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A MÃE DO OURO
 
“O Livro Perdido de Enki – Memórias e Profecias de um Deus Extraterrestre”
Autor: Zecharia Sitchin
 
 
“...Vem agora o relato de como começaram os Tempos de Antigamente, e da era
que, nos Anais, foi conhecida pelo nome de Era Dourada, e como foram as
missões de Nibiru à Terra para obter ouro.” Pág. 27
 
“...Onde houve uma brecha, havia agora sanado! A alegria encheu o palácio, era de
esperar a abundância nas terras. Anu transmitiu boas palavras à Terra: O ouro
dá a salvação! A extração de ouro deve continuar!” Pág. 40
 

 
 
 
 

Por mais que tentasse as pernas não lhe obedeciam; inertes, permaneciam quais estivessem presas a irremovíveis barras de chumbo; as mãos, igualmente fora de controle, resistiam garantir a garrafa do café, juntamente o bornal de biscoitos fritos que traziam; os olhos, por sua vez ,vidrados, severamente fixos, miravam encantados a incomum visão.
Restava-lhe, finalmente, engolir em seco, pois tinha a boca ressequida em razão da longa carreira que fizera.
Acima dele, aquela coisa fixa queimava brilhando no alto, à sua frente; semelhante a um disco solar,  iluminava esplendoroso o arredor com a incandescência do fogo emanante que expelia a intervalos, caindo na forma de labaredas desprendidas do misterioso objeto que, ao encontro do chão, se espatifavam em dezenas de línguas ignescentes.
Fato extraordinário que os olhos temerosos de João Abílio puderam enxergar como se dia fosse. Preso àquela novidade pode ainda observar quando o objeto que levitava meneou lado a lado e seguiu; sereno, tomou rumo da cerca, atravessou silencioso por sobre o gado que ruminava  abaixo  e, subitamente, numa rápida piscadela do rapaz estupefato desapareceu veloz.
O encanto cessara. Refeito do susto, embora encabulado pela novidade, retomou a carreira ao seu destino, a olaria da fazenda.
O longo trecho inicial não o fatigou tanto quanto a curta distância ora percorrida. À frente do tio balbuciou espavorido algumas palavras a ele que o acolheu atento à sua surpreendente narrativa. A custo, com o passar do tempo, fez-se entender melhor, revelando, ao oleiro, num enredo próprio o que realmente se passara. 
O tio o tranqüilizou. Ele que dedicara boa parte de sua vida ali,  não por coincidência já ouvira um par de vezes falar no aparecimento dessa tal bola de fogo, reconhecida na região também como mãe do ouro; ela, por sua vez, ocasionalmente aparecia pelas noites na redondeza. Dada a extravagante aparência e inesperada aparição, chamava a atenção dos moradores da localidade pelo temor de uns ou  pela admiração de outros; porém, inexistia entre eles notícias de agressões ou danos provocados por ela. “Aliás, é bom que se diga, conforme ouvi de outras bocas, onde ela tocar o chão haverá de encontrar ouro. Por aqui, sempre aproveitei as condições frescas das noites queimando os fornos; as noites me são favoráveis embora a mãe do ouro nunca tenha me agraciado com a sua aparição --- suspira o magoado oleiro desgostoso ante o descaso do sobrenatural consigo. Prossegue: ...bem que gostaria de segui-la, ve-la baixando, baixando, até... poder comprar uma fazenda com o ouro! Despeja um riso pálido, seguindo-se ao sobrinho ansioso, este, envolvido em temor e  aberta curiosidade.
--- E o café?... onde você o deixou?
João Abílio olhou espantado para as mãos vazias.
 
A estrada carreira, marcada por profundos sulcos deixados pelos carros à tração animal, saía da Vila margeando num longo trecho a mata da fazenda do Lajeado, se estendendo além. Ao sair dessa estrada principal, adentrando a fazenda, rumo a sua sede, João Abílio percorria ainda extensa via dentro do roçado até encontrar novamente os limites da mata com o pasto. Da junção dos dois descia, cercando-os, reforçada proteção de arame estendendo-se à divisa do córrego; junto a ela, o rapazote a percorria pelo trieiro ao lado, o trajeto que o levava a seu destino, local de trabalho do tio.
João Abílio era um rapazote reconhecidamente corajoso e decidido; criado no vilarejo pelo casal de tios, tomou a si a tarefa de levar o desjejum a ele nas noites em que trabalhasse fora. Oleiro, o tio assumiu a responsabilidade de queimar os fornos da olaria da Lajeado, tarefa que lhe consumia dois dias semanais, aproveitando-se da amenidade das noites para tal. Cumpriria, assim, João Abílio, a prometida tarefa de, --- garrafa com o café e o bornal contendo os biscoitos fritos ---, usar da vitalidade que lhe era própria, correr o longo percurso de madrugadinha levando o alimento ao seu parente benfeitor.
Há pouco tempo que João Abílio praticava a proeza. Nos alvoreceres dos dias corria ante a visão das estrelas, e somente dessas, tão somente estrelas desde o inusitado  dia em que algo além delas o surpreendeu.

