NOS LIVROS ENCANTADOS DE SEU GUILHERME.

 

Hoje passado uns trinta dias dês de quando seu Guilherme saiu de férias, aquela enorme estante repleta de livros estava lá quase do mesmo jeito que deixou, digo quase por que algo misterioso aconteceu naquela ausência.

 Seu Guilherme ainda não certificou dessa verdade, está a caminho nesse regresso a seu lar doce lar, vai ficar muito surpreso quando lançar os olhares a sua coleção de enciclopédia exposto no primeiro lance de cima para baixo.

 

Tudo demostrava a maior perfeição no que se refere o serviço da moça chamada de Rita, tudo limpo das poeiras, até as pequenas farinhas deixadas do último biscoito que seu Guilherme comeu foram limpas, dona Rita estava sempre aposta em sua função, só dona Rita tinha a autorização de rodar aquela maçaneta e adentrar naquele paraíso encantado de livros de todos os gêneros literários, todos viventes daquela casa tinha um modo carinhoso de dirigir-se a dona Rita, uma leve pitada de eufemismo ao evitar a palavra faxineira,   diziam ser ela a secretário desse lar.

Do terceiro andar podia-se ver que um Jeep dos modelos mais antigos, para bem ali frente a portaria, o controlador de acesso estava um pouco distraído a alguns quinze metros de lonjura, o sindico desse prédio o ordenou que arrancasse aqueles poucos matinhos que nascera rente o muro, seu Guilherme acionou a buzina umas duas ou três vezes, nesse momento Marcelo correu e foi logo atender o pedido que abrisse o portão, ainda o chamou atenção:

- Como é seu Marcelo, vai ser preciso esperar sua boa bondade para correr esse portão? “disse em tom autoritário fazendo valer sua forte palavra”.

- Pronto, pronto, estou às suas ordens, pode falar seu Guilherme. “respondeu Marcelo meio embasbacado tropeçando nas palavras

- Estou apressadíssimo para chegar em meus aposentos e você me deixa assim tão estressado? Cuidado, quem tem seus empregos, preserve-o, não se esqueça que eu ainda sou o dono desse palácio de concreto armado. “Seu Guilherme disse em tom de alerta exigindo atenção do rapaz”

- O senhor me desculpe, o sindico do prédio me exigiu que eu fosse retirar aqueles matos que nasceram junto aos tijolos do muro, que faz parte do jardim. “Marcelo muito amedrontado com a ameaça de desemprego, ainda conseguiu relatar esses fatos”

- Está bom, está bom, amanhã quero ter um dedinho de prosa com esse sindico, não sabe ele que a portaria é muito mais importante que quaisquer matinhos que nascem nesse gramado, para isso temos um profissional jardineiro, cada um em sua função.  Comigo é assim, se não me serve, vai pra rua, pra rua mesmo. “Disse seu Guilherme com firmes palavras”

Logo esse bom senhor estaciona seu veículo em sua vaga privada, puxa o freio de mão, desliga o motor, desce e caminha para seu espaço moradia, todos que cruzaram com seu Guilherme estranharam com admiração, como esse senhor estava tão queimado de sol, essa visita em uma dessas suas propriedades no interior marcou sua aparência, ele estava super cansado, mas durante uns oito dias tudo fica normal, a pele branca de europeu estará destacando novamente.

Entrou, tomou seu banho como sempre, fez sua refeição marcada para esse horário. Todo o pessoal deu boas-vindas, apesar de ser o próprio chefe dessa família. Dirige-se até sua biblioteca, seu espaço privado, onde descansa em sua confortável cadeira de balanço, com a vidraça super arreganhada, de cortina recolhida, percebe-se tudo ao seu redor, a cidade, os edifícios ainda que apagado pela fumaça desse mês de agosto, pela primeira vez evitou fixar os olhares em sua vasta exposição de livros, só buscaria seus exemplares recém adquirido depois que repusesse todas suas energia gasta nessas horas de longa viaje diante dos comandos desse já bem velho Jeep, ele sofria esse desconforto por não querer adquirir outro veículo novo, seu Guilherme sempre muito excêntrico, mas sentia pressa de devorar aquelas páginas e completar aquela leitura, que ficou pela metade, tinha certeza que havia parado na página sessenta e um, coincidência ou não o mesmo número de sua idade.

Depois que acordasse desse soninho ao meio dia, continuaria com sua rotina de sempre e assim fora feito, se espreguiçou, se esticou deixou se esparramar pela sua confortável cadeira de balanço, antes pediu que ninguém o incomodasse nesse sono.

