Acidente Aéreo

Era uma viagem de rotina, numa de tarde de sexta-feira, entre duas cidades distantes cerca de 1.200 quilômetros uma da outra. A viagem, do início ao fim durava menos de duas horas. A aeronave era seminova e a revisão estava em dia, o piloto estava tranqüilo, juntamente com sua equipe. Eram pessoas que se conheciam há bastante tempo, viajavam juntos com muita freqüência. Todos eram muito amigos. O avião, como de costume nos fins de semana, estava completamente lotado, seus mais de 200 lugares estavam todos ocupados. A equipe de bordo sabia que em poucos minutos teria muito trabalho para servir lanches e líquidos para todos os passageiros, mas aquilo era uma rotina, estavam acostumados. Como de costume, em uma promoção da companhia, o lanche servido nas sextas era reforçado, com pratos refinados e de bom gosto.

O aeroporto estava tranqüilo, embora movimentado como de costume. Era 15:00 horas pontualmente quando as portas da aeronave foram fechadas e logo em seguida o guindaste rebocador conduzia aquele Boeing para a pista auxiliar. As turbinas já acionadas, estavam prontas para receber ordem de potência.

Logo após, já livre do guindaste, aquela máquina maravilhosa de voar deslizava mansamente sobre a pista lateral, em direção ao início da pista de decolagem. Todos os procedimentos de bordos foram cumpridos, a tripulação tomou seus lugares. A autorização para decolagem foi dada da torre de controle e a pista começa a se deslizar velozmente sob o nariz da aeronave. Alguns segundos se passam o avião começa a inclinar seu bico, a pista começa a se distanciar sob os pés do piloto. Estavam no ar. Os primeiros momentos de um vôo são de extrema importância, dada a exigência que se faz das turbinas, da estrutura, da aeronave como um todo, enfim.

O piloto, homem de seus 45 anos, 15 dos quais como piloto comercial, conhecia todo o país e fez também incontáveis viagens internacionais de grande duração. Ou seja, era um homem de muita experiência e amava a sua profissão. Em casa, ele era amável e carinhoso ao extremo! Tinha um casal de filhos, uma moça de dezenove anos e um rapaz de quinze. Tinha também um casal de gêmeos adotivos, de sete anos. Era um homem feliz, amava sua esposa, uma mulher de personalidade doce e meiga, médica que trabalhava em um hospital municipal da periferia da cidade.

Ele gostava desse trajeto que fazia, pois saía de sua cidade de manhã e ao final do dia estava de volta para sua casa. Esta viagem que começava era a volta para sua cidade. Já fazia uns seis meses que estava exclusivamente nessa rota. Sua esposa frequentemente ia buscá-lo no aeroporto, exceto raras vezes em que por força do trabalho isso não era possível. Era uma rotina que eles gostavam. Muito freqüentemente alguns dos filhos ou os gêmeos iam juntos. Do aeroporto, muitas vezes saiam para se divertir e atualizar os comentários do dia. Iam jantar ou fazer lanches, outras vezes iam visitar parentes, amigos, ou ainda iam se reunir na igreja para tratar das tarefas dos grupos a quem pertenciam, só chegando em casa um pouco mais tarde.

Era uma família feliz e religiosa. Eram católicos praticantes e sempre que era possível estavam envolvidos com os assuntos da comunidade. Visitavam creches, hospitais, participavam de campanhas de arrecadação de alimentos e donativos para serem doados aos mais carentes. Viviam bem, confortavelmente, tinham bons carros, chácara de lazer, mas nunca conseguiram juntar economias, pois todo o excedente de seus gastos domésticos era destinado para a comunidade. Era uma família exemplar e conhecia muita gente de onde moravam, um bairro de classe média, na região oeste da cidade.

