Ilusão...

O vento cortava sua face de modo prazeroso enquanto o cavalo avançava pelo campo. A grama verde desprendia um cheiro bom de terra molhada. Chovera durante a manhã e agora o céu estava nublado, estando tudo iluminado por uma luz pálida e lúgubre.

O cavalo subiu uma colina alta, ladeada por matos mais compridos. Quando alcançou o pico do monte, Elena olhou para o chão lá embaixo e viu uma igreja ladeada de túmulos. Um cemitério ali, no meio do nada?

Alguém já havia morado naquele recanto tão distante, tão abandonado?

Ela fez o cavalo avançar, descendo rapidamente a colina e chegando ao nível da igrejinha.

Ao se aproximar, notou que a construção estava em ruínas.

Desmontou e passou pelo arco de entrada, que parecia querer cair sobre ela. Toda a extensão da construção estava cheia de folhas secas em decomposição.

O lugar era frio e úmido. Seus passos ecoavam pelas lajotas podres e quebradas do piso.

Seguiu até a sacristia, onde um pano puído e desbotado cobria a mesa do altar, que abrigava uma bíblia comida de traças e um crucifixo dourado. Ela segurou o objeto entre as mãos. O metal era frio e pesado, cravejado de pequenas pedras vermelhas.

Elena saiu de dentro do que restava da velha igrejinha segurando nas mãos o crucifixo. Começou a passear pelo espaço entre os túmulos, fitando os nomes e epitáfios das construções tumulares.

Era tão quieto ali... Anormalmente quieto. Não era um silêncio de paz: era opressor, ameaçador.

Olhou para uma lápide grande e bem trabalhada, que se destacava entre as outras. Parecia extremamente antiga. Composta de uma grande cruz celta e, ela notou, um crânio de madeira, localizado na base da mesma.

Seus olhos se fixaram no crânio branco.

Ela ouviu um som atrás de si.

Viu um borrão de mexendo ao longe.

Seu coração saltou. O medo lhe preencheu por inteiro. Aquele lugar era macabro.

Correu com rapidez até seu cavalo, montou-o e o esporeou, fazendo com que corresse colina acima.

Só quando já estava no topo da colina, parou e virou-se para olhar para trás. Com profundo terror, avistou um vulto negro movendo-se como se flutuasse, na direção do túmulo em que ela estivera segundos antes.

Com lágrimas de pavor nos olhos, fez o cavalo correr pelos campos, rápido, rápido... Sacolejava em suas ilhargas enquanto chorava e soluçava, atemorizada.