 
Os efeitos da aparição marcaram o espírito de João Abílio. Por outro lado, as explicações do tio mais o fascinou ainda, notadamente a relevância do ouro na estória.
O tio ali, há tantos anos, e nunca vira a tal de mãe do ouro, por que a ele, praticamente um visitante tivera o privilégio de tê-la tão perto? Haveria uma relação, um quê que os ligassem? Presumia já, o vaidoso rapaz, na presunção do fenômeno estar a admirá-lo! Julgava ele.
A menção do ouro fê-lo tomar uma providência: preparou, cuidadoso, fina e comprida vara de bambu, carregando-a em sua jornada rumo a olaria.
Aquela aparição, em si, poderia muito bem carregar o ouro em seu interior. A vara por seu turno teria  serventia. Por semanas a fio cumpriu o ritual da corrida. Ao Chegar no local da aparição parava e observava longamente em direção da mata, na forte expectativa do esperançoso fenômeno da bola de fogo aparecer. Os dias se passaram. Nada ocorreu.
Em decorrência da frustração, a vara, na avaliação do desânimo provocado pela reaparição incerta da mãe do ouro, demonstrava, no pobre rapaz, um estorvo: incomodava em suas mãos junto a outra encomenda. Certo dia caminhava ajeitando as coisas pelas mãos, ---- se afastava daquele ponto onde se dera o primeiro fato,--- inesperado  tino obrigou-o a voltar-se: algo rasteiro saia da mata brilhando, alteando-se e locomovendo-se a  iluminar fartamente o pasto, tomando, sob sua admiração, rumo da cerca onde ele se encontrava. Agora atento, confiante nas explicações com respeito a bonomia do estranho objeto confirmadas pelo tio, soltou a encomenda e empunhou, seguro, a comprida vara. A bola de fogo, a exemplo daquele outro dia, soltava labaredas regularmente e flutuava seguindo a cerca de arame até pairar a poucos metros do seu assistente maravilhado. Das labaredas desprendidas, ao explodirem no chão,  bolas ígneas voavam perto de seus pés sem, contudo, ameaçá-lo; constatava, porém, espantado, que aquele fogo estranho não  queimava! O misterioso disco brilhante e silente bem próximo do rapaz, permanecia acima estranhamente imóvel. João Abílio arriscou-se. Empunhando a vara aproximou-se tentando cutucá-lo por baixo. À medida que a vara se aproximava o objeto luminescente se alteava suave sucedendo repudiar o contato; várias tentativas se repetiram; em dado momento, como a fugir das insistentes tentativas de tocá-lo, voou lento deixando o local, seguinto rumo ao córrego, até pairar por sobre o gado que ruminava junto a cerca. 
Naquele ponto tornou-se magnífico, bem mais luminoso, não expelindo as labaredas à vista do  movimento de baixar sobre as reses. A ocasião foi a mais propícia. João Abílio, sorrateiro, golpeou-o no centro! Da pancada ouviu-se um barulho surdo, vindo dezenas de labaredas ao chão, ao tempo em que explodiu ofuscante clarão de mil sóis que veio cegar o rapaz, provocando repentino o estouro do gado. Tomado pelo pânico do ocorrido, o autor da façanha abandonou o bambu, e, aos trancos, desembestou-se desorientado rumo ao que supunha ser a olaria.
Esbaforido narrou ao tio a estranha ocorrência.
... Deixa amanhecer vamos lá olhar! Aconselhou-o o tio.
Mal puderam esperar. O sol, ao nascer, os flagrou no local. O gado disperso mantinha-se no outro extremo do pasto e, surpreendentemente, não havia vestígios de nada queimado; onde a bola de fogo fora abatida tornou-se o epicentro de um grande círculo em que a vegetação parecia ter sido cortada cuidadosa rente ao chão.  No mais, tudo estava completa e perfeitamente limpo.
Desde então não se ouviu mais falar em mãe do ouro na região.
 
 
 
 
 

moura vieira
Enviado por moura vieira em 28/10/2013
Reeditado em 01/01/2022
Código do texto: T4545370
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