Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Dr. Dimitri - N° 09

                           Ronyvaldo Barros dos Santos

                                      Dr. Dimitri
                                         N°09



Parte I – Do que prosseguem as fantásticas ocorrências que ficam registradas nestes impressionantes relatos

              Muitos dos que acompanharam e souberam dos sucessos do Dr. Dimitri evidenciaram relatos sublimes acerca do Caso Wesley da Silva e o acometimento ao aprendiz Julius que ocorrera em sua residência.
             Os fãs do detetive apostavam na inocência da atriz Kristin James que havia repercutido ao redor do país, caso que ficara a cargo do maior inimigo do Sr. Kosovski, o investigador Meirelles, como ficara conhecido.
             Julius, por sua vez, correra perigo de morte quando uma misteriosa figura cortara-lhe o pulso direito e deixara-lo preso à própria sorte.
              Os relatos que se prosseguem são surpreendentes.


Parte II – Julius se encontra espasmódico e Dimitri está pensativo

              O aprendiz não poderia enxergar com propriedade e ainda sentia dores e espasmos que perduravam. Estava sem vigor. Muito sangue escorria do seu pulso e ele se encontrava muito abatido e insone. Pensava em tantas coisas e era assolado por tantas dores que não conseguia vencer o embaraço da morte que vinha.
               Recordou-se repentinamente do Dr. Dimitri e passou a crer que Deus faria com que o investigador o salvasse da morte. Pensou tão intensamente no Sr. Kosovski que lhe avistou numa quimera. O corpo do detetive resplandecia como se fosse o seu anjo da guarda. Ele enunciava: “Acalme-se, meu bom aprendiz, salvar-te-ei da extinção”. E então Julius ficou esperançoso acerca da sua vitalidade. Pensou em Deus em tão alto grau, como nunca o fizera antes. A paz preencheu-lhe o espírito.
               Enquanto essas coisas ocorriam, Dimitri refletia mais sobre o que teria ocorrido na noite do assassínio de Wesley da Silva. Procurou seguir a sua tão famosa astúcia para solucionar os mais pérfidos e complexos casos. Começou a arquitetar ocorrências que se encaixavam nos episódios contados pela atriz Kristin James; em seguida, renunciou a qualquer evidência que lhe tenha narrado qualquer um dos réus, para melhor averiguar os fatos contados pela senhorita James e para confirmar se aquelas citações eram verdadeiras ou inverídicas.
              Julius, a este ponto, corria muito mais perigo de morte e aos poucos se ia a sua vitalidade. A sua consciência variava todo o tempo, culminando num estado de demência. Finalmente desfaleceu neste ponto e já estava sem consciência; mas não lhe fora a esperança, que prevalecera dantes.
               Dimitri Kosovski tomava o chá das vinte em companhia da sua sobrinha, que lhe observava refletir. Ali não jazia a senhorita James, pois estava em seu quarto de hotel, o que dava liberdade à jovenzinha de questionar ao tio o que sentia pela atriz, ao passo que Dimitri não lhe proferia palavra; em silêncio, pois, cogitava coisas mais importantes acerca da Mademoiselle. Chegara a compreender que Wesley da Silva tinha muito dinheiro, mesmo o que roubara do jovem prodígio, sobrinho da atriz. Começara, deste modo, a avistar todo o local do crime e os fatos se seguiam como o parecia ser. Lobrigou todas as cenas que se seguiam, parecendo que finalmente chegava a uma conclusão crível. Não obstante, como encontraria provas? Começou a imaginar como confirmaria as suas suspeitas. Até que chegou a um veredito, tencionando comprovar as evidências acerca do que confiava.
                Mesmo estando fora do caso, Dimitri começou a delinear uma retaliação às confissões do detetive Meirelles. Principiou pelo encontro provável das vítimas do acaso — Wesley e Kristin.
               Brevemente marcaria um encontro com a senhorita James para elucidar alguns orifícios que havia.
               Julius, neste ponto, estava mais próximo da morte. O seu estado era deprimente. A pele do aprendiz estava demasiado alvadio e o fantasma já havia se retirado do local.


