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Aquela dose de Perdão- Bernardino Matos , em resposta Aquela Dose de AMOR , do Poeta Antonio Francisco



AQUELA DOSE DE PERDÃO!
Bernardino Matos

 

Eu sempre tive certeza,
que o amor era a receita.
Mas sua composição,
não traz a dose perfeita,
até,hoje, espero em vão,
que ela seja refeita.

Lá no meu sertão agreste,
eu também fui caçador,
quem caça, aqui, no nordeste,
nem sempre é depredador,
as vezes a fome se veste,
no perfil de um voador.

Eu matei muita rolinha,
azulão,perdiz,sibito,
quando comida não tinha,
servia o bichinho frito,
a culpa não era minha,
mas do meu viver aflito.

O caçador de avoante,
mata pra sobreviver,
amarra-os num barbante,
e vai pras ruas vender,
pra ele é angustiante,
de fome o filho morrer.

Melhorava a pontaria,
engolir o coração,
de um pássaro que morria,
vítima dessa agressão,
confesso que eu sofria,
cortava meu coração.

Quando vejo a violência,
Irmão matando outro irmão,
mais eu tomo consciência,
que essa inquitação,
teve sua procedência,
no dia da criação.

Durante a vida inteira,
eu procurei a receita,
de uma paz verdadeira,
a dose nunca é perfeita,
não existe outra maneira,
cada dia ela é refeita.

Ora o erro é na dosagem,
ora é na composição,
ora é ciclone, ora aragem,
ternura ou agressão,
o amor é a roupagem,
a dose certa, o perdão.

Deus desceu a esse mundo,
assumiu a nossa trilha,
o seu amor tão profundo,
deixou-nos como cartilha,
o livre arbitrio, no fundo,
esse trem desencarrilha.

Uma dose de amor,
se ela fosse aplicada,
no peito de cada agressor,
que detrás da barricada,
dissimina o terror,
não mais faria emboscada,
nem ato de desamor.

Pra Dimitri Medvedev,
McCain, Barack Obama,
a dose de amor não serve,
pra por fim a esse drama,
a não ser que Deus reserve,
pra cada uma essa chama.

Nossa única saída,
é amar profunamente,
e até o fim da vida,
levar pacientemente,
a essa massa sofrida,
a dose de amor da gente.

Eu procurei o velhinho,
lá no meio da caatinga,
ao matar um passarinho,
pra me indicar a restinga,
e uma dose de carinho,
teria esquecido a pinga.

Eu não teria atirado,
na Juriti que voava,
teria deixado de lado,
a arma que atirava,
e com você abraçado,
do amor não me afastava.

Se você é um caçador,
que atira no que voa,
que pratica o desamor,
que um irmão seu magoa,
tome a dose de amor,
que a paz no mundo ressoa.

Fortaleza, 03/07/0/

Aos Poetas Antonio Francisco e Bernardino Matos..
A vocês, vai meu recado
A voz que afugenta dores
No nordeste amargurado
Rende ao Cordel louvores...

Deth Haak
“A Poetisa dos Ventos”

Deth Haak
Enviado por Deth Haak em 04/08/2008
Código do texto: T1112252

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Sobre a autora
Deth Haak
Natal - Rio Grande do Norte - Brasil, 60 anos
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Deth Haak