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Fúria dos Titãs ** Episódio 1 ** A Reunião

Em algum lugar da terra, num ponto perdido da história, três forças se reuniram para falar sobre um grande mal que estava assolando o planeta.
O primeiro iniciou de forma violenta e enraivecida:
“Acho que já chegou à hora de começarmos a ensinar a esses homens um pouco de humildade”.
A segunda; uma voz de mulher tomou a palavra visivelmente irada:
“Sim, eles nos ignoram; tentam se utilizar de nossos recursos e procuram a destruição de tudo o que tocam desde o início”.
Outra voz feminina soou alto unindo-se a dos outros dois:
“A contagem já começou, as areias do tempo já correm apressadamente contra tais violadores”.
Aquele que falou primeiro retomou o controle do debate.
“De agora em diante será assim, contra-atacaremos com uma intensidade tão grande que não haverá como eles não retrocederem em suas maldades”; fez uma pausa e continuou. “E se insistirem em suas ganâncias varreremos todos da face da terra de forma que nunca se saiba que aqui pisaram homens”.
As duas femininas estavam de mãos dadas, com suas belas faces lado a lado formando uma imagem das mais maravilhosas que se podia ver. O horizonte.
A primeira a falar dentre as mulheres recomeçou, como se estivessem obedecendo alguma ordem natural.
“Vou avançar sobre seus continentes, paises, cidades; como uma forma de aviso, mas se eles não se arrependerem de seus atos de destruição, então reunirei minhas forças que depositei nos pólos milênios atrás e arrebatarei a civilização dos homens em questão de  poucos anos; poucos se salvarão”.
Havia um homem sentado próximo daqueles que discutiam tão ferozmente; nenhum dos três tinham-no percebido ali parado de forma serena observando o debate. O homem estava envolto em vestes brancas como se fossem feitas de nuvens e seus cabelos também eram alvos como a neve, porém parcialmente encobertos por um manto feito provavelmente de lã tão pura e alva quanto todo o resto das vestimentas; trazia na mão um cajado como aquele usado pelos beduínos no deserto, e limitava-se a olhar para cima; aonde as três forças falavam sem parar.
O sol tocava o rosto de uma das mulheres e era refletido esplendidamente de volta para o céu.
A outra falou:
“E aos que ainda se recusarem a cuidar do que lhes foi dado e sobreviverem às inundações, terão que provar a força sísmica que vou lhes impor; abrirei fendas profundas nas cidades de que eles mais se orgulham, derrubarei seus monumentos eregidos por sua arrogância; para provarem uns para os outros que podem algo”_ nesse momento a mulher se alterou mais do que já estava e todo o lugar começou a tremer. Mas o homem permanecia sentado sem se preocupar com os tremores. Ela continuou: “Acordarei os vulcões mais poderosos da terra e juntos lançaremos fumaça nos céus e magma no solo; assim os homens vão saber que a fúria dos três elementos está sobre eles”.
O Homem que observava levantou calmamente e se dirigiu a esta mulher que falava:
_Por que, oh Terra, está tão aflita assim?!
E voltando o rosto para os outros dois que pasmos olhavam para ele também perguntou:
_ E vocês, Águas e Ar? Quem ordenou esta assembléia?
“Mensageiro!”_ vociferou o Ar; ventos poderosos sopraram em diversas partes do planeta._ “Que trazes para nos informar das regiões celestiais?”
_Aquieta-te e mantenha os quatro Ventos nos lugares onde foi ordenado que ficassem até o dia marcado. Quanto a Terra e as Águas, aguardem até que todos os séculos se consumam, até lá, reajam moderadamente. Os homens são pequenos demais para perceber que grande mal estão causando ao planeta em que vivem, não conseguem ver além de suas necessidades imediatas.
As ondas se ergueram, a terra tremeu novamente e os ventos desceram do céu em espiral formando tornados. Todos três protestaram.
“Mesmo reagindo moderadamente; ainda assim sopraremos milhares e milhares de pessoas de sobre a superfície do mundo; são tão fracos que nem conseguem perceber sua posição” _ disse o Ar.
A Terra acompanhou:
“Estão transformando florestas vistosas e seculares em desertos áridos em questão de poucos anos, estão poluindo mares e rios em nome de uma evolução que não vai se sustentar, transformando o oxigênio em carbono e aquecendo a única casa que possuem sem nem parar para se perguntar se vale a pena que pagarão. Pois ela vai ser bem pesada.”
E por fim as Águas falaram:
“O que foi colocado em movimento, em movimento ainda está. Eles nos agrediram primeiro, não respeitaram os limites e retribuiremos seus feitos; moderadamente como você pede, entretanto ainda será o suficiente para que sintam com quem estão tratando”.
O homem caminhava olhando para as forças da natureza com quem ele agora travava um combate, e falou apontando seu cajado para eles:
_ Pois então que eles sintam parte de sua revolta; porque a justiça e permitida, mas vingança jamais será; ouviram, ninguém debaixo dos céus tem o direito de vingança; nem mesmo a natureza. Está é a lei.
Mesmo a contragosto, os elementos seguraram sua fúria, ao menos naquele momento, mas ficariam esperando a primeira oportunidade de mostrar sua força aos homens, e lançar sobre as cidades maremotos, tsnamis, tornados, ciclones, tempestades, terremotos e toda gama de “corretivos” de que dispõem.
O homem de trajes brancos se foi da mesma maneira que surgiu, e nem o Ar, nem as Águas e nem a Terra o viram quando os deixou. E no momento seguinte o Ar já estava sobrevoando todas as cidades do planeta simultaneamente, olhando a movimentação das pessoas e esperando. As Águas por sua vez recomeçaram seu exercício paciente de observar todas as ilhas e cidades a beira mar do mundo escolhendo calmamente qual seria seu próximo alvo; e por fim a Terra se acalmou sorrateiramente abaixo das cidades que julga dignas de punição.
Luiz Cézar da Silva
Enviado por Luiz Cézar da Silva em 19/11/2007
Código do texto: T743192
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Sobre o autor
Luiz Cézar da Silva
Nova Iguaçu - Rio de Janeiro - Brasil, 37 anos
262 textos (39394 leituras)
7 e-livros (1145 leituras)
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Luiz Cézar da Silva