Parte III – Meirelles e as suas evidências baseadas na verossimilhança

               O Capitão Meirelles, como era conhecido, analisava todas as hipóteses sobre a participação da senhorita James no assassinato do cruel homicida Wesley. Marcou uma acareação com a atriz e com o réu, o Sr. Isaias.
               Após as inquirições, deu uma piscadela para o delegado Roberto, que não reagiu ao ato do detetive. Mesmo não confiando em Dimitri Kosovski, o delegado não gostava do Capitão Meirelles e não apostava que ele teria sucesso no caso, mesmo sendo tão instruído e famoso.
                Após tantas averiguações, dizia o detetive que já tinha em mãos o verdadeiro réu ou a verdadeira ré do caso. Não bastava dizer isso, convenceu-se de que estava integralmente correto em sua avaliação, acorrendo ao comissário, confirmando-lhe as suas suspeitas e exames.
                Outrora ele havia desvendado um caso muito famoso que envolvia o presidente de uma emissora de televisão. Este detetive abarcava evidências baseadas na verossimilhança, o que lhe seria mais provável de ser correto; e, pois, sempre acertava em suas deduções. Só não era mais famoso que o investigador Dimitri Kosovski, mas pretendia ser ainda mais conhecido que o investigador dos chás, como gostava de nomear o Dr. Dimitri.
               Após algum tempo, o Capitão Meirelles apresentou o resultado das suas perícias ao comissário Batista. Segundo elucidava ao chefe da investigação, Kristin James havia tido um caso amoroso com a vítima. Após pressioná-la, ela acabou confirmando que havia dormido com Wesley da Silva. A atriz havia omitido isso por muito tempo e já estava acertado que essa omissão da senhorita trazia à baila a sua culpa no caso.
               No momento em que se dizia estas coisas, Dimitri entrava na sala do comissário e, por acaso, escutou as confissões do investigador Meirelles acerca da sua senhora. Decepcionado, ele se retirou da delegacia de polícia com um ar cabisbaixo, mas com um humor consumido em suma cólera.
              Assim que se retirava da delegacia, o delegado Roberto interrompeu o Sr. Kosovski, questionando-lhe:
              — Onde se encontra o co-investigador Julius Monteiro, que não aparece há horas?
              O investigador, ainda consumido de fúria, deu de ombros ao delegado; contudo recordou-se melhor do aprendiz e pensou em visitá-lo em sua casa.
              Ao ingressar na residência de Julius, encontrou tudo calmo. Chamou-lhe, mas ele não respondeu. Dimitri achou tudo muito estranho e abriu a porta da casa com facilidade.
              Encontrou-lhe na sala ensanguentado e desfalecido. Restava-lhe senão uma gota de vivacidade, pois a sua pele havia perdido toda a coloração. Neste momento, o Dr. Dimitri sentiu uma demasiada e dolorida palpitação no peito, acudiu o seu parceiro com sumo cuidado e atenção, reservando-lhe todos os seus pensamentos. Cuidou para que Julius não se machucasse ainda mais. Deitou-lhe sobre um sofá e imediatamente chamou a emergência por telefone.
             Enquanto esperava os paramédicos, o investigador tratou de observar cuidadosamente ao derredor, chegando à conclusão de que o bandido não estava mais ali.
 

Parte IV – Fim ao Caso Wesley da Silva

              Mesmo muito preocupado com o estado do aprendiz Julius, Dimitri partiu para o tribunal a fim de apresentar ao júri, mesmo desobrigado do caso, as provas que obteve que poderiam exemplificar a inocência da sua gloriosa atriz Kristin James. Este momento era decisivo, pois o Capitão Meirelles colocaria a panos limpos a sua verdade em relação ao que ocorrera na noite do crime, condenando a senhorita.
              Dimitri chegou antes de se dar início à sessão. Sentiu-se agastado, todavia prosseguiu dizendo ao comissário que tinha provas da inocência da ré e que desta vez era definitivo. No entanto, Batista deu de ombros e indagou ao nosso herói:
              — Estás louco, homem?
              Dimitri, com um ar pouco avisado, disse:
              — Ela teve sim um caso com a nossa vítima, contudo eu sei onde está o dinheiro que o sequestrador tanto queria. E se isso não explicar o sequestro, posso conferir ainda que o homem é um assassino frio e tinha motivos para matar o seu irmão.
              — Irmão? — questionou o comissário.
              — Presumo que o meu rival não desvendou isso. Sim, o assassino era irmão da vítima. Eis a prova — Dimitri entregou-lhe uma certidão de nascimento de ambos, assassino e assassinado.
              Após isso o comissário dedicou a sua atenção integral ao que narrava detalhadamente o nosso herói, que aproveitava para tomar o favorito chá das vinte.
              A seguir chegou o Capitão Meirelles, que fez uma troça ao Sr. Kosovski, denunciando-lhe mentiroso. Mas veio-lhes a senhorita James, que enlaçou o Dr. Dimitri, sussurrando-lhe ao ouvido coisas indecifráveis, porém afetivas. O detetive sorriu. Entretanto recordou-se do seu camarada e seguiu ao hospital sem mais proferir palavra.
              Ingressando na UTI, o investigador recebeu uma notícia não muito boa. O estado de saúde de Julius era grave, houve um comprometimento do sistema cardiocirculatório, pois a hemorragia havia atingido a Classe IV.
               Dimitri sentiu-se muito melancólico e baixou a cabeça, ficando assim por um longo tempo.


                                                                             Fim.


Ronyvaldo Barros dos Santos
Enviado por Ronyvaldo Barros dos Santos em 19/06/2009
Reeditado em 05/02/2010
Código do texto: T1656854


Comentários

Sobre o autor
Ronyvaldo Barros dos Santos
Brazlândia - Distrito Federal - Brasil, 32 anos
47 textos (2705 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 30/09/20 19:01)
Ronyvaldo Barros dos Santos