Ele, sempre que iniciava suas viagens, fazia orações e pedia a Deus segurança e proteção, não só para ele, mas para o co-piloto, para todos os tripulantes e passageiros. Em suas orações, sempre se lembrava os nomes de todas as pessoas de sua tripulação. “Dê, meu Deus, proteção e segurança para os nossos tripulantes: O Maurício, meu co-piloto aqui ao meu lado, ao José Carlos, Ana Maria, Cláudio, Fernanda, Maria Lucia, Estela e Gabriela. Dê também a mesma proteção para todos os nossos passageiros e para mim também e permita para todos nós uma viagem feliz e tranqüila”.

Naquela tarde, a viagem transcorria tranqüilamente, em breve estaria em casa, para um merecido descanso de fim de semana. Uma vez atingida a altitude desejada, a tripulação entrou em ação para servir aos passageiros. A tarefa era um tanto cansativa e tinha que ser executada com perfeição, mas aquela equipe fazia bem seu trabalho, era muito unida. Copos de água foram oferecidos ao piloto e ao co-piloto, que aceitaram e agradeceram. O lanche foi servido e em seguida começaram recolher as embalagens e sobras, numa tarefa quase automática, que foi concluída rapidamente. O piloto pediu mais um copo de água. Em seguida, todos os tripulantes sentaram em seus lugares e restava então, esperar o término na viagem, que se daria em uns 35 minutos aproximadamente. Uns faziam planos de encontrar alguém, outros diziam que iria pra casa descansar. Havia uma das tripulantes que viajaria mais umas duas horas, onde visitaria um parente numa cidade do litoral.

Faltavam perto de 25 minutos para o fim da viagem, quando um barulho estranho foi ouvido, não se sabe onde. O piloto, que estava atento aos controles, percebeu que as duas turbinas entraram em pane e estavam parando! Seus tantos e tantos anos de experiência, inclusive naquele modelo de aeronave não deixava dúvida: estavam caindo! Mais alguns segundos de tentativas de restabelecimento do funcionamento sem sucesso, ele chegou à conclusão de que nada, absolutamente nada poderia fazer para evitar a queda. O painel de controle entrou em pane total, as turbinas reduziam a velocidade rapidamente. Pelo rádio, ele conseguiu transmitir pedido de socorro e informou sua rota e localização aproximada. Estava sobrevoando uma região de planícies e lavouras e com sorte conseguiria evitar o choque de ponta. Quem sabe conseguiria cair de barriga, planando, na melhor das hipóteses. Era uma pane irreversível. A aeronave começou uma trajetória de uns 45 graus de descida e como era dia ainda, se percebia que o solo se aproximava numa velocidade vertiginosa! O piloto, com sua experiência, não deixava que ela se desnivelasse nem mergulhasse na vertical, o que seria catastrófico, se ocorresse.

No interior da aeronave, o pânico tomou conta de todos. A tripulação tentava sem sucesso acalmar os passageiros. As máscaras de oxigênio, que já estavam balançando dependuradas no teto, sequer eram lembradas por muitos. O medo e o terror estavam estampados no rosto daquelas pessoas. O piloto conseguiu transmitir pelo serviço de som interno, aviso que estavam em uma emergência e que todos deveriam se firmar em suas poltronas, nas posições de impacto, mas poucos deram ouvidos e essa orientação. A tripulação correu para seus assentos e ficaram na posição recomendada, se seguravam nas mãos ou se abraçavam fortemente, como que a proteger uns aos outros. O tempo foi muito curto. A aeronave estava já a poucos metros do solo, quando o piloto, num esforço descomunal e inexplicável, conseguiu nivelar, ao mesmo tempo em que uma trepidação terrível e um barulho ensurdecedor assolou aquele o avião. A velocidade era muito alta, mas a perícia do piloto conseguiu que aterrissassem, mesmo que de barriga, em vez de bater de bico no solo, o que seria fatal para todos. O piloto permanecia firme ao comando, ao mesmo em que o co-piloto também estava firme em seu posto, fazendo tudo que era possível.

