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Desalmados

Existem coisas piores que a morte...

Andressa corria desesperadamente pelos esgotos sujos e fétidos.Era sua última chance e ela sabia,então mesmo que tivesse que correr os perigos das criaturas do esgoto ela correria.Uma tortura era melhor que o destino que a esperava.
Sua boca sangrava muito e continuamente,acima do olho outro corte além dos vários arranhões pelo corpo.Andressa sentia que ia desmaiar,precisava se manter acordada ou eles a pegariam.Em suas mãos pequenas a salvação,uma minúscula esfera de cristal contendo a mais poderosa arma,o antigo sangue puro.
Então tudo tremeu,ela caiu no chão a tempo de ver a pouca luz se extinguir.Eles tinham chegado,o cheiro bom de flores do campo invadiu os túneis Andressa tremeu,aquele cheiro só significava uma coisa.Tryana.
Levantando com dificuldade Andressa continuou a correr enquanto as paredes e a água fétida congelavam,ela sentia a pele rasgar com o frio produzindo cortes que jorraram sangue.
Andressa gritou,então sentiu o ferro do cano próximo derreter,um lampejo azul passou pela parede então saindo desta a temida Tryana saiu.
Era uma mulher alta e ruiva,cheirava a flores,tinha os olhos mais verdes que Andressa já vira.Tryana parecia olhar Andressa com uma mistura de curiosidade e fome.Junto dela surgiram mais quatro,todos de preto e com olhos igualmente brilhantes.
A ruiva sorriu,andou devagar até a assustada Andressa dizendo numa voz calma.
- Você não parece muito bem,não,não chore por favor,as lágrimas fazem parte da alma e eu não quero desperdícios ainda mais com uma alma tão pura como a sua...Você é tão...Linda.Eu queria ser assim também,tão pequena e delicada.Eu quero ser você pequena shamayin,eu vou ser você...
Num leve movimento Tryana tocou com as pontas dos dedos a testa de Andressa soltando um suspiro.A menina sentiu suas forças se esvaírem ao mesmo tempo que uma dor imensa a rasgava de dentro para fora.Suas ultimas visões foram a da esfera caindo na água congelada,sua própria mão com uma faca rasgando a carne de Tryana então o fogo a consumiu,sua carne pereceu deixando uma pequena fumaça pérola que Tryana sugou.Seus olhos mudaram tornando-se cor de mel como os de Andressa e aos poucos ela tomou a forma da menina.
Sua voz soou mais uma vez.
- Vamos rapazes,nosso trabalho acabou aqui...Vadia,aquela cadela rasgou minha pele,agora terei de caçar mais para compensar...As almas estão cada vez mais difíceis.
Tryana passava a mão sobre o ferimento no peito que não sangrava e nem mostrava qualquer carne,apenas pele e a fumaça pérola.
Feitos de pele,compostos por almas.Os Kankamoon sumiram fundindo-se novamente ao ferro,no chão apenas a esfera.E dois caninos pontiagudos,restos do que um dia fora Andressa...
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 05/12/2005
Código do texto: T81417


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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 30 anos
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