispensar os alunos. Vocês serão liberados daqui a meia hora, mas antes de arrumarem o material, deixem eu terminar. Também pediram para avisarmos vocês que assim que chegarem em casa, não saiam, pois a situação pode ficar pior e se isso acontecer, é provável que tenhamos o Exército nas ruas. Alguma pergunta? Não? Então podem se arrumar que deixaremos descer sala por sala para evitar confusão nos corredores.

Assim que ela terminou de falar, todo mundo começou a guardar apostilas, cadernos e estojos nas malas, e logo todo mundo tava pronto.
Eu: - Nussa! Realmente a coisa tá feia ! Será que o Exército vai vim mesmo?
Marcos:- Sei lá! Mas o Exército brasileiro também não faz nada, só serve pra meter medo !
Lais: - Gente, gente ! Olha !
A Lais apontou pra avenida. Quando olhamos, quase não acreditamos ! Os carros batidos mais cedo ainda estavam lá, mas os donos deles estavam no chão, mortos ! Havia sangue nas rodas, nos parabrisas, no asflato... era uma visão chocante pra nós. Mas quando uma mulher que estava jogada no chão começou a se levantar, nós dissemos:
- Ela tá viva !!!! Aquela mulher tá viva ! Cadê aquela ambulância que tava ali antes ?!

Havia pessoas passando perto, alguns poucos estavam lá parados observando aquela cena de chacina, mas como era cedo ainda, não tinha tanta gente. A mulher foi chegando perto de um homem de terno, que tentou ajudá-la, mas ela o mordeu! Ele deu um berro de dor e um soco na cabeça da mulher e saiu correndo. Nessa hora ouvimos a voz da coordenadora:
- Segundo Ano A, podem descer.
Saímos da sala e descemos os quatro lances de escada. No pátio, as catracas do portão estavam lotadas, já tinham descido umas dez salas antes de nós, cada sala com mais ou menos trinta alunos, e tinha mais gente vindo das escadas. Eu falei:
- Não dá pra sair agora não ! É melhor a gente esperar esvaziar um pouco. Vamo na cantina comprar alguma coisa que eu to com fome.

 E lá fomos nós; Marcos, Lais, Flávio, Jéssica e eu. Eu comprei um pacote de salgadinho, alguns M&M's e uma lata de Fanta Uva. Comecei a comer o salgadinho e a beber a Fanta e coloquei os M&M's no bolso. O professor de História veio falar pra gente que não poderíamos esperar ali porque eles receberam ordens de não deixar nenhum aluno fora da fila da catraca.
Jéssica: - Então tá né ! Vamo pra fila.

E nós fomos. Ficamos lá esperando uns quinze minutos, mas conseguimos sair. Na parte de fora havia muita gente. Ficamos lá conversando e esperando os pais do meus amigos chegarem. Eu iria embora a pé, já que a minha casa fica só a quatro quarteirões da escola.
[...]
The Kinslayer
Enviado por The Kinslayer em 23/11/2007
Código do texto: T749458
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Sobre o autor
The Kinslayer
Santo André - São Paulo - Brasil
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