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Coloque mais furos nesta estória


Sou um Vampiro antigo, quase cafona, do tempo do ronca, muito mais velho que qualquer Vampiro de antigamente. Produzi o primeiro filme vampirico, estava aqui no dia do fico, vim com a família real ao Brasil. Cansei daquelas festas na corte na Europa. Porque não aventura? Agora digo que sou antigo porque sempre valorizei a criatividade humana. Sou eu responsável pela sobrevida de Tonia Carreiro, Paulo Autran, Margareth Menezes... Só alguns nomes que vem a memória. Acho que a cultura de um país deve ser preservada e porque não tornar vampiros aqueles que a fazem? Mas ultimamente tem ocorridos fatos tristes. A grande expressão esta sendo substituída pelas mortes súbitas. Parece que pouco a pouco o século XX morre definitivamente no século XXI. Como se fosse preciso fazer uma limpeza artística e filosófica para que esta turma nova assuma o seu lugar.
Com tudo isso, devo revelar a minha estória. Nasci em berço Europeu de uma linhagem vampirica perfeita. Sou Vampiro desde nascença pois fui parido por uma vampira. Coisa muito rara hoje em dia mas antigamente os vampiros faziam amor e tinham filhos. Acho que era aquele momento de transição de humano para Vampiro. Eu mesmo gosto de fazer amor. Estes Vampiros novos nem sabem o que perdem. É algo maravilhoso você sentir o desejo e a entrega total sem nenhum constrangimento à espera de qualquer coisa. É uma entrega sem medo. A morte pode ser apenas mais um instante. Gosto mesmo deste momento. Acho que por tudo isso, fui me encontrando e tendo tantos nomes durante a história da humanidade, Barba azul, Rudolfo Valentino, Marques de Sade. Por falar nisso foi uma fase que não gosto de lembrar muito. Sabe aquela coisa de jovem que quer experimentar de tudo? Também cheguei a ajudar a escrever o Kama Sutra mas naquela época eu era ainda aprendiz. Acho também que isto criou este sentimento de valor nesta raça que os Vampiros de hoje desprezam. Nem sei porque afinal todos temos que comer de alguma forma.
Devo confessar. Também fui apaixonado. Catherine de Aragon. Que mulher perfeita. Que luxuria. Que forma de amar. Esta fez escola. Uma noite com esta mulher e nada mais seria o mesmo. Tenho saudades dela até hoje. Prolonguei o máximo a vida dela mas aquele rei fominha queria tudo para ele. Depois tive que matá-lo sem piedade.
Muitas mulheres passaram na minha vida. Frida Kalo foi uma surpresa. Apesar da dor fazia amor como ninguém. Mata Hari então. Usava o seu corpo como se fosse um violino tocando ária Espanhola. Que saudades. Incrível como mesmo vampiro eu me balanço quando lembro destas grandes paixões. Pensando bem é melhor não fazer amor mesmo. A gente não cria compaixão. Eu ainda tenho aqueles problemas antigos com a Cruz, Alho, estacas. Eu mesmo sonho que se um dia for morrer que seja com estaca de carvalho da madeira que Cristo foi crucificado. Gosto deste homem. Não cheguei a conhecê-lo mas tenho aquela admiração.
Leio tudo que escrevem. Este filme novo Blade 2 não está com nada. Não existe isso de raça nova, vampiro que anda ao sol, onde já se viu? Já quem ler Luar de Vampiro de Giulia Moon vai se deliciar com a Dama Branca. Não é meu estilo mas é uma boa visão. Com Maya já estive varias vezes mas ainda não tive oportunidade de fazer amor com ela. Ela sim gosta de uma boa vida. Somos meio que divergentes no gosto mas também gosto de fortes sensações.
Hoje ando meio estranho. Tenho que assumir um personagem novo e ainda não sei quem devo ser. Por enquanto vou ficando por aqui. Depois eu coloco mais mordida nesta estória.
Lorenzo Giuliano Ferrari
Enviado por Lorenzo Giuliano Ferrari em 23/11/2007
Código do texto: T748687
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Sobre o autor
Lorenzo Giuliano Ferrari
São Paulo - São Paulo - Brasil, 54 anos
1839 textos (51487 leituras)
1 áudios (2458 audições)
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Lorenzo Giuliano Ferrari