Algumas horas depois desse relaxamento total, o sábio velho, até antes de abrir os olhos desse sono, ainda na madorna, mesmo que não se tratava de nenhum problema de saúde, vai despertando para a realidade, aos poucos foi logo percebendo a presença da molecada nessa casa, os falatórios dessas crianças netos de seu Guilherme já fazia presença nessa casa, apesar da bagunça que eles promoviam nesses compartimentos, mas o velho sábio já estava sentindo saudade, a final são trinta dias longe desses pestinhas, mesmo estressante, mas o amor pelos netos fala mais alto, vovô Guilherme quando se junta a essa criançada também se passa por um menino de cabeça prateada... no momento são poucos fios de cabelos, mesmo assim ainda se enturma bem com essas peraltas criaturas.

Enquanto corriam brincavam com bolas parecendo um jogo de futebol mesmo desordenado, sem escalação, o velho Guilherme ousa a passar despercebido, passa pela portaria, caminha uns quatrocentos metros para chegar até a padaria, pelo aroma que expandia no ar já se podia perceber que os pãeszinho estavam saindo do forno para a exposição dos fregueses, ele faz seu pacote de refeição de meio de tarde, o velho de camiseta e bermuda clara e tênis branco ponha a caminhar de volta para casa, esses pequenos minutos de exercícios são esforços de motivações para esse dia a dia, isso o faz tornar mais revigorante.  

Desse poucos menos de trezentos metros longe de casa, esse sábio senhor já percebeu algo diferente nesse seu prédio, em sua ausência fora feito uma pequena reforma no visual, as cores voltaram mais forte para a visão daquele grande observador senhor Guilherme, a cor beje ficou mais uniforme, o azul claro da parede do lado da biblioteca de seu Guilherme, ficou mais viva e a parte que estava caindo a pintura foram reformado, mesmo assim seu Guilherme achou que todas essas despesa foram desnecessária, apesar de todo o embelezamento dessa sua edificação, mais uma pauta a discutir com seu empregado seu síndico, essa reunião acontecera na sala da portaria, assim sendo os cuidados e controle de entrada e saída continuará com a mais perfeita vigilância.

O velho sábio depois de suas refeições dessa tarde e seus deveres de higienes serem cumprido, dirige-se até o fim do corredor, logo com seu molho de chaves em mãos escolhe a que abriria essa bendita porta, roda a maçaneta, entra e aí começa sentir que por esses raios de luz que adentra pelo janelão ilumina toda aquela ampla sala de leitura, observa todo seu ambiente, gosta de tudo em seus devidos lugares, seu computador portátil ali naquele espaço vago na biblioteca, dês de quanto voltou dessa viajem às suas propriedades, com essa infinidade de informação nessa rede mundial de computador, ainda prefere assistir ao noticiário local, na tela de seu inseparável notebook, foliando alguns livros, revistas e jornais.

 Enquanto isso o apresentador telejornalista relata os acontecimentos ocorridos naqueles três dias anteriores, logo seu Guilherme em um sobressalto vira os olhares atentos para a pequena tela que transmitia nessa hora todos acontecimentos, dizia de um militante assaltante já conhecido da polícia, no momento que fora capturado, os reportes de programa policial que transmitia naquela frequência o entrevistou:-

- Estamos aqui diretamente nessa transmissão com Jorjão, o indivíduo é assaltante de residências, já invadiu muitas casas nessas vilas residenciais, trata-se de um bandido muito perigoso, já é conhecido da polícia.

 

O pessoal da redação pede para que esse reporte dos trabalhos externos entreviste o meliante.

 

Seu Guilherme dirige-se toda atenção, esse assunto interessa, diz tudo de segurança e vigilância, isso ele já está pensando em investir para suas propriedades.

  

- Sim, entendido, já me preparava para essa etapa, precisava estar frente a frente com ele, não estava conseguindo, agora tudo OK.

 

O âncora que estava nos estúdios apressando esse reportar para que tudo seja esclarecido para esses telespectadores.

 

- Jorjão, Jorjão, uma palavrinha aí por favor. insistiu esse reporte de rua.

 – Sim, pode perguntar, seja rápido.

 

- Você está arrependido por tudo mau que tem causado a essa gente às quais você cometeu esses prejuízos? Perguntou o profissional da imprensa televisiva,

 

- Não! arrependimentos é bobagens, se eu tenho uma dívida com a sociedade devo pagar com meus sacrifícios, a carceragem é o maior inferno, só aí já basta de sofrimento, daqui a uns cinco a oito anos estarei de volta a liberdade, muito mais velho sofrendo infinidades de doenças, isso é inevitável. Disse o assaltante de residências agora capturado.

