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Original(idade)

                                                MeSa (Messias Salvador) retirou os tênis, bateu-os um contra o outro; fazendo o mesmo com as meias. Juntou os pares e postou-os ao lado das bugigangas. Pegou uma folha de papel e nela escreveu: "Mantenha Distância. Cheiro extremamente nocivo às narinas".
                                                Espichou as pernas no banco da praça e contemplava o céu de baixo para cima, que de tempo em tempo, fazia descer sobre ele gotículas de sabedoria. Entre o fechar e abrir dos olhos, ressonava as inocuidades do cotidiano. Seus neurônios rodopiavam pensamentos em torvelinhos.
                                               Ao lado havia uma fonte de água, que embora fosse produzida pelas artificialidades das mãos humanas, nuançava os ruídos de cachoeira. Nas árvores, maritacas piavam estridentemente, algo que só essa espécie sabe o que tais ruídos podem representar. O mimetismo verdejante dos pássaros e folhagens, confundiam-se nas copas; porém o pio desconexo e infernal as denunciavam. MeSa, fingindo dormir, via e ouvia tudo.
                                               Repentinamente, ouviu certo rumor. Abriu os olhos e viu uma mãe segurando uma criança, daquelas que já usa batom nos lábios, esmalte das unhas, celular, uma pinta metálica no nariz e elegantemente vestida, pelas mãos. Estranhando aquele homem desajeitado estendido sobre o banco, falou: "Olha mamãe, o homem deitado no banco".
                                                MeSa levantou a cabeça, mirou os transeuntes e replicou à criança: "Essa é o significado de Liberdade. Quando crescer, exija a sua por direito; mas antes, peça para a mamãe ensiná-la a ser cidadã e cumprir com os seus deveres. Se assim procederes, será sábia e terá o céu sob os olhos e mãos, sem no entanto, usurpar os direitos de seu semelhante. Como sabes agora como proceder, exija da mamãe o que o Libertário lhe disse".
                                          A mamãe virou a cara para o lado, franziu a testa e torceu o nariz; enquanto que o homem virou o rosto para o canto, bocejou e fechou novamente os olhos. Aguardando o desfecho do ocorrido, dormia de ouvidos antenados.
- Vamos filha, ande rápido, aqui está fedido! Depois agente volta para a selfie.
                                É válido dizer que esse conto ocorreu no século XXI e a criança, a qual o Homem endereçou-lhe os ensinamentos ainda cagava na fralda; fato a ser considerado, pois era original, ingênua e pura e ainda sem os vícios de Homens Grandes; os quais incluem a desobediência, a destruição e as tragédias dos hecatombicas dos terremotos.

O conto continuará...apenas um pequeno prefácio.
Mutável Gambiarreiro
Enviado por Mutável Gambiarreiro em 30/07/2015
Reeditado em 30/07/2015
Código do texto: T5329032
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Mutável Gambiarreiro
Jegue é - Tovuz - Azerbaijão
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Mutável Gambiarreiro