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O Anjo que servia no deserto



 
          Desafio no deserto - Michelle Nascimento                           https://www.youtube.com/watch?v=2QuQFUo-UVY




Ela era de estatura mediana, corpo acima do peso, pela branca, que brilhava ao sol. Usava uma túnica longa, de mangas compridas ,de algodão cru, grosso, com um colete de couro curtido como sobretudo.

Trazia dois embornais, um com pequenos pedaços de uma espécie de pão achatado e duro, em forma de bolachas, de sabor agridoce. No outro trazia pequenos tubos, contendo água vitaminada.

Suas pernas estavam vestidas por uma calça de algodão, os pés cobertos com couro curtido, macio por dentro e resistente por fora, em forma de bota longa, que prendia as calças por dentro, sendo que a sola era de couro forte, resistente, mas macio, que não machucavam seu pés.

Trazia na cabeça um chapeu e couro curtido, macio, sobre lenço de algodão cru, e nos olhos óculos para proteger do sol e da areia, porque eram muito claros e sensíveis.

A necessidade de toda essa vestimenta se dava porque era senhora, e precisava estar preparada para enfrentar as dificuldades que encontraria deserto a fora.

Resolvera realizar essa missão, depois de ver muitas vidas se perdendo, nas grandes jornadas fugitivas, tanto das guerras, quanto da fome e das pestes. Tinha muita fé e crença, e tudo estava guardado em sua mente e coração. Suas palavras eram de fé, esperança e consolo. Sempre pedia ajuda de Deus, dos Anjos e que o Espírito Santo a ajudasse e iluminasse.

Não tinha mais nada que a prendesse; precisava encontrar algo útil e verdadeiro para fazer; e ser uma missionária comum ela não queria. Seria um Anjo, a distribuir pão e água, às almas desvalidas dos fugitivos, limpando as feridas, falando palavras de conforto, fé e confiança em Deus.

Quando chegou no acampamento dos sírios fugitivos, que estavam acampados na Grécia, sem apoio do governo grego, viu o quanto de sofrimento havia naqueles rostos, cheios de lágrimas e de dores, que eram visíveis em seus olhares torturados pelos dias de caminhada, entre o frio e o calor, dos desertos e dos mares.

Trazia uma pequena barraca, nas costas, com apetrechos essenciais, que conseguiu comprar na vila onde ficava o acampamento dos refugiados sírios. Não era uma pobre peregrina, mas uma pessoa que se destinava a amenizar o sofrimento das pessoas.

Armou sua pequena barraca e saiu avisando que tinha comida e água, e que poderia ouvir as histórias. Usava o celular para realizar a tradução do que falava. E passava para que fosse lido; e assim acontecia a comunicação. Deixou sua câmera de celular ligada num lugar visível aos atendidos, que aos poucos foram chegando e em pouco tempo tinha uma fila a espera da atenção ofertada pela estranha figura.

Entravam na pequena barraca, onde tinha duas cadeiras, uma em cada lado da pequena mesa. Entrava um por vez, e cada um recebia três pedaços do pão asmo e um bastão contendo a água vitaminada.

O atendimento iniciou durante a manhã do dia seguinte avisado; e durou até tarde da noite, adentrando noite adentro, varando os dias seguintes, não sendo interrompido o atendimento, enquanto todas as pessoas fossem atendidas, algumas mais de uma vez.

E a mulher, firme, tinha toda a atenção dispensada a quem estava atendendo, sem se preocupar com quanto tempo durava a seção terapêutica. A pessoa entrada com o olhar caído, sembrante anuviado e cheio de tristeza. E saia com os olhos lacrimejados, com leve sorriso nos lábios.

Assim foi durante vários dias. As pessoas, mulheres, idosos, crianças, homens, eram atendidos um a um. Falavam o que sentiam necessidade de dizer. Ouviam palavras ditas pela Senhora misteriosa, numa linguagem que não entendiam, mas que sentiam e lhes fazia arder o coração.

Com o Evangelho de Cristo no coração; com a fé e a esperança da Verdade do Amor divino, a pequena senhora evangelizou vários sírios, em vários campos de refugiados, Europa a fora, sempre levando pão e água, e palavras que edificavam os corações sofridos.

E através do trabalho missionário desta e de tantas outras pessoas, o exemplo do Amor de Cristo foi multiplicado, e as pessoas passaram a entender que sem compaixão, solidariedade, união na bondade e no amor caridoso, não podemos vencer esse mundo cheio de trevas e sombra de morte, onde a dor assola os corações.

Vale lembrar que durante o atendimento, não havia reabastecimento dos pães e tubos de água ofertados aos atendidos. Somente depois de todo o atendimento a estranha e misteriosa senhora se dirigia a um pequeno apartamento alugado, com apenas um cômodo com cozinha e banheiro pequeno anexo; e lá produzia o material que levaria no atendimento seguinte. Ela comprava os ingredientes e a água potável nas cidades perto dos acampamentos. Sempre usando de seu aplicativo no celular para se comunicar.

Foram anos de trabalho de alimentação e evangelização, de uma maneira em extremo simples e natural. E sem nem mesmo perceber, todos recebiam do pão da multiplicação, como Cristo fez, quando pregava no deserto.


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Esse conto é baseado no meu desejo de ajudar o mundo. Baseado nas minhas ideias de como é possível ajudar, sem precisar violentar a fé e a religião de ninguém. Apenas com palavras de amor e conforto. De uma maneira simples. Pois muitas vezes as pessoas só precisam de um pedaço de pão e algum ouvido para desabafar as suas dores. No caso em tela, as conversas gravadas, sem nomes, sem identificação, as pessoas contando de seus sofrimentos e experiências.
 
#ficaaideiadequeajudarpodeserbemsimples //

Qualquer semelhança com algum fato real
é mera coincidência. ( kkkk)
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Esse conto veio depois que li o conto do meu querido amigo e irmão na fé, Leandro Severo - B'MIDBAR -
eu sempre tenho dentro de mim a vontade de ajudar -
e vendo no conto do meu amigo as pessoas morrendo por falta de água e comida, vim aqui e escrevi.
Grande abraço, querido amigo!

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Deus abençoe os povos do mundo,
que estão tão sofridos e carentes do amor simples
e sincero, que Cristo concedeu, quando de sua vinda na Terra; e nos orientou =  "Ide por todo o mundo,
pregai o Santo Evangelho do Amor..." //
" - E nunca se esqueçam dos pobres,
oprimidos, aflitos, devendo vós estender-lhes
as mãos, em ajuda! Assim seja! Amém!!!"

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Maria Tereza Bodemer
Enviado por Maria Tereza Bodemer em 14/02/2020
Reeditado em 14/02/2020
Código do texto: T6866350
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Maria Tereza Bodemer
Rolim de Moura - Rondônia - Brasil, 57 anos
1184 textos (32855 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 17/02/20 04:29)
Maria Tereza Bodemer