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O encontro do Homem-criança e o Luz-Negra - Fragmentos I

Fragmentos de uma obra que abandonei.

Para o amigo, em memória, o Cineasta, gênio e marginal: Jairo Ferreira.

Basicamente é a história do Homem-criança cresce seguindo o seu mestre espiritual Luz-Negra. Em discussões triviais, filosóficas, morais e o que me batia na cabeça. Isso em 1996/7 sem alterações.

Apreciem com moderação

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LN: Eu não vim aqui para falar de virtudes, vim sim, para discursar sobre os vícios, sobre o egoísmo, pois como aqueles que vivem na escuridão poderiam conhecer a luz? Se não conhecestes antes qualquer que fostes luz como saberás que as minhas palavras não são iluminadas?
HC: São tão escuras como a noite sem lua ou um dia de eclipse total do sol. São frias como gota da garoa fina do anoitecer ou como a gota de orvalho que alvora sobre uma pedra no cume da montanha.
LN: Se minhas palavras não os incute a pensar? Que podes fazer quanto ao pássaro que a natureza não o permite gorjear. Quanto a uma jóia bruta que nem mesmo o mais experiente lapidador não consegue fazer brilhar. Não és como pássaro, és como brilhante. E sou mais do que o experiente lapidador tão velho quanto a natureza. Sou irmão do Criador, conheço o meu Pai que és Avô de todos que aqui estão.

HC: Mas nem que fosses o absoluto, teria a minha compreensão. Pois como um analfabeto que não sabe ler os seus próprios traços poderia compreender. Então um mestre que se propõe a discursar sobre os vicios e possui no seu intelecto tantas virtudes como a paciência da experiência e habilidade do aperfeiçoar?

LN: Sim! Eu não sou absoluto porque há você fora de mim. És o que ainda não vê a luz brilhante de um novo mundo que se aproxima deste seu universo. Dos meus vícios que prego o primeiro é o de ser Livre!

HC: E quando a liberdade deixou de ser uma virtude tornando-se um vício?

LN: Isto sim vai me permitir falar com a graça de uma bailarina. Prenda um pássaro selvagem na sua mão e ele lutará para se soltar. Isto sim é uma virtude de libertar-se quando estiveres preso. Mas se esse mesmo pássaro estivesse livre e encontrasse uma mão para prendê-lo pousaria nela?

HC: Não farias isto. Quem quer ser preso?

LN: Quem tiver a coragem de ser preso para depois libertar-se és um viciado na liberdade; pois de que adianta ser livre se na primeira paixão o seu coração parar? Seria pegar uma caixa com doze cores e nunca conhecer as trinta e seis para pintar a sua vida. Desconhecer todos os tons? Sim o viciado na liberdade nunca se prende a uma visão, não é como uma lente monocolor que distorce apenas uma vez. É a lente multicolorida que colori todas as coisas que há de se imaginar.

HC: Isto não pode levar a inúmeros erros, enganos e falácias?

LN: Não por muito tempo; se prender temporariamente a qualquer coisa ela nunca te enganará sempre.

HC: Mas e a verdade? Ela também seria temporária?

LN: A verdade sempre mudará ela já foi uma e hoje é outra.

HC: Isto é para você, que pode acreditar na esporiciedade dos fatos.

LN: Todos sabem disto, quantas vezes já se enganou?

HC: Inúmeras.

LN: Então mudou de opinião?

HC: Ainda não.

LN: Você vai crer em mim, como está escrito nestas folhas que acabo de preencher. Terás o vício da liberdade e colherá os frutos dela. Não se assuste com a dor nem com o sofrimento. Não se apegue aos amores nem a felicidade pois todos e tudo vão ser passageiros.






LN: HC! De onde vem essa sua força que consegue abalar as estruturas internas das pessoas? Desfazendo personalidades, vícios e virtudes dos novos, dos antigos, das mulheres e dos homens?
HC: Isto me ocorre numa sessão de libertação da alma, num outro plano. Onde estive com seu Irmão, meu Pai Maior e aprendi a psicologia aplicada ao espírito. O poder da fé que constrói  tudo é o bom e faz.
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LN: E o q vc pensa das mulheres?
HC: As vezes elas tem uma certeza que transcede todas as suas capacidades, até admiram-se os maiores sábios. Outras horas são tão indecisas que mal sabem que roupa usar ou onde ir. Mas tenho certeza de que o nome Mulher significa algo maior que nós sabemos. Pois só dentro delas são geradas outras vidas.

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HC: Este mundo vai me pagar talvez não merecesse tantos sofrimentos mas já sei quem serei: O mais forte dos fracos com vontade total, ou um estudante persistente na escola chamada Vida.

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HC: Qual o nome daquela estrela? Ela brilha intensamente e está tão longe que não pode me ajudar. Cadê a Deusa que quero? Será que não vai me salvar?

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LN: Hoje você não será mais o mesmo HC, existe algo que ainda não compreende: O FIM.
Toda dor some, nem Lua nem Sol aparecerão, não haverá guerra, nem o amor. A energia esgota. Não há dinheiro nem Paixão. Somente um nada, um vazio que habitará sua alma. Todo o conhecimento do seu corpo é isto: Vazio. Toda a sabedoria que tem és nada depois que vencer o passado e o futuro. Somente tem o presente.

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HC: Já percorri este caminho longo e somente a dor vem ao meu encontro. Por que devo andar mais, se o fim nunca vai chegar?
LN: Não desistas HC, pois o fim é maravilhoso.

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LN: Você ainda não me entende HC, mas hoje vou me revelar.
Sou faminto, mas não tenho fome; sou gelado, mas não tenho frio.
Sempre falta comida mas não o que comer, sempre falta calor mas não agasalhos. Sou essência de amor, sopro divino da criação. Maior do que o mundo (...)

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LN: Nenhuma coisa boa, que jamais tenha existido, está fora de alcance quando você compreende a natureza do ser. Nenhuma experiência agradável está fora do seu alcance porque está com você.

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Edson Marques
Enviado por Edson Marques em 26/10/2009
Código do texto: T1888830

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Sobre o autor
Edson Marques
Queimadas - Bahia - Brasil, 43 anos
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