O barulho era intenso, a vibração mais ainda. Vidros e janelas começavam a se soltar, trincas enormes começavam a aparecer no teto e nas laterais daquele avião. Ele continuava se arrastando pelo solo de uma lavoura de milho, a velocidade se reduzindo. Mas outro complicador estava à sua frente: havia uma mata fechada, nos limites da lavoura. A velocidade agora estava perto dos 300 quilômetros por hora, quando a mata foi alcançada. Havia grandes árvores que foram sendo trituradas com o impacto. A asa direita foi arrancada inteira, ao alcançar uma grande árvore. Quase que momentaneamente, também a esquerda foi atingida por outra árvore, mas desta vez, em função de a velocidade estar um pouco reduzida, esta fez alavanca, fazendo com que o corpo daquele avião começasse a fazer um giro em torno daquele grosso tronco. Como a árvore era muito grande, esta caiu sobre o teto e como estava ainda em movimento, este foi quase que totalmente arrancado, deixando grande parte da tripulação a descoberta. Finalmente param! Desde a cabine dos pilotos até o meio do corpo, o teto havia sito totalmente arrancado. Havia uma infinidade de vidros, fuselagem e todo tipo de pedaços de materiais, pés de milho e galhos de árvore espalhados sob uma nuvem espessa de poeira vermelha. O piloto bem como o co-piloto estavam, aparentemente, milagrosamente a salvos. O barulho ensurdecedor agora era de pessoas aos gritos e pranto, tentando sair desesperadamente dos destroços. O co-piloto olhou para seu amigo, que estendeu-lhe a mão, num cumprimento emocionado:

- Paramos! É incrível, estamos vivos!

- É, estamos! – concordou o piloto, ao mesmo tempo em que respondia ao aperto de mão de seu amigo.

O co-piloto certificou que estavam bem e sem ferimentos e saiu imediatamente para ajudar as pessoas a saírem dali. O piloto ficou sozinho em seu assento, imóvel, parece que a pensar sobre tudo aquilo.

Todos os tripulantes começaram a ajudar os passageiros a saírem dos destroços. Até aquele momento, não havia ninguém ferido fisicamente. Aos poucos, foram descendo, pulando e se afastando daquele amontoado de alumínio, vidros, almofadas e troncos de árvores. Precisavam se afastar ao máximo, existia ainda o risco de incêndio e explosão.

Tudo foi muito rápido e em menos de 10 minutos todos já estavam distantes dos destroços. Milagrosamente, ninguém havia se ferido, estavam todos absolutamente sem nenhum ferimento, nem mesmo uma luxação. Apenas apavorados, trêmulos e aos prantos, muitos emocionalmente descontrolados. Ao se juntarem todos os tripulantes, já puderam perceber que carros, caminhões e tratores se aproximavam. Pessoas das imediações viram o acidente e correram em socorro.

Mas, e o piloto? Ninguém o viu. O co-piloto disse que ele estava bem, quando se afastou da cabine. Então foram até lá, se deparando com ele, inerte em sua cadeira. Perceberam então, que após a aeronave parada e depois que o co-piloto se afastou, um galho de árvore, que estava um pouco acima dos destroços da cabine, se desprendeu e atingiu-o no crânio, num golpe fatal! Até mesmo os fones de ouvido ainda estavam presos no seu pescoço. Era uma cena terrível, quem a via não acreditava naquilo. Compreenderam então, que se ele tivesse saído mais rapidamente dali, teria se safado! Do mesmo modo, se o co-piloto tivesse demorado um pouco mais a sair, teria se sucumbido também, pois pedados do mesmo galho estava cravado na sua poltrona.

Foram horas terríveis para todos. Cerca de uma hora depois chegou grupos de salvamento do aeroporto, composta médicos, enfermeiros, para-médicos, e outras pessoas preparadas para emergências, conduzindo todos os passageiros para observação médica, num posto de emergências que existia no próprio aeroporto, após verificar que fisicamente todos estavam bem.

Era incrível! Nenhuma pessoa sofreu sequer um arranhão. Estavam assustadas, muitas em estado de choque, mas fisicamente todos absolutamente ilesos. Apenas o piloto perdera a vida, ironicamente depois da queda.

