O CONGRESSO

Distrito Federal, Brasília. 21h30min. Noite bela de Lua Cheia. Uma estranha movimentação é percebida nas salas e antecâmaras onde habitam e coabitam o poder dos Três Poderes. Neste horário, todos "os trabalhos" dos digníssimos magistrados da política, já há muito haviam se encerrado. Porém, o burburinho continuava de início em sussurros à boca miúda, depois em largueza de gargalhadas.

As grandes forças políticas; estavam reunidas para festejar suas vitórias "democráticas", que possibilitariam uma nova vida ao povo sofrido, do país canarinho e do samba de raiz. Nomes pomposos; eram ovacionados pela multidão ali misturada em um lauto banquete (o segundo se não me engana a memória): A.N, SJ, MS, CFH, MR, enfim. Compunha também aquela orgia, juízes, coronéis, empresários, bajuladores, testas de ferro, deputados, senadores e toda a camarilha oligarca. Apoiadores e coordenadores do retrocesso. Os maiores interessados pela depressão a qual, iria como fera estrangular; o gigante adormecido em um ultimo e derradeiro respiro.

Encontrava-me próximo as galerias da câmara dos deputados, observando aquela saturnal no salão oval daquela “casa”- Casa da Mãe Joana? Onde muitos dentre tantos ali dentro são da usura, acólitos responsáveis e verdadeiros "filósofos".

Quando de repente, o tabuado de nobre madeiro daquele parlamento de ilustres autoridades, foi se rompendo em crateras em sucessão de aberrações, das profundezas do Tártaro. Sob o riso cínico do Carrasco das Labaredas (o próprio Enganador da Safadeza).

Correntes e grilhões, fervendo, se prendiam a pele daquela gente, que outrora se deleitava em achincalhes. E dinheiro em abundância. Gritos, urros de dor, lamentações e tentativas de fuga, o rebu se espalhara pela Casa do Povo (ou seria a Casa da Mãe Joana?).

Seres da escuridão eterna: esfervilhavam seus risos monstruosos de posse de suas vítimas, torturadas em plenitude das mais cruéis das perversões, as quais, as palavras não têm nem como se aprofundar na imaginação deste que vos transmite esta história.

Homens e mulheres que outrora estavam de olhar corajoso e desafiador, agora eram vermes em armadilhas furibundas. Presos em uma maranha de gases sulfúricos, e sob os olhos vermelhos das bestas do lamaçal. E seus relhos, de chumbo derretido. Quando algo atraiu a atenção de todos, inicialmente, parecia um apito longínquo. Muito longe, que vinha se aproximando de onde a orgia de tétrico horror e sofrimento encontrava em seu ápice carnal.

A abóbada gigante a qual, outrora ecoava risos humanos, agora inumanos da canalhada gente debochada nas tribunas. Onde os jorros, dos mil discursos contraditórios e estúpidos de uma quadrilha lesa-pátria se fazia predominante, agora em silêncio terrível se sustinha.

Somente os ganidos e murmúrios das aranhas nos cantos empoeirados do congresso, eram ouvidos e carregados pelo vento para o exterior da negra noite. O sibilar do apito vinha cada vez mais profundo e assustador, era algo colossal que se aproxima de sua vítima (ou seria alvo?).

O ponteiro do relógio congelara-se exatamente ás 21h35min,quando o cristal da abóbada explodiu em milhões de fragmentos, retalhando rostos, braços, pernas, e intestinas tripas dos encarcerados (da própria ganância). Quem diria que a própria voracidade não se voltaria para se repastar dos próprios canibais.

Incidindo uma iridescente luz branca no interior daquela casa de podridão e cobiça. Desfigurando todos ali, até suas almas corrompidas de fealdade criminosa. Ladrões e seres do abismo em coito de carne se mesclaram no fogo maldito, na sua sanha de destruição não poupou ninguém em seu caminho.

Paredes, portas, mesas, divisórias, tudo foi sendo engolido pela boca voraz do monstro em seu sorvedouro miserável, não havia recanto ou porto seguro para o brilho que ia espalhando seus nojentos tentáculos para dar cabo dos pobres coitados, encurralados. Uma grande lufada provocou um violento redemoinho de proporções pavorosas, quando tudo ruiu com estrondo e poeira. E morte.

Foi então que ao amainar das trevas sufocantes, o que outrora havia ali naquele sítio: Nomes pomposos ovacionados pela multidão ali misturada em um lauto banquete (A.N, SJ, MS, CFH, MR,) e juízes, coronéis, empresários, bajuladores, testas de ferro, deputados, senadores e toda a camarilha oligarca. Apoiadores e coordenadores do retrocesso. Os maiores interessados pela depressão no país. Nada mais restava, todos foram tragados pela escuridão da própria mentira.

O próprio parlamento havia desaparecido. Restara uma grande e profunda garganta fumegante e muita poeira de enxofre. Sequer um dedo humano sobrara, nem vestígio de alma ou algo que lembrasse que ali um dia a corrupção fez sua morada.

Pude observar bem o buraco fundo, e cheguei a uma triste conclusão, o solo estava morto. Estéril. O que assassinara (ou devo dizer, provocara aquele trágico evento) não deixara nem as pedras inteiras. O que me leva a supor que nada ali irá se criar raiz. Quem sabe? Um dia retorno a este planalto e não encontro um prado de novas flores? Quem sabe._HGCP in: Flávio Amorim Dias, 26/10/2016.

Homem do Guarda Chuva Preto
Enviado por Homem do Guarda Chuva Preto em 31/03/2018
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