 

Cada vez mais seu Guilherme ficava convicto, sabia da necessidade de reforçar a segurança em volta de seu prédio de poucos andares, mas de moradores importantes.

Reporte entrevistador pergunta:-

 

Jorjão, você tem profissão, o que tem feito todo esse tempo que esteve livre depois dessa última pena cumprido? Pergunta o reporte

 

 -Sou pintor de residências, tenho uma longa experiência nessa profissão, já pintei muitos prédios e residências nessa cidade. Disse orgulhoso de seu ofício.

 

- Profissão de pintor de residências no entanto assaltante de residência, só aí já dá para imaginar um milhão de coisas. Disse seu Guilherme pensando em voz alta.

 

Reporte – Qual foi seu último trabalho? Diz aí

 

- Os dois últimos foram, aquela loja amarela da esquina das duas ruas principais – sabe qual?

 

- Sim, sim!... conheço aqueles lojistas, são meus amigos, conheço sim. Afirmou o profissional da imprensa – e o último, onde foi?

 

- Foi lá próximo os condomínios dos laranjais, acho que o nome é... residencial GULHER’MANIA, aquele... lá, tá vendo, não fica muito longe daqui. Ainda com as mãos livres das algemas mostrou a direção,

 

Era o edifício do senhor Guilherme, foi ele quem fez toda aquele trabalho dando uma nova cor para o residencial GUILHER’MANIA, faz pouquíssimos dias, nem levaram as escadas e ferramenta, estão todas aí para vir pegar, todas foram guardadas lá na área de serviços gerais, tipo de varanda cobertura para acomodar as ferramentas do jardineiro e as demais.

 

Reporter – então como é que você organiza as coisas, enquanto trabalha mapeia todo ambiente, marca todos os pontos estratégicos para depois botar os planos em ação, não é isso mesmo senhor Jorjão? Perguntou o profissional da imprensa pedindo respostas às suas perguntas.

 

- Não senhor. Nunca faço de meus serviços profissionais esses meus delitos, na hora de trabalhar é só trabalhar, aí é sério, caso tenha acontecido isso em alguma casa de meu serviço, posso afirmar com toda verdade, não foi eu.

 

Seu Guilherme ficou assustado, arregalou os olhos, colérico, deu um soco na mesa e novamente a imagem daquele sindico veio em mente, dizia ser ele o contratador desse serviço.

 

- Agora ele vai me explicar tudo isso, não vou dar moleza, como pode deixar passar esse descuido grave?

O velho sábio se levanta rápido de sua cadeira, com os nervos à flor da pele e mais que depressa começa a conferir seus objetos quando deixou no último dia anterior as férias, logo foi percebendo a falta de duas de suas estatuetas, o busto de Castro Alves e a corujinha.

 

 - Minha joia de estimação uma corujinha banhada em ouro, objeto de minha grande estima, mexeram até no livro que estava lendo, estava ciente que fechei na página sessenta e um, agora está marcado na página oitenta e cinco.

 

Ele fica furioso, esvoaçam todo os cabelos, coça a cabeça, fica irritado quando da falta de seu chapéu preto e suas luvas brancas, dizem o pessoal que seu Guilherme usava em suas reuniões secretas..

 

- Algo muito extraordinário aconteceu nessa minha ausência, preciso do comparecimento de dona Rita, a secretária do lar, só ela possui a autorização para entrar nessa sala.

 

Ele pensou em dona Rita, pois sabia que suas janelas são altas, difícil alcance, poderia deixa-las até encostadas, só fechar mesmo para se guardar da poeira ou caso chova em seus objetos de estima,-----------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

seu ar condicionado pelas poucas vezes ligado assim não teria necessidade se fechar.

 

S.r Guilherme continuou procurando suas coisas para conferir se tudo estava em seus devidos conformes, mas nem tudo estava em seus devidos lugares, percebeu a falta de seu relógio de pulso, marca Suíça, ele lamentou muito os desaparecimentos de seus objetos pessoais e suas joias relíquias de família, certeza, logo que for levado ao conhecimento da polícia, tudo será solucionado.

 

Assim deu por encerrado essa busca desses seus apegos materiais.

 

Dona Rita chega apressada tentando se explicar sua inocência, Seu Guilherme logo ficou convencido com as explicações de dona Rita, ele ficou certo que que dona Rita não foi a autora dessa invasão, pessoa de extrema confiança.