Os tripulantes, todos juntos, se encarregaram de avisar pessoalmente à família do piloto. Era um grande amigo de todos e sabiam que estavam experimentando algo muito raro, que é uma queda sem precedentes, sem nenhum ferimento sequer. Isso os unia mais ainda. A tarefa de avisar àquela família foi dolorosa, ali mesmo no aeroporto, pois o estavam esperando, como de costume e já sabiam do ocorrido, pois a noticia se espalhara rapidamente. Mas a amizade, a segurança entre aquele grupo foi confortante para a família. Apesar da dor, contavam com grandes amigos.

A equipe de perícia começou a fazer os primeiros levantamentos dos destroços. As caixas pretas foram recuperadas e em breve certamente teriam explicação para aquele acidente. Uma coisa era certa: jamais vira algo igual, uma aeronave em queda livre, em pane, conseguir planar ao se aproximar do solo, se desintegra literalmente e apenas uma pessoa perde a vida, mesmo assim após estarem em solo e as demais não sofre nenhum arranhão. Era espantoso, para não dizer que era um milagre.

A grande surpresa veio com a leitura das informações das caixas pretas, cinco dias depois do acidente. Os técnicos que ouviram os últimos minutos de gravação da voz do piloto não se contiveram e começaram a chorar. Outras pessoas do departamento tentaram ouvir, mas foi impedido por aqueles técnicos emocionados. O chefe da equipe foi chamado e recomendaram que ele ouvisse as gravações. Isso ficou reduzido a um grupo de três pessoas.

O telefone toca, era o pessoal da perícia entrando em contato com a esposa do piloto, queriam falar com ela e os filhos, no laboratório técnico. Marcaram então de se reunirem às 8:00 horas do dia seguinte. Os tripulantes foram todos convidados também e na hora marcada estavam todos ali. Chegaram muito emocionados mas felizes por se reencontrarem, mas sem saber o porque daquele convite. O supervisor dos trabalhos então explicou que era a gravação da voz do piloto e gostaria que todos ouvissem. Entraram então em uma pequena sala e trancaram a porta. As pessoas não entendiam aquela atitude, o motivo de tanto suspense.

Então foi explicado que iriam ouvir uma gravação muito importante, e por isso foram todos convidados. Não por acaso, mas todos ali eram os familiares ou estavam à bordo no dia do acidente naquele episódio terrível. O supervisor acionou o equipamento de reprodução de som. Nas caixas de som começaram a ouvir a voz do piloto, do trecho previamente selecionado.

Era uma voz mansa e pausada, quase um sussurro. Aparentava calma e autocontrole, sem nenhuma denotação de medo ou apreensão.

"- Meu Deus, estamos caindo! Todos os comandos estão sem controle. Isso é queda na certa!! - E agora?"

"– Atenção torre, aqui é a aeronave 737-300, no vôo AA72. Estamos em queda irreversível. Mandar socorro urgente"! (foi dada as coordenadas de localização).

Ouve-se barulhos estranhos, gritos de pessoas e um zunido diferente, provavelmente as turbinas parando.

A voz continua, quase num sussurro:

"-Meu Senhor, meu Deus! É chegada a hora! Diante de ti, me entrego! Cuide bem de minha família amada!

Meu Senhor, quero aqui pedir, do fundo do meu coração: salve a todas essas pessoas! Dou a minha vida em troca do bem estar dos passageiros e tripulantes! Se o Senhor meu Deus de bondade e misericórdia achar que é valioso, poupe a todos e leve a mim... Te peço, do fundo do meu coração! O Senhor sabe que sempre estou à seu dispor. Sabe que peço de coração! Poupe estas pessoas aqui nesta aeronave. Dou a minha vida pelo bem estar de todos. Muito obrigado... Mais uma vez, lembre de meus queridos: minha esposa que tanto amo, meus filhos de sangue e meus gêmeos, filhos de coração! Desculpe minha fraqueza, estou ficando com medo. Perdoa também essas lágrimas, não sei o que está havendo comigo. Mas confio no Senhor e estou firme em meu pedido, meu Deus de Amor. Está chegando a hora de ver se consigo fazer essa aeronave planar... Terei de ser perito como jamais fui antes e conto com sua ajuda.

