Rua do Arvoredo - Uma lenda urbana

Século XIX: era uma manhã ensolarada de terça-feira em Porto Alegre e o açougueiro afiava suas facas para iniciar mais um dia de trabalho após uma noite de atividades produtivas. Enquanto isso, em sua casa, a esposa limpava a sujeira das paredes e do chão da sala de jantar.

O açougueiro, um homem franzino, quase raquítico e de cabelos negros e com aparência encardida, começa a preparar as peças de maior procura do seu estabelecimento, as famosas lingüiças, peças frescas, feitas no dia para uma clientela exigente e considerada de paladar especial. Pegou sua matéria prima, a carne obtida com sucesso, ainda estava fresca, sua técnica para conservação das peças de carne eram, com certeza, perfeitas. E um esboço do que seria um sorriso cintilou por seus lábios quando ele concluiu esse pensamento. Era como se estivesse saboreando algum manjar dos deuses, algo que lhe dava água na boca só de pensar, realmente era algo diferenciado, disso ele tinha certeza, e um risinho irônico estremeceu por sua garganta.

E enquanto o calado homem, considerado recatado e não muito falante, pensava na noite anterior, sua esposa, uma mulher de traços não considerados bonitos, porém de corpo vistoso e aparentemente apetitoso aos olhos masculinos, munida de vulgaridade e outros atributos, com cabelos pretos na altura da cintura bem demarcada e olhos grandes cor de amêndoa, que atraia muitos olhares, principalmente dos cavalheiros solitários, viajantes que pela cidade estavam de passagem rápida. Desses a família, caso tivessem uma, nunca reclamava o sumiço, as esposas sempre acabavam achando que eles haviam fugido com outra mulher. A esposa vulgar do açougueiro, após conseguir atrair a atenção do homem escolhido, os conduzia até sua residência, uma casa antiga e não muito grande, com um terreno de fundo bem adequado às atividades do casal, situada na Rua do Arvoredo. Ela os convencia a ir até a residência à noite para um jantar, digamos... Um jantar inesquecível!

O último cavalheiro dera certo trabalho, muito mais que os anteriores, é verdade, devido ao seu tamanho descomunal e musculoso, a sujeira da sala era prova disso, mas o golpe deferido por seu marido com o machado fora, além de certeiro, fatal. E o açougueiro estaria bem abastecido por uns dias, mas logo precisariam de outro viajante, que provavelmente estaria à procura dos afagos de uma mulher e acabaria caindo nos encantos de qualquer mulher fácil como a esposa do açougueiro, então mais um jantar seria oferecido e mais dias de trabalhos no açougue seriam garantidos.

Lilith Góthica
Enviado por Lilith Góthica em 22/10/2008
Código do texto: T1242735
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