 

Estou certo de dona Rita é mesmo inocente.

 

O velho sábio dispensou dona Rita e ficou sozinho em seu escritório, pensando, matutando estudando todos os quadrante daquele cômodo, quando firmou às vistas na cortina, viu que havia uma pequena mancha de tinta azul, percebeu que poderia alguém ter entrado por aquela janela, outros respingos de tinta azul foram localizados, ele encostou no parapeito da janela, conferiu a altura, constatou que era mesmo de uma altura muito difícil de alguém escalar, ficou imaginando quem  poderia ter saltado minha janela?

Aproveitou continuou a olhar os redores de sua moradia, seus netos estavam terminando a brincadeira de jogo de bola,  lá do terceiro andar expandiu sua visão panorama, mapeou todo o gramado que circundava o residencial, os meninos dirigiram para uma grande área de serviço, onde se guardava as ferramentas, assim como cortador de gramas, rastelos, carrinho de mão,  esses pintores nessa ocasião também usaram esse espaço para guardar suas tralhas e ferramenta de pinturas, os meninos aproveitaram esse momento para ficar mexendo nessas ferramentas, bulindo em tudo.  

 Todos foram se refrescar em uma torneira própria para regar o gramado, para serviços de jardinagens, enquanto que o velho sábio continuava impaciente devido seu grande constrangimento de se sentir roubado, a perca de seu relógio Suíço para seu Guilherme, é um objeto valioso, esse foi o grande prejuízo, também a corujinha banhada a ouro. São de estimação, relíquias familiares.

- Maldita hora que eu não travei as janelas, não imagino como, mas foi por aqui que entraram.

Der repente entra pelos corredores dessa casa a netinha de seu Guilherme, Aninha se aproxima do ambiente de velho sábio chamando alto, com uma revistinha em quadrinho nas mãos, perguntava desesperada perguntando em voz alta:

- Vovô, Vovô, você dispensou minha revistinha da Mônica, das que eu mais gosto, porque o senhor deixou as minhas revistinhas lá na área de serviço do jardineiro?

- Não, não, não desfiz de suas revistinhas, não sei de que você está falando, algo está se encaixando, tudo está se confirmando, essas revistinhas estavam na biblioteca, justamente de onde desapareceu meus objetos. 

 Vovô, fiquei muito triste, eu ainda gosto desse Almanaque da Mônica, tem uma porção deles jogados juntamente com as ferramentas do pintor.

- Pode ter certeza, não foi eu, não foi eu, tudo indica que o ladrão de minhas coisas descartou as tudo que ele não queria, deixou junto com as tralhas deles.

Mais uma surpresa para o s.r Guilherme, seu neto de dez anos, Juninho, chega próximo de seu avô com uma sacolinha de supermercado entrega para o Vovô, seu Guilherme, percebendo que havia dentro dessa sacolinha algo que o interessava, vira a sacola de boca para baixo e eis aí a grande surpresa, foi despejado ao chão, todos objetos roubados de s.r Guilherme.

Um desses rapazes que trabalharam nessa reforma desse edifício foi o autor desse crime.

Agora o caso já está sobre as responsabilidades da polícia, O militante que foi preso a uns dias desses, disse em entrevista que não pratica nenhum delito em seu local de trabalho, tudo será investigado apesar de seu Guilherme ter recuperado todos objetos roubados.

Logo o vovô Guilherme foi informado do final dessa investigação, através de seu telefone móvel o agente da polícia deixou tudo confirmado, o autor desse roubo, conforme os esclarecimentos, se trata um rapaz de dezenove anos de nome Jair de tal, trabalhou de ajudante nessa reforma do residencial GUILH’ERMANIA, pelo que constatamos, Jair é sobrinho de sua faxineira dona Rita, lógico isso não diz nada que desabone a honestidade de dona Rita. Ele aproveitou dos andaimes que corre sobre cordas; o balancim e consegue alcançar até o topo de um prédio por mais alto que seja.

Quando a etapa desses trabalhos estavam na altura do andar de seu Guilherme, Jair ao perceber que a janela estava semiaberta aproveitou a ocasião e nessas condições efetuou esse assalto.

Nesse momento, pelas informações do agente de polícia, esse novo larápio da vila já se encontra preso, desse a população desse bairro residencial podem ficarem sossegados, esse já está fora de circulação.

 

(Antônio Herrero Portilho/ 27/02/2024)***