Melancolia

Sinto a melancolia das grandes saudades! Não aquela sensação fugidia de uma simples partida, com abraços e votos de boa viagem e breve regresso; mas, a que nos traz a dor do que é definitivo! Tudo que é definitivo tem uma tristeza implícita. Quando se começa a sofrer por algo, do qual temos consciência de que não terá solução! Eu não incluo neste tipo de tristeza a que foi cantada em prosa e verso, nas elegias de Mauro Mota, poeta pernambucano que entrou para a Academia Brasileira de Letras, principalmente pelos poemas do desespero em que cantava a dor pela mulher morta. Cabe neste comentário a dor do que é definitivo, mas que poderia não o ser! Todos continuam vivos e gostam de lembrar nas noites de trocas de impressões e confidências, as origens das próprias melancolias...Tudo acompanhado de boas bebidas, de preferência com selos estrangeiros. Lembro os relatos de Michelet sobre o desespero de Danton, mandando desenterrar a jovem esposa falecida uma semana antes, abraçando-se com o corpo putrefato...o consolo veio rápido nos braços de outras...Devo usar o plural? Pode até ser usado o plural, todavia, nada mais singular do que sentir a melancolia das grandes saudades, mas como se estivesse num palco representando uma peça em três atos e que se inicia pelo epílogo; daí, não saber os motivos de tal sentimento, tendo de recorrer ao autor, para que tudo possa ser definitivamente esclarecido no papel, com firma reconhecida, onde constem os nomes e o tempo, não fora este último apagado para sempre da memória do autor!