Obrigado, Senhor Meu Deus"!

Fez-se uma pausa na voz, mas um grande barulho se ouvia, percebia-se muitos gritos, e fuselagem sendo destroçada. Mais algum tempo, se fez um relativo silêncio, quebrado apenas por vozes apavoradas ao fundo.

Ouve-se a voz do co-piloto:

"- Paramos! É incrível, estamos vivos"!

"- É, estamos"!

Ouve-se um grande respirar do piloto. Inspirava calma e paz.

"- Obrigado, meu Deus por ter atendido a meu pedido! Parece que estão todos bem, apenas assustados. Muito obrigado! Estou pronto, meu Senhor e Deus amado! Conforme prometido! Leva-me quando quiser. Entrego-me ao Senhor".

Em seguida, ouve-se o som de alguma coisa retorcida, um baque e um gemido. Foi a última coisa decifrável que se ouviu naquela fita, permanecendo vozes apavoradas ao fundo.

Nesse momento foi interrompida a gravação.

O supervisor desligou o aparelho. Todos os presentes choravam numa cena comovente, abraçados entre si. Estavam entre tristes e comovidos com o que acabaram de ouvir. Era uma prova de amor inigualável, daquele homem. Acabaram de presenciar um milagre!

Ele então retirou do interior do equipamento um pequeno CD, colocou no estojo e entregou à viúva. Ninguém mais a ouviria.

- Esse trecho das gravações, mediante da autorização de meus superiores foi apagado, ninguém mais o tem, niguém mais o ouviria.

Ela o abraçou comovida, ao mesmo tempo que recebia o pequeno objeto. Em seguida, se despediram e foram embora em silêncio.

No caminho de volta para casa, passavam sobre um rio que cortava a cidade. Ela estacionou e desceu do carro, acompanhada pelos filhos. Ficaram ali, contemplando a corrente de água, como fizeram tantas outras vezes, em companhia daquele homem que tanto amavam. Os tripulantes, que também estavam voltando do aeroporto, viram a família ali parados e resolveram parar também, numa comunhão de carinho silencioso. Não eram necessárias palavras.

Após algum tempo em silencio, a mulher de posse do CD, jogou o com toda força nas águas, que imediatamente o devorou. Aquele seria um segredo que ficaria para sempre entre aquelas poucas pessoas que a ouviram. Havia ali, na intimidade de cada um, a certeza que jamais comentaria a respeito com quem quer que seja. Elas sabiam que também os peritos que ouviram aquela gravação fariam o mesmo!

A dor da perda era amenizada pelo amor que sentiam e uniam uns aos outros. Era reconfortante também a certeza em saber que aquele homem fez de tudo pelo próximo. Deu o máximo, que era a sua própria vida. Daquele dia em diante iriam reconstruir suas vidas, seguir a jornada de cada um. Estavam tristes, mas ao mesmo tempo felizes. Sabiam que havia força suficiente em cada um para seguir suas jornadas na vida.

A amizade entre aquele grupo de pessoas permaneceu intensa e duradoura. Havia algo muito forte e valioso a uni-los. E sabiam que acima de tudo, havia presente o amor de Deus.

Com o passar do tempo, a rotina foi tomando o lugar da dor. A viúva conseguira, com a indenização do seguro e mais algumas economias que a família conseguiu juntar ao longo dos anos e doações de amigos, construir um hospital em uma região carente da cidade e ocupava todo o seu tempo ali, cuidando das pessoas que lá se dirigiam. O filho daquele homem agora é um orgulhoso piloto de caça das Forças Armadas e doa boa parte de seus vencimentos ao hospital. Os demais filhos também são colaboradores voluntários. Os tripulantes juntamente com o co-piloto se tornaram colaboradores efetivos daquele hospital, e sempre estão por ali, prestando serviços voluntários ou arrecadando donativos. A felicidade foi reconstruída. A amizade e o amor de Deus os uniu para sempre!

Faria Costa
Enviado por Faria Costa em 24/03/2010
Reeditado em 13/09/2013
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