O mistério do Beija flor. FINAL

Cheguei ao vagão o Dr Fritz esperava por mim. Ele me levou pra dentro e explicou que haviam feito a mudança pra que a pesquisa andasse mais depressa. Com o material nas mãos a primeira a ser colocada na máquina foi a menina do lenço. Fiquei horrorizado com o rosto dela. Havia penas por todo o lado. Ela estava realmente horrível. Tomei o cuidado de explicar detalhadamente em cada pacotinho de cabelo o nome da menina a que ele pertencia. Assim nada daria errado.

Gisele explicou-me que tentara fazer com a menina mas que não funcionou porque o DNA dela estava misturado ao do Beija flor e portanto só reduziu um pouco a mistura, como mel com água que ainda fica um pouco adocicado. A experiência dura uma hora e durante este tempo ficamos conversando.

O dr Fritz contou-me tudo o que havia acontecido desde o começo. Tentara usar a máquina na filha dele pra melhorar seu estado depressivo. Mas segundo Gisele, a pena de Beija flor que estava dentro da máquina, transformou a menina em um quase beija flor. E quando ele tentou mais uma vez, na esperança de que ela voltasse ao normal, ela virou um beija flor e saiu voando pela janela. Tentou mandar outra menina atrás dela mas ela se recusava a voltar ao normal. E foi mandando outras amigas, que tentaram de tudo, mas não conseguiram. E quando ele quis trazer as meninas de volta, não conseguiu mais e entrou em desespero. Foi mandando outras pra terem com quem brincar e conversar. Elas estavam se divertindo mas ele não. Quando uma delas apareceu machucada (porque bateu no carro, pensei), ele viu que elas corriam perigo de vida porque o beija flor era delicado demais. Sabia também que seus pais estavam pensando horrores e continuou a trabalhar na máquina, até encontrar a Gisele que descobriu a foto, abriu a porta e convenceu -o a deixá-la ajudar. Ela estava sendo de grande valia. Agora, juntos estavam resolvendo tudo. Eles tinham certeza de que daria certo mas eu não tinha. Disseram que chamavam os beija flores pelo nome com o apito, e eles vinham. Fiquei com tanto medo que resolvi ir embora.

Já se passara uma semana que eu havia prometido ao povo a solução do caso. Hoje a noite era a missa pela alma das meninas na praça da cidade. Disfarcei-me e fui pra praça. Não queria ser reconhecido. Falei antes pra Gisele sobre a missa.

A multidão chegou cedo pra missa. Só faltava o padre que demorou a chegar porque tinha que celebrar na igreja e depois passaria em uma igreja evangélica pra levar o pastor. Ele queria que fosse um culto ecumênico. Era pra ser às dezenove horas, mas já era quase oito e nada do padre. As beatas da cidade começaram a rezar o terço, pra multidão não dispersar, porque tinham certeza que o padre viria.

Eu estava uma pilha de nervos e ainda bem que todos estavam tão preocupados com o atraso do padre quem nem me notaram. Minha capa de chuva sobre os ombros e o guarda-chuva que me protegia dos chuviscos não me denunciavam. A Chuva tinha passado mas mesmo assim era normal eu estar vestido assim.

O padre chegou as 8 horas em ponto com o pastor da igreja mais próxima dali. Ele chegou paramentado e já começaria a missa quando de repente comecei a ouvir o assovio do apito do médico. Olhei pra trás e meu coração acelerou. Não podia gritar porque a multidão primeiro me bateria e depois saberia o motivo e então esperei. A beata que estava ajudando o padre, olhou pra frente, de cima do altar que haviam preparado para o padre aos pés da estátua do beija flor, gritou muito e desmaiou. Todos olharam pra trás. Foi umas confusão. Algumas mulheres desmaiaram e outras saíram correndo em direção ao cortejo.

O Dr Fritz vinha na frente dançando aquela dança esquisita em que ele batia os pés um no outro, rodopiava e dançava de passo em passo. Sua cara de felicidade era contagiante. As oito meninas vinham logo atrás e do lado dele. Estavam cercados e acompanhados por centenas de beija flores que seguiam ao som do apito. Era uma festa de cores e de alegria. Não me controlei e dei pulos de alegria. Gritei pra todos: Olhem !!! Quem ainda não tinha visto viu e foi aquela festa. Cheia de abraços, lágrimas de felicidade e tudo o mais que o momento pedia.

Dr Fritz explicou a todos, ajudado pelas meninas, tudo o que tinha acontecido. Elas disseram que estavam bem e que só queriam ajudar a amiga a voltar a viver feliz. Agradeceram a mim, JH, e disseram que eu tinha sido um herói. Mas eu falei que a heroína era mesmo a Gisele.

A mãe de Gisele e de Pedro não tinha tido um enfarte. Na verdade era só uma crise nervosa que a fez entortar um pouco o rosto. O Dr Fritz prometeu apadrinhar os dois gêmeos nos estudos.

_Essa menina é um gênio!!! Faço questão de dar a ela o melhor estudo. Ela vai se tornar a melhor cientista que este mundo já viu. E quanto a vocês, de agora em diante estarei a disposição de todos no meu consultório, com consultas gratuitas pra todos que me ajudaram e suas famílias. Vocês são maravilhosos e merecem tudo de bom. Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Por isso contratei uma banda pra tocar depois da missa que não será mais de tristeza e sim de Ação de Graças.

Depois da missa, realmente a festa foi demais. Tinha tudo de bom. Banda de música e comida grátis e balões. E muitos bebedouros para os amigos beija flores, que receberam as meninas e cuidaram delas, enquanto cada uma delas também era uma Beija flor, e merecem também colher os louros.

Candance Citty nunca mais esqueceu esta data, e os beija flores continuam a ser os melhores amigos de todos os habitantes daqui. Ai de quem fizer mal a eles! A estátua desse bichinho foi reformada pelo Dr Fritz e foi contratada uma pessoa para garantir néctar de verdade, com um jardim de flores só pra eles na praça. Cada cidadão também aumentou o jardim em sua casa. O prefeito da cidade, contratou Pedro pra contar essa história num livro, que é passada de pai pra filho aqui. Os turistas que chegam aqui, adoram esse colorido e acabam conhecendo a história do “Mistério dos beija flores”.

FIM

Nilma Rosa Lima
Enviado por Nilma Rosa Lima em 